Google emite 18% mais carbono com IA e fala em meta climática mais desafiadora do que nunca
As emissões de gases de efeito estufa do Google subiram 18% em 2025, uma consequência direta do avanço da inteligência artificial e da demanda por energia em data centers. O aumento percentual é o maior já registrado desde 2022.
No ano passado, a empresa de tecnologia lançou 14,4 milhões de toneladas de CO2e (dióxido de carbono equivalente) na atmosfera. A poluição é comparável àquela gerada na cidade de São Paulo em 2024, de 14,7 milhões de toneladas de CO2e.
“Reconhecemos que nosso impacto climático tem crescido junto com o crescimento sem precedentes da IA, e estamos trabalhando ativamente para minimizar esse impacto”, afirma relatório de sustentabilidade publicado nesta terça-feira (30).
Em 2021, o Google definiu a meta de alcançar a neutralidade de carbono em todas as operações até 2030, mas as emissões da companhia aumentaram em 80% desde 2019 -naquele ano, foram geradas 8 milhões de toneladas de CO2e.
“Continuamos profundamente comprometidos com nossa estratégia climática, mas ficou claro que alcançar nossa ambição climática é mais complexo e desafiador do que nunca”, diz o documento.
Cerca de 80% das emissões se concentram nas cadeias de valor que abastecem a empresa (o chamado escopo 3 em relatórios de sustentabilidade). Essa categoria registrou aumento de 25% em 2025, devido à construção de data centers e à fabricação de equipamentos.
A poluição pode ser ainda maior, porque a companhia usa a métrica de “emissões baseadas na ambição”, que exclui outras atividades consideradas periféricas às suas operações centrais, como serviços de software e tecnologia da informação.
A big tech diz priorizar três formas para reduzir as emissões, que incluem a construção de data centers de menor intensidade de carbono e o uso de eletricidade de fontes limpas nessas estruturas e nas cadeias de suprimentos.
A companhia afirma que os números de 2025 teriam sido cinco vezes maiores sem medidas de descarbonização e diz ter evitado a emissão de 58 milhões de toneladas de CO2e no ano passado, por meio de ganhos em eficiência energética e do uso de energia limpa.
O consumo de água subiu 37% em 2025 e chegou a 10,8 milhões de galões, aproximadamente 40 milhões de litros. “Esperamos que o consumo de água dos nossos data centers continue a crescer, o que significa que nossos esforços de reposição precisam acelerar para acompanhar esse ritmo”, afirma o relatório.
O Google não é a única empresa a registrar aumento na poluição. Nesta semana, a Amazon divulgou que suas emissões de CO2 cresceram em 16%, também impulsionadas pela inteligência artificial.
Conteúdo distribuído por Folhapress
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