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Pampulha celebra 10 anos como Patrimônio Mundial e projeta nova fase

Uma década após o reconhecimento da Unesco, conjunto modernista entra em nova fase com restauração do Museu de Arte da Pampulha, retomada da navegação, fortalecimento do turismo e novos desafios para preservar um dos principais cartões-postais de Belo Horizonte
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Pampulha celebra 10 anos como Patrimônio Mundial e projeta nova fase
Um espetáculo de cores e arquitetura na Lagoa da Pampulha, Belo Horizonte. | Foto: Reprodução/ Adobe Stock

Há dez anos, um dos principais símbolos de Belo Horizonte conquistava reconhecimento mundial. Em 17 de julho de 2016, o Conjunto Moderno da Pampulha foi inscrito na Lista do Patrimônio Mundial da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco), colocando a capital mineira entre as referências do patrimônio moderno internacional.

Agora, ao completar uma década da conquista, a Pampulha entra em uma nova fase. A Prefeitura de Belo Horizonte (PBH) prepara ações voltadas aos próximos anos de preservação e valorização do conjunto, entre elas a continuidade da retomada da navegação da Lagoa, a restauração do Museu de Arte da Pampulha (MAP), a ativação de esportes nas praças e estudos para ampliar os serviços turísticos por meio do projeto Viva Pampulha.

Uma década depois do reconhecimento internacional, o conjunto segue reunindo arquitetura, arte e natureza e permanece integrado ao cotidiano de moradores e visitantes, ao mesmo tempo em que se prepara para enfrentar novos desafios relacionados à mobilidade, ao turismo e à conservação do patrimônio.

Concebida na década de 1940, durante a gestão de Juscelino Kubitschek como prefeito da Capital, a Pampulha reuniu alguns dos principais nomes da arte e da arquitetura brasileira. O conjunto é formado pelo espelho d’água da Lagoa e por quatro edificações projetadas por Oscar Niemeyer: a Igreja São Francisco de Assis, o antigo Cassino, atual Museu de Arte da Pampulha (MAP), a Casa do Baile e o antigo Iate Golfe Clube, hoje Iate Tênis Clube.

Os jardins de Roberto Burle Marx, os painéis de Cândido Portinari e as esculturas de Alfredo Ceschiatti completam a composição. A integração entre esses elementos levou a Unesco a reconhecer o Valor Universal Excepcional da Pampulha.

Para a vice-presidente da Associação Pró-Pampulha, Mari Fernandes, o título contribuiu para ampliar a projeção de Belo Horizonte. “Quando se fala de Brasil, fala-se Rio e São Paulo. Então, o título de patrimônio veio trazer muita visibilidade para a Capital”, afirma.

Moradora da região há 56 anos, ela também chama atenção para elementos que, muitas vezes, ficam em segundo plano diante das obras de Niemeyer. “Os jardins de Burle Marx são uma obra-prima”, destaca.

Dez anos de preservação e acompanhamento

A entrada na Lista do Patrimônio Mundial trouxe compromissos relacionados à conservação e ao monitoramento do conjunto. Desde 2016, equipamentos e espaços da região passaram por intervenções, entre eles a Igreja São Francisco de Assis, seus jardins, a Praça de Iemanjá e a Praça Dalva Simão.

Também foi implantado o Viveiro Burle Marx, no Jardim Botânico de Belo Horizonte, dedicado ao cultivo de espécies presentes nos projetos paisagísticos do conjunto. Atualmente, a restauração do Museu de Arte da Pampulha está entre as principais intervenções em andamento.

Em 2024, o Comitê do Patrimônio Mundial retirou o Conjunto Moderno da Pampulha do monitoramento ativo da Unesco. A partir disso, o conjunto passou ao acompanhamento periódico, com relatórios previstos nos ciclos de avaliação realizados a cada seis anos.

Segundo a Prefeitura de Belo Horizonte, a mudança reconhece o trabalho desenvolvido no cumprimento dos compromissos internacionais relacionados à preservação do conjunto. A administração municipal afirma que a relação estabelecida com a Unesco e seus órgãos consultivos, como o Conselho Internacional de Monumentos e Sítios (Icomos), é baseada na cooperação permanente.

Entre os projetos que seguem em andamento estão a restauração do edifício-sede do MAP, a requalificação do anexo do Iate Tênis Clube e a manutenção da Lagoa da Pampulha.

A conservação do patrimônio também é destacada por Mari Fernandes. “O patrimônio é muito bem cuidado”, resume.

Uma Pampulha vivida para além das obras

A importância da Pampulha vai além do patrimônio arquitetônico. O território funciona, ao mesmo tempo, como destino turístico, espaço de lazer e parte da rotina de milhares de belo-horizontinos.

Em 2025, um monitoramento realizado durante nove meses registrou a circulação de mais de 2 milhões de pessoas pela Orla da Lagoa. Em determinados períodos, o entorno da Igreja São Francisco de Assis recebeu mais de 200 mil visitantes por mês.

“A Pampulha é o principal local turístico de Belo Horizonte. É o local onde as pessoas caminham, andam de bicicleta, frequentam o parque”, afirma Mari Fernandes.

Na avaliação da PBH, um dos principais legados da chancela da Unesco foi justamente fortalecer a relação dos moradores com a Pampulha.

Segundo a administração municipal, o reconhecimento internacional ampliou o sentimento de pertencimento e valorização da paisagem cultural, elemento considerado essencial para a preservação do patrimônio.

Navegação recupera a memória da Lagoa

A retomada da navegação está entre as experiências mais recentes oferecidas aos visitantes. O barco Capivarã permite observar o conjunto a partir do espelho d’água e recupera parte da relação histórica da população com a Lagoa.

Segundo a Prefeitura, durante décadas a Lagoa foi utilizada para treinamentos de atletas olímpicos do remo, atividades de velejadores e competições nacionais e internacionais de esportes aquáticos.

Moradora da região há mais de cinco décadas, Mari Fernandes lembra dos passeios de lancha e pedalinho que marcaram diferentes gerações. “É maravilhoso