Turismo do futuro será mais personalizado, tecnológico e focado em experiências, dizem profissionais
O turismo brasileiro atravessa um momento de expansão da demanda internacional e de transformação no perfil dos viajantes. Entre janeiro e agosto deste ano, o Brasil recebeu cerca de 6,5 milhões de turistas estrangeiros, enquanto os visitantes internacionais deixaram US$ 7,4 bilhões na economia dos destinos brasileiros, alta de 10,4% em relação aos US$ 6,7 bilhões registrados no mesmo período de 2025. Somente em agosto, foram US$ 932 milhões em receitas provenientes do turismo internacional.
Em meio a esse cenário de crescimento, profissionais de diferentes segmentos da cadeia turística presentes na 53ª Abav Expo, em São Paulo, apontam que o futuro do setor deverá ser marcado menos pela simples oferta de produtos e mais pela capacidade de compreender o viajante, personalizar serviços e proporcionar experiências. A inteligência artificial deverá ganhar espaço, mas em associação com a atuação humana. Ao mesmo tempo, bem-estar, conforto, gastronomia, sustentabilidade e a preservação dos destinos devem conquistar importância nas decisões de consumo.
Para a diretora comercial da Coris, empresa especializada em assistência e seguro viagem, Cláudia Brito, o consumidor tende a ficar, cada vez mais atento à qualidade do serviço contratado e menos concentrado exclusivamente no preço.
“Eu acho que o consumidor está com a tendência de ter melhores experiências. Então, ele quer um serviço melhor, sempre o mais positivo”. Segundo ela, a busca por mais qualidade também deverá aumentar a preocupação dos viajantes com saúde e bem-estar.
Atendimento ganha peso na jornada
Na avaliação de Cláudia, o atendimento será um dos principais diferenciais do mercado de seguro viagem. Para ela, a necessidade de assistência se torna ainda mais evidente quando o turista está fora de seu país e enfrenta uma situação inesperada.
Ela cita como exemplo um brasileiro que esteja em Paris, na França, e precise de atendimento médico sem dominar o idioma local. Nesse caso, segundo a executiva, o valor do serviço está na capacidade de oferecer orientação rápida e direcionar o viajante para uma estrutura adequada.
A expectativa, portanto, é de uma demanda crescente por serviços capazes de reduzir dificuldades durante a viagem.

O avanço da inteligência artificial
A tecnologia também deverá ocupar espaço crescente na cadeia turística, especialmente na elaboração de roteiros, na produtividade das empresas e no atendimento ao consumidor. Mas, para profissionais do setor, a expansão da inteligência artificial não significa necessariamente o desaparecimento da intermediação humana.
O gerente comercial Maurício Anias afirma que a capacidade de personalização continuará sendo um atributo importante dos agentes de viagens. “Eu acredito que o agente de viagem deve investir no atendimento mais construtivo, face a face com o cliente, e agregar valor a esse atendimento. É o que mais vai combater a venda pela internet, por exemplo”.
- Leia também: BH ganha espaço como destino de lazer, e intenção de retorno dos turistas chega a 86,5%
Para ele, a tecnologia pode produzir roteiros e informações rapidamente, mas ainda há uma diferença na capacidade de interpretar as necessidades individuais do viajante. “Ou seja, a gente sabe que basta ele ir lá na IA e criar o roteiro dele na hora. Mas a IA não substitui a capacidade de personalização do agente de viagem”, destaca o executivo que comanda a equipe de vendas da Visual Turismo, operadora de viagens integrante do Grupo CVC Corp, focada no modelo B2B (atendimento a agências de viagens parceiras).
O executivo aponta ainda uma característica que considera difícil de ser reproduzida por meio de uma ferramenta tecnológica: a experiência acumulada pelo profissional.
“Eu acho que o agente de viagem tem a sensibilidade exata do que realmente o cliente deseja. Numa IA, você coloca um prompt, por exemplo, e ele friamente te passa uma informação. E a sensibilidade do agente de viagem, a expertise que ele tem de conhecimento in loco, de realmente ter viajado, de conhecer os destinos, de ter provado sabores pelo mundo, eu acho que isso daí não tem IA que supera, não”, diz.
Hotelaria busca o luxo silencioso
Na hotelaria, a transformação apontada pelos profissionais passa por uma mudança na forma como a experiência é construída. O coordenador de comunicação da rede de hotéis Bourbon Hospitalidade, João de Souza, destaca uma tendência que define como “quiet”, associada a uma experiência mais discreta e concentrada nos detalhes.
Segundo ele, a proposta não significa retirar elementos de lazer ou entretenimento, mas oferecer ao hóspede a possibilidade de usufruir desses serviços sem sentir que seu espaço está sendo invadido.
A estratégia também passa pela gastronomia. Segundo o gestor, a rede, que conta com 20 hotéis no Brasil, sendo um deles em Belo Horizonte, além de unidades no Paraguai e na Argentina, vem ampliando a presença de restaurantes autorais nos estabelecimentos, com conceitos como culinária japonesa, italiana e francesa.
“Porque a gente entendeu que quando a pessoa vai num hotel, a experiência dela é gastronômica, de lazer, mas também é de descanso”, diz.
A lógica, segundo Souza, é integrar diferentes componentes da hospedagem para construir uma experiência única. Para o executivo, o chamado “luxo silencioso” deve se espalhar pela hotelaria à medida que os consumidores buscam mais conforto e menos excesso.

