No Santuário do Caraça já existe protocolo até para ver o Lobo Guará; plateia foi reduzida e local de acesso higienizado | Crédito: Divulgação

Um dos setores mais atingidos pela crise econômica desencadeada pela pandemia do Covid-19, o turismo clama por ajuda. De acordo com uma pesquisa feita pelo Serviço de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae), 66% dos pequenos negócios do setor no País tiveram que interromper o funcionamento e 4% encerraram definitivamente as atividades devido à crise.

Com o objetivo de orientar os empresários sobre as estratégias e soluções, que poderão dar fôlego aos pequenos negócios do setor, foi lançado o projeto Capacita Turismo, uma iniciativa do Sebrae Minas em parceria com a Secretaria de Cultura e Turismo de Minas Gerais (Secult) e a Federação dos Circuitos Turísticos de Minas Gerais (Fecitur).

No evento virtual de lançamento, no dia 8, especialistas destacaram os temas que compõem a série com quatro conteúdos de cursos on-line, e-books, artigos, vídeos e ferramentas que formam o programa:

Reinvenção: dados que analisam o cenário atual do turismo e informações sobre gestão e estratégias para o setor. Para o diretor da Associação Empresarial de Tiradentes (Asset), Christian Silveira Bastos, para poder se reinventar, é preciso entender as novas necessidades do cliente.

“Tiradentes (no Campo das Vertentes) é uma cidade de eventos que vivencia o fluxo sazonal por causa deles. A questão é que agora não existem eventos. Precisamos pensar em como vamos trazer esse turista para cá. Devemos mostrar que somos muito mais que isso. Temos história, religiosidade, natureza. Então precisamos entender qual a necessidade do turista. Para ele basta só sair de casa? Isso pode ser um diferencial diante desse ímpeto de sair apesar do receio. Vamos trabalhar o nosso bem receber, porque essa é a característica da cidade e de Minas Gerais”, explicou Bastos.

“As pessoas estão buscando espaços abertos, ao ar livre. Locais com a possibilidade de oferecer coisas mais exclusivas, com poucos hóspedes, vão ser mais demandados. Estamos a uma hora e meia de Belo Horizonte, que representa 70% do nosso público. É hora de focar nesse público. De 500 pessoas atendidas por dia, vamos reduzir para 60 na primeira fase de reabertura. É um momento de adaptação, de entender como vai funcionar. Agora nosso foco vai ser o entorno primário do Santuário”, completou o gerente do Complexo Santuário do Caraça, Márcio Mól.

Novo normal: orientações sobre novas formas de operacionalização dos negócios. Na visão da diretora da ETC & TAL Brand Experience e líder regional da Associação de Marketing Promocional de Minas Gerais (Ampro/MG), Alexa Carvalho; e do diretor da Sette Turismo Agência de Receptivo, Lucas Condurú Davis; o desafio agora é criar produtos que tenham apelo e demonstrem segurança.

“Esse momento é um tremendo desafio porque a essência do nosso negócio é aglomerar pessoas. Aqui em Belo Horizonte temos em essência o turismo de negócios. As pessoas esticam a estadia para as cidades mais próximas. Isso pode ser um bom ponto para o recomeço. É uma oportunidade para a hotelaria criar microeventos para quem está buscando o turismo como fuga do confinamento. As pessoas vão buscar qualidade de vida, convivência intrafamiliar e relaxamento”, pontuou Alexa Carvalho.

“Não adianta criar produtos de prateleira sem operacionalidade. Tem que operar em parceria com os receptivos. O produto tem que ter bom preço e ser acessível para o turista. É importante que a iniciativa privada caminhe junto com dos circuitos”, destacou Davis.

Presença digital: dicas de como tornar a empresa conhecida na internet e novas formas de trabalho on-line.

“A pandemia veio como um catalisador da transformação tecnológica. Quem já tinha começado está sofrendo menos. Existem muitas ferramentas gratuitas. É possível ter um bom site e manter as redes sociais sem custos. A mentalidade tem que ser digital. Essa transposição requer trabalho, mas dá para fazer. As ferramentas fornecem métricas com as quais você pode desenhar as estratégias do negócio”, avaliou Bastos.

A experiência do Santuário do Caraça pode ser um bom exemplo para outros destinos: “Já estávamos no processo digital e isso foi muito importante nesse momento de fechamento. Era a única maneira de manter contato com os nossos clientes. É importante mostrar como estamos fazendo nossos processos de segurança. Agora temos protocolo até para ver o Lobo Guará. Diminuímos a plateia e o espaço que ele acessa é higienizado. O hóspede precisa estar bem informado e se sentir seguro”, disse o gerente do Complexo Santuário do Caraça.

Finanças: informações sobre financiamentos disponíveis no mercado, como fazer uma boa negociação e controlar gastos e receitas. Para os gestores controle de custos e estoque estão na base de uma boa gestão financeira em qualquer época, especialmente durante a paralisação as operações ocasionadas pela pandemia.

“Uma coisa que tem dado certo aqui são as compras coletivas, diminuindo o custo operacional. E a própria negociação com os fornecedores é muito importante, aumentar o leque de fornecedores também. Com a tecnologia fica fácil fazer essa pulverização do custo”, ensinou Bastos.

“Tem que ter preocupação com o custo para garantir a conversão em vendas. Temos que tentar criar uma forma de as pessoas viajarem sem abandonar os protocolos de distanciamento social. A precificação precisa remunerar a cadeia produtiva e ser justa com o consumidor”, afirmou o diretor da Sette Turismo.

“Estamos muito preocupados com a cadeia porque tem espaços, fornecedores fechando por falta de crédito. Vamos ter uma diminuição de 10% a 15% na cadeia. O crédito é importante, mas tem que saber como vai usá-lo. Pedir para pagar custos sem gerar negócios, é um perigo”, alertou a líder regional da Ampro/MG.

Para adquirir o material do Capacita Turismo, gratuitamente, os interessados deverão acessar o site do Sebrae-MG e se cadastrarem para receber as informações por e-mail.