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Assembleia Legislativa debate encerramento do BDMG Cultural

Segundo deputados, os representantes do Estado e da Fundação de Arte de Ouro Preto não responderam os questionamentos de forma satisfatória
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Assembleia Legislativa debate encerramento do BDMG Cultural
Crédito Henrique Chendes | ALMG

Passadas quase três semanas após a decisão do Conselho de Administração do Banco de Desenvolvimento de Minas Gerais (BDMG) de encerrar as atividades de seu braço cultural, o BDMG Cultural, servidores, produtores, artistas e agentes do setor ainda buscam respostas sobre as motivações do governo estadual em dissolver a instituição e transferir suas ações para a Fundação de Arte de Ouro Preto (Faop).

Em audiência pública realizada nesta quinta-feira (9) pela Comissão de Cultura da Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG), representantes do Estado e da fundação não responderam os questionamentos feitos durante a reunião.

Conforme informações do legislativo mineiro, a secretária-adjunta de Estado de Cultura e Turismo, Josiane Míriam de Souza, se limitou a assegurar que todos os projetos e ações do BDMG serão mantidos, este ano, com recursos do próprio banco de fomento. Já em relação à expansão das ações, ela falou em “fazer um exercício para ver como será”. Segundo secretária-adjunta, um dos objetivos da transferência seria dar mais capilaridade ao atendimento cultural atualmente realizado pela instituição.

O presidente da Faop, Jefferson da Fonseca Coutinho, admitiu que ainda não conseguiu ouvir todos os servidores e nem ter acesso a todas as informações sobre o BDMG Cultura. Ele não explicou à deputada Lohanna (PV) o conteúdo do cronograma da dissolução, que deveria ser apresentado nesta sexta-feira (10).

Lohanna sugeriu estratégias para fazer frente a ameaça de encerramento da instituição. A primeira delas seria impetrar um mandado de segurança, por meio de entidades que representam os funcionários, já que está caracterizado uma violação imediata de direito visando suspender o encerramento até que o BDMG, e por tabela o Executivo, apresente as análises em que se basearam a decisão de dissolução.

A outra seria denunciar o caso e pedir providências ao Ministério Público e ao Tribunal de Contas do Estado de Minas Gerais (TCE-MG). Também foram aprovados requerimentos para que BDMG e Executivo se expliquem melhor sobre o episódio, entre outras providências.

O deputado Doutor Jean Freire (PT), também contrário ao fechamento da instituição, sugeriu mobilização e pressão da classe cultural para evitar a medida. “Precisamos de vocês além do ambiente de trabalho. Temos que ocupar odos os espaços, em peça, show. A população precisa entender a importância da cultura”, disse.

O fechamento do BDMG Cultural

A decisão do fechamento do BDMG Cultural foi anunciada no último dia 3, mas já vem sendo noticiada pelo DIÁRIO DO COMÉRCIO desde o fim do mês passado. Segundo a deputada Lohanna, tudo ocorreu sem a consulta e anuência da Associação dos Servidores do instituto.

Conforme explicou a representante do Conselho Estadual de Política Cultural (Consec), Marcela de Queiroz Bertelli, a instituição é uma associação que tem como sócios e fundadores o Banco de Desenvolvimento de Minas Gerais (BDMG) e a Associação dos Funcionários do Banco de Desenvolvimento de Minas Gerais (AFBDMG), que, em sua opinião, deveriam ter votos com o mesmo peso na decisão.

Já Coutinho frisou que o fechamento foi decidido pelo conselho do banco. Ele reafirmou a manutenção dos programas atuais e disse que o cronograma será realizado “com muita calma, responsabilidade e respeito”.

Conforme publicado, a orientação da instituição financeira, no momento, é que não sejam fechados novos contratos na área até que surjam novas orientações sobre a gestão dos recursos. O BDMG Cultural estava com presidência interina.

A escolha do Conselho de Administração do BDMG por Coutinho se deu pelo fato dos conselheiros entenderem que o Instituto tem as mesmas competências executadas pela Secretaria de Estado de Cultura (Secult) e, portanto, optou por ampliar o suporte do Banco à cultura no Estado por meio da Faop.

O DIÁRIO DO COMÉRCIO também apurou com uma fonte da instituição que o governador Romeu Zema (Novo) estaria insatisfeito com algumas posições dos funcionários ligados ao braço cultural da instituição financeira.

Sobre o autor

Mara Bianchetti

Editora do Diário do Comércio. Graduada em Jornalismo pela Newton Paiva, com especialização em Jornalismo em Ambientes Digitais pelo UniBH. Premiada entre os jornalistas mais admirados da imprensa de Economia, Negócios e Finanças. LinkedIn: https://www.linkedin.com/in/marabianchetti/

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