Turismo de experiências ganha espaço
O vice-presidente de Produtos e Novos Negócios da BeFly, Sylvio Ferraz, por sua vez, acredita que as transformações futuras do setor também passam pela mudança naquilo que o viajante espera levar de um destino visitado. Mais do que simplesmente cumprir um roteiro turístico, os consumidores, segundo ele, buscam significado, convivência e memórias.
“Eu acho que o futuro do turismo será centrado nas experiências. Teremos sim, a IA trazendo produtividade para o agente de viagem, curadoria com tecnologia e um setor muito preocupado em como é possível construir experiências singulares em um cenário no qual as pessoas cada vez mais estão gostando de viajar”.
A mudança, segundo Ferraz, também envolve a valorização do tempo compartilhado e das relações construídas durante as viagens. “Um idoso, por exemplo, quer muito mais companhia e interatividade do que qualquer coisa. Se ele puder fazer isso conhecendo o mundo, melhor”.

Sustentabilidade entra no planejamento
Além da tecnologia e da personalização, a sustentabilidade aparece como outro componente da transformação do turismo. Para Ferraz, o crescimento da atividade precisa estar acompanhado de uma preocupação com os impactos provocados nos destinos.
“Acho que a gente vai continuar a assistir isso cada vez mais daqui pra frente, com responsabilidade, com sustentabilidade, se preocupando em não fazer dano no destino, mas em regenerá-los se possível”, diz.
A preocupação, segundo o vice-presidente da BeFly, amplia o conceito de experiência turística. O destino deixa de ser apenas o local onde o consumidor busca entretenimento e passa a integrar uma cadeia que envolve comunidades, meio ambiente e conservação.
*O repórter viajou para São Paulo a convite da Abav
Publicidade Legal
Impresso
Ver outras datasDigital
- EDITAL DE NOTIFICAÇÃO EXTRAJUDICIAL - PRAZO: 30 (TRINTA) DIAS TOBIAS LUCAS DA SILVA
- ATA DA AGE EM 11/09/26 BRASIL PCH S.A.
- ATA DE ASSEMBLEIA GERAL EXTRAORDINÁRIA REALIZADA EM 26 DE AGOSTO DE 2026 EPR SUL DE MINAS S.A
- ATA DE ASSEMBLEIA GERAL EXTRAORDINÁRIA REALIZADA EM 26 DE AGOSTO DE 2026 EPR TRIANGULO S.A.
- ATA DE REUNIÃO DO CONSELHO DE ADMINISTRAÇÃO REALIZADA EM 11 DE SETEMBRO DE 2026 EPR TRIANGULO S.A.
- ATA DE ASSEMBLEIA GERAL EXTRAORDINIÁRIA REALIZADA EM 26 DE AGOSTO DE 2026 EPR VIAS DO CAFE S.A
- ATA DA AGE EM 11/09/26 JATAI ENERGETICA S/A
- ATA DA AGE EM 11/09/26 PCHPAR - PCH PARTICIPACOES S.A.
- ATA DA AGE EM 11/09/26 SANTA FE ENERGETICA S/A
- ATA DE ASSEMBLEIA GERAL EXTRAORDINÁRIA REALIZADA EM 20 DE AGOSTO DE 2026 UCB INDUSTRIA DE COMPONENTES ELETRONICOS E INFORMATICA S.A.
Ouça a rádio de Minas