Fazenda de Minas dá início aos trabalhos para equilibrar as contas do Estado

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Fazenda de Minas dá início aos trabalhos para equilibrar as contas do Estado
Gustavo Barbosa: privatização de empresas estatais entre as contrapartidas do RRF - Ronny Rodrigues

O governo de Minas Gerais trabalha intensamente na elaboração do plano de recuperação financeira do Estado e pretende enviar a versão final para o Ministério da Economia até o fim do primeiro semestre. Para isso, a Secretaria de Estado da Fazenda (SEF) abriu várias frentes de trabalho e já adotou algumas das ações exigidas pelo governo federal como contrapartida para a adesão ao Regime de Recuperação Fiscal (RRF).

A informação é do secretário de Estado da Fazenda, Gustavo Barbosa. Segundo ele, a expectativa é de que, no próximo mês, seja finalizada a primeira versão do documento, que passará por apreciação do governador Romeu Zema (Novo) e também de membros do Tesouro Nacional.

“Trata-se de um trabalho intenso e constante. Até a versão final, que deverá sair em junho ou julho, serão muitas as agendas em Brasília. Até lá, temos que cumprir algumas etapas, como elaborar o plano, executar as ações, aprovar junto ao Legislativo para, enfim, apresentar a lei sancionada no Diário Oficial”, explicou.

No mês passado, uma equipe de representantes do Tesouro Nacional esteve no Estado para iniciar o processo de renegociação da dívida de Minas Gerais com a União. Na ocasião, os técnicos confirmaram o rombo fiscal dos cofres estaduais e seguem auxiliando na construção do plano para reequilibrar as finanças.

Conforme o secretário, na prática, a renegociação suspende o pagamento da dívida do Estado com o governo federal pelo prazo de três anos. Após este período, os débitos são parcelados de acordo com o prazo original da dívida. Contudo, ele lembrou que o Estado deve apresentar contrapartidas como implementação de teto de gastos e a privatização de empresas estatais.

“Muitas destas ações já estão em andamento, como a redução dos gastos e as consultas junto a instituições financeiras a respeito da privatização das grandes estatais mineiras”, revelou.

Entre as empresas públicas do Estado que estão no radar da venda, Barbosa citou a Companhia Energética de Minas Gerais (Cemig), a Companhia de Saneamento de Minas Gerais (Copasa) e a Companhia de Desenvolvimento Econômico de Minas Gerais (Codemig). “Todas elas serão avaliadas dentro do processo de privatização. É uma exigência para adesão ao RRF”, completou.

Além das privatizações, mudanças nas alíquotas da previdência e redução de incentivos fiscais são algumas das obrigações do Estado para conseguir créditos com o governo federal. De acordo com o secretário, os projetos de leis que visam a essas mudanças também já estão sendo elaborados.

Hoje, Minas enfrenta um rombo de R$ 30 bilhões, de acordo com o governo. Ao aderir ao plano de recuperação fiscal, o Executivo teria um alívio de R$ 25 bilhões. Além disso, mesmo com a crise, Minas Gerais também teria condições de conseguir créditos junto à União.

Brumadinho – Por fim, Barbosa afirmou que o plano deverá incluir medidas de elevação das receitas como forma de compensar as perdas previstas na arrecadação, após o rompimento da barragem 1 da Mina Córrego do Feijão, da Vale, em Brumadinho, na Região Metropolitana de Belo Horizonte (RMBH), ocorrida na sexta-feira (25).

É que o plano da Vale de descomissionar as barragens de rejeitos construídas pelo método de alteamento a montante e a consequente paralisação das operações nas minas em áreas ao redor dessas barragens, todas em Minas Gerais, trará um impacto imenso na economia do Estado e de municípios mineradores, seja nas exportações, na arrecadação dos royalties da mineração ou no recolhimento de outros impostos.

Em comunicado à imprensa, o governo de Minas estimou que a decisão da Vale de fechar as barragens reduzirá em 30% a arrecadação de tributos estaduais do setor de mineração, uma queda de cerca de R$ 220 milhões ao ano. No caso da Compensação Financeira pela Exploração de Recursos Minerais (Cfem), a redução anual será de cerca de R$ 79 milhões.

“Vamos ter mais uma redução de receita e teremos que compensar com ações dentro do plano de reestruturação, de forma a equilibrar as contas. É claro que, para o Estado, as maiores perdas foram as vidas, mas também haverá impacto sob a ótica financeira e econômica, já que se trata de uma atividade muito importante em termos de arrecadação”, concluiu.

Sobre o autor

Mara Bianchetti

Editora do Diário do Comércio. Graduada em Jornalismo pela Newton Paiva, com especialização em Jornalismo em Ambientes Digitais pelo UniBH. Premiada entre os jornalistas mais admirados da imprensa de Economia, Negócios e Finanças. LinkedIn: https://www.linkedin.com/in/marabianchetti/

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