Crédito: REUTERS/Hannah McKay

Desde o início da pandemia do novo coronavírus (Covid-19), inúmeros serviços ligados ao turismo foram cancelados ou remarcados por clientes e prestadores.

Segundo estimativas da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), as atividades turísticas acumularam perdas de R$ 11,96 bilhões em volume de receitas somente na segunda quinzena de março. O valor indica uma queda de 84% no faturamento em relação ao mesmo período de 2019.

A estimativa contraria a expectativa para o setor em 2020, que previa um movimento maior devido aos feriados prolongados. Só os três meses do segundo bimestre (abril, maio e junho) contabilizam, juntos, quatro feriados nacionais, além dos feriados municipais.

Porém, com o avanço da pandemia do Covid-19, milhares de consumidores precisaram cancelar ou remarcar seus compromissos, provocando uma queda acentuada nos negócios turísticos em todo o país.

O economista-chefe da Fecomércio MG, Guilherme Almeida, acredita que as atividades turísticas devem ser uma das mais afetadas pela pandemia, pois demandam mais tempo para se recuperarem.

“Desde o mês de março, diversas medidas necessárias, como isolamento social e fechamento de fronteiras, foram adotadas para evitar a propagação do coronavírus. Com isso, o fluxo de turistas diminuiu consideravelmente, forçando a suspensão de atividades em hotéis, o cancelamento de pacotes turísticos e de serviços ligados ao setor”, explica.

Ainda segundo a estimativa da CNC, somado ao prejuízo de R$ 2,2 bilhões registrados na primeira metade de março, o setor já perdeu mais de R$ 14 bilhões desde o início da pandemia no Brasil. Com os danos já sofridos até o momento, os segmentos relacionados ao turismo poderão encerrar até 295 mil empregos formais em apenas três meses.

Em Minas Gerais, o setor movimentou cerca de R$ 20,5 bilhões na economia em 2019, segundo estudo do Observatório do Turismo de Minas Gerais (OTMG). Esse valor representa 3% do Produto Interno Bruto (PIB) mineiro. De acordo com estimativa da Fundação João Pinheiro (FJP), o PIB do Estado deverá alcançar R$ 632 bilhões em 2019. “O turismo é um setor estratégico para economia de todo o País. Por meio da atividade turística, milhares de empregos são gerados e garantem renda, principalmente, aos pequenos negócios, que estão presentes em centenas de cidades mineiras”, ressalta o economista-chefe.

O especialista explica ainda que um dos grandes desafios do setor será conseguir satisfazer as demandas do mercado, uma vez que, ao final do período de calamidade pública, muitos consumidores terão receio de viajar, por conta da aglomeração de pessoas ou até mesmo pelas perdas financeiras.

“Por outro lado, haverá uma parcela de turistas que estarão à procura por viagens e serviços turísticos, devido justamente ao período de isolamento social e às oportunidades que deverão surgir para compensar as perdas do início do ano”, projeta.

Reabertura do comércio – O presidente do Sindicato de Hotéis, Restaurantes, Bares e Similares de BH (Sindhorb), Paulo Cesar Pedrosa, divulgou um vídeo na segunda-feira, dia 13 de abril, onde faz um apelo para que a prefeitura da Capital autorize, pelo menos, 50% do funcionamento nos bares, restaurantes e lanchonetes.

De acordo com Pedrosa, os empresários já contabilizam prejuízos enormes e o setor já conta com 10 mil demissões desde o fechamento imposto pela prefeitura, devido ao isolamento social ocorrido pela pandemia do Covid 19.

A entidade encaminhou uma solicitação ao prefeito Alexandre Kalil pedindo a reabertura e enfatiza que os estabelecimentos irão cumprir com todas as medidas sanitárias para a segurança dos trabalhadores e dos clientes.

“O que queremos é o mesmo tratamento que está ocorrendo com as padarias de Belo Horizonte. As padarias vendem comidas sem nenhuma restrição, então, por que o nosso setor não pode trabalhar? Trabalhar somente com delivery não sustenta a categoria, sem conseguir pagar aluguel e funcionários. O setor está passando por um dos seus piores momentos, já são 10 mil pessoas demitidas só na capital mineira”, revela Pedrosa.

Pedrosa propõe um diálogo entre o setor e o órgão municipal. “Sabemos que o prefeito, por meio de um decreto, poderá permitir que o setor volte a funcionar pela metade. Nós, empresários, não queremos restaurantes lotados, sabemos que não é hora para isso.

Tomaremos a iniciativa de controlar a entrada nos estabelecimentos. Somos 14 mil pontos em Belo Horizonte, são 40 mil empregos diretos, mas estamos sem dinheiro para pagar salários, impostos, água, luz, aluguel, IPTU. Nossa situação é extremamente delicada”.

De acordo com o presidente do Sindhorb, a projeção para Minas Gerais é que haja 100 mil demissões nos setores da hotelaria e gastronomia com essa crise. Só na Capital e região metropolitana a estimativa é ter 20 mil desempregos. Ainda segundo Pedrosa, já são 60 hotéis que suspenderam as suas atividades no mês de abril. “ Não sabemos qual destino do turismo de negócios em 2020, na capital mineira”, finaliza. (Da Redação)