Foram criadas 50 orientações para as operações de hotéis durante a pandemia de Covid-19 | Crédito: Alisson J. Silva/Arquivo DC

Os meios de hospedagem mineiros passaram a integrar a onda verde – que reúne as atividades essenciais – do plano Minas Consciente, que dá as diretrizes para a reabertura das atividades econômicas no Estado. A decisão foi tomada após apresentação de parecer técnico do Comitê Extraordinário Covid-19 do governo estadual.

O documento traça as premissas para que o setor de turismo volte gradativamente às suas atividades com a garantia da segurança à saúde de todos os envolvidos. O segmento hoteleiro foi o primeiro a ser incluído. É importante lembrar que os prefeitos têm autonomia para aderir ao programa Minas Consciente e fazer a reabertura de acordo com as condições epidemiológicas de cada município.

O presidente da Associação Brasileira da Indústria Hoteleira de Minas Gerais (Abih-MG), Guilherme Sanson, comemora a decisão. “Os hotéis já estavam funcionando e um dos pleitos da Abih junto ao governo era uma análise da Norma Técnica (NT) 31, feita para a hotelaria.

Precisávamos de algo mais didático e prático para a operação dos hotéis, visto que os hotéis não estavam, nem pelo decreto estadual, nem pelo municipal (caso de Belo Horizonte), fechados. Então foi ótimo esse documento, que vai servir não só para os hotéis que estão em operação, mas também para os que vão abrir ainda durante a pandemia, pensando no controle da doença e na segurança de colaboradores e hóspedes, além da preservação dos empregos”, avalia Sanson.

São mais de 50 orientações listadas no protocolo sanitário dos serviços de hotelaria. Entre as mais importantes estão: suspensão de sistema de reutilização de água durante a quarentena; interrupção de dispensadores de água que exigem aproximação do usuário para ingestão em todos os bebedouros; orientação aos hóspedes para evitar áreas comuns do hotel; proibição de reuniões e eventos coletivos nas dependências dos estabelecimentos; restrição a permanência de hóspedes em ambientes de atividades coletivas, como refeitórios e salas de convivência; higienização de maçanetas, torneiras, bebedouros, corrimãos, mesas, cadeiras, teclados e todas as superfícies de uso coletivo com álcool 70% e disponibilizar dispensadores de água e sabão e álcool gel 70% para higienização das mãos de funcionários, hóspedes e fornecedores.

Com relação à alimentação, recomenda-se que: refeições de hóspedes sejam fornecidas por meio do serviço de quarto, não utilizando salões e refeitórios, para evitar aglomeração; sejam servidos alimentos em condições higiênico-sanitárias adequadas e em conformidade com a legislação específica; utensílios como prato, copo e talheres sejam dispensados em sacos plásticos lacrados para serem colocados do lado de fora do quarto, e passem por processo de desinfecção com uso de álcool 70%, hipoclorito de sódio a 1% ou outro saneante registrado pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) para esse fim.

Para o presidente do Belo Horizonte Convention & Visitors, Jair Aguiar Neto, a volta da atividade hoteleira ajuda o setor de turismo, mas não é o suficiente. “Essa é uma mudança importante, a hotelaria ser considerada como essencial, até porque precisamos hospedar e isolar pessoas e os hotéis são os melhores lugares pra isso. Mas, infelizmente, não é isso que vai salvar o nosso setor. Os hotéis estão com 8% de ocupação e temos muitos hotéis fechados na Região Metropolitana, e essa medida não gera demanda. Embora seja um começo, precisamos que outras medidas sejam tomadas”, aponta Aguiar Neto.

Decisão – A decisão, que foi tomada em acordo entre as secretarias de Estado de Cultura e Turismo (Secult), de Desenvolvimento Econômico (Sede) e de Saúde (SES), levou em conta a relevância econômica do setor para o Estado e a capacidade de adaptação dos hotéis em relação à higienização e ao distanciamento social.

Além disso, o Comitê Extraordinário Covid-19 enxerga os serviços de hospedagem também como um instrumento de combate à propagação do coronavírus, ao representarem uma possibilidade alternativa de moradia a profissionais da saúde e de outros setores que estão na linha de frente do enfrentamento da pandemia.

“Estamos em constante diálogo com a Secretaria de Saúde para que tudo aconteça da forma mais segura e consciente possível. Consideramos um avanço conseguir fazer com que o setor de hotelaria saia da onda vermelha do Minas Consciente, que representa atividades de alto risco, para a onda verde, dos serviços essenciais. Isso significa o início de uma retomada que está sendo muito bem planejada pela Secult, por meio da avaliação das demandas recebidas de entidades representativas e parceiras da pasta”, explica o titular da Secult, Leônidas Oliveira.

“Bom sinal” – Já o presidente do Sindicato de Hotéis, Restaurantes, Bares e Similares de Belo Horizonte (Sindhorb-BH), Paulo César Pedrosa, destaca que a volta da hotelaria é um bom sinal para os demais segmentos que compõem o setor.

“A flexibilização do comércio e a volta dos hotéis, mesmo que gradativamente, já é um bom sinal. As pessoas voltando a circular no centro das cidades, começando a melhorar a economia, voltando os negócios, é uma boa iniciativa. Temos a perspectiva de começar em junho ou julho a minimizar a perdas. Os hotéis não estavam proibidos de funcionar, mas não havia demanda porque não existem eventos. Ainda esperamos as volta dos shopping centers porque eles são muito importantes para o turismo de negócios e para a hotelaria tentar recuperar parte do prejuízo e não ter um resultado tão negativo. O principal agora é a recuperação dos empregos, são mais de 1 milhão de desempregados no turismo nacional até agora”, afirma Pedrosa.