A 19ª edição do Encontro da Hotelaria, promovida pela Federação Brasileira de Hospedagem e Alimentação – regional Minas Gerais (FBHA-MG), realizada totalmente on-line, foi considerada histórica pelo trade.

O evento, que se notabilizou por percorrer todas as regiões do Estado, reuniu 15 convidados em sete lives, nos dias 19 e 20. O tema geral não poderia ser outro a não ser a sobrevivência e o futuro do turismo brasileiro e, em especial, da hotelaria mineira, ao caos humanitário e econômico decorrente da pandemia do Covid-19.

Talvez o setor mais atingido e durante mais tempo pela crise, o turismo se viu reduzido a praticamente nada logo com as primeiras medidas de restrição de deslocamento entre e dentro das cidades.

A pandemia, que ficou famosa por se espalhar pelo mundo através do transporte aéreo, impôs o fechamento de hotéis do dia para a noite, independentemente da categoria, porte ou localização. Receitas congeladas, insegurança jurídica e custos fixos aparentemente inegociáveis formaram um caldo que aterroriza gestores de todos os perfis.

Turismo doméstico – A seguir os padrões internacionais, especialmente o chinês, que começou a reabertura dos negócios mais cedo, o turismo de lazer doméstico será a primeira mola propulsora da retomada. Nesse sentido, o Brasil, que sempre dependeu pouco do turismo internacional, se vê diante de um cenário positivo.

“O Brasil tem tudo para dar certo no turismo doméstico. Destinos menos dependentes da malha aérea tendem a voltar primeiro. Existe uma lacuna, as grandes redes não olham para os pequenos hoteleiros. 60% dos quartos estão no interior e essa é uma oportunidade de negócios”, explica José Eduardo Mendes, CEO da VOA Transformação Hoteleira, que falou durante o painel “Como restabelecer o capital de giro e levantar recursos para novos investimentos”.

Para o CEO da Enjoy Hotels e Resorts, Alexandre Zubaran – que participou dos painéis “Receita incerta e custo certo! O maior impasse para a reabertura dos hotéis” e “Como restabelecer o capital de giro e levantar recursos para viabilizar a reabertura dos hotéis”, embora o governo federal tenha anunciado linhas de crédito especiais em socorro ao setor, o dinheiro não chega aos pequenos empresários. Sem crédito, dificilmente os menores negócios terão condições de sobreviver.

“Essa é a grande falha do governo. Existe liquidez, os bancos foram socorridos, mesmo assim o crédito não chega a quem se destina. A análise de crédito está fora de sintonia. Para mim causa uma estranheza muito grande o Banco do Brasil estar fora desse jogo. Ele (o banco) tem uma grande capilaridade entre as pequenas e médias empresas e não entendo porque não está atuando nessa frente. O que fiz nas empresas que dirijo foi, no primeiro momento, adotar medidas de respeito às pessoas e de proteção ao caixa. Passada essa primeira fase, em que as pessoas começam a retomar o consumo, começamos a desenvolver estratégias específicas como, por exemplo, promoções do tipo ‘compre e viaje quando puder’, permitindo a remarcação sem custos se na data primeiramente escolhida a viagem não puder ser realizada”, explicou Zubaran.

No painel “Estratégia comercial: Como adequar o custo de venda em um cenário de baixa demanda e alto custo”, o CEO da VisitNow e diretor de Vendas e Marketing da Vert Hotéis, Bruno Guimarães, destacou o papel da distribuição e como a venda pode se tornar mais simples nesse momento.

“Temos que entender a distribuição como um processo de evolução. Se entendermos a importância do ambiente on-line hoje vamos usar do marketing digital com muito mais cuidado, trazendo a estratégia para dentro da empresa. Não faz sentido terceirizar a principal ferramenta de vendas em um momento como este. Se é caro investir no Google, por exemplo, existem formas mais baratas de fazer via redes sociais. Independentemente de qual cidade o hotel está, o gestor tem que entender o comportamento de compra do seu cliente, do público que ele quer atingir. O público, muitas vezes, está mais próximo do que o hoteleiro acha”, pontuou Guimarães.

“Vamos ter uma retomada mais lenta e, se copiarmos a China, será uma retomada pautada no turismo interno e com destinos secundários. Pelo perfil do Brasil pode ser uma boa oportunidade. Quando falamos nos custos de distribuição é importante saber qual a contribuição que cada segmento de cliente deixa no hotel. O mais importante de tudo é diversificar os canais de venda”, completou Bruno Heleno, diretor de Produtos da CVC Corp, também durante o painel “Estratégia comercial: Como adequar o custo de venda em um cenário de baixa demanda e alto custo”.