Jornalistas entram na Justiça para resgatar entidade histórica em Minas
Jornalistas, publicitários e outros profissionais de comunicação mineiros, tendo à frente o ex-presidente do Sindicato dos Jornalistas de Minas Gerais e da Federação Nacional de Jornalistas (Fenaj), Washington Mello, protocolaram, por meio do advogado José Anchieta da Silva, na Justiça do Estado, o processo judicial que visa resgatar uma das mais importantes instituições de comunicação, artes e cultura do Estado: a Associação Mineira de Imprensa (AMI). Visando fortalecer o movimento com amplo apoio da sociedade, a iniciativa de resgate da AMI já conta com a adesão – em manifesto público – de mais de mil assinaturas de profissionais do setor e de diversas outras áreas, sensibilizados com a situação de abandono em que se encontra a entidade.
O manifesto será lançado oficialmente, na próxima segunda-feira (30), às 11 horas, no pátio da Academia Mineira de Letras (rua da Bahia, 1466 – Centro- BH) ao lado do prédio da AMI, com a presença de representantes do movimento e de instituições do setor de comunicação no Estado.
Fundada em Juiz de Fora em 1921 e transferida para Belo Horizonte em 1951, por iniciativa do então presidente do Sindicato dos Jornalistas de Minas Gerais , professor José Mendonça, a AMI é uma instituição privada que, durante muitas décadas, exerceu papel importante na representação de profissionais e empresas do setor de comunicação. Complementarmente às atividades específicas do Sindicato dos Jornalistas, a AMI tinha presença marcante na capital mineira, era renomada e conhecida nos diversos setores em que atuava e frequentada por intelectuais e artistas.
Desde 2015, a sede está abandonada, trancada a cadeado, com acúmulo de dívidas e “nas mãos de pessoas que não representam os profissionais de comunicação de Minas”. Segundo a Justiça, diretores têm endereços incertos e desconhecidos. Profissionais da imprensa e de outras áreas de comunicação foram proibidos de participar de reuniões, com entrada vetada até mesmo aos ex-associados, expulsos da instituição, acusados de inadimplentes.
Há anos, profissionais vêm se mobilizando para conseguir, na Justiça, o direito de filiação à AMI e para propor mudanças para que a entidade volte a ter uma gestão democrática e transparente, com representatividade e com o objetivo de cumprir seus princípios estatutários. Até hoje, a situação não foi revertida, após diversas tentativas de salvá-la.
Entenda o caso
As últimas diretorias da AMI – a anterior, presidida pelo radialista Wilson Miranda, eleito em 2008 e falecido em 2021, e a atual, liderada por José Honorato de Oliveira Júnior desde a morte de seu antecessor – promoveram mudanças estatutárias, como a ampliação de mandatos e “cassação” de associados denominados “inadimplentes”. Tudo isso em assembleias gerais com apenas seis associados. Tais medidas impediram o acesso de jornalistas e profissionais de outras áreas da comunicação não somente às decisões da AMI, como também à sua sede.
As diretorias vêm se reelegendo em mandatos consecutivos, por meio de assembleias com participação de pessoas desconhecidas no meio jornalístico. No entanto, os participantes não deixam de ter o cuidado de registrar tudo em ata para contestar eventuais denúncias de irregularidade. A última eleição ocorreu em setembro de 2024, para um mandato válido até setembro de 2028.
Hoje, o que resta da AMI é uma única “atividade” visível – um restaurante self-service – instalado no térreo do prédio. Não há prestação de contas sobre aluguel, por exemplo, e a proprietária do restaurante se recusa a prestar informações sobre o contrato de funcionamento do local e a fornecer endereços e telefones de componentes da diretoria.
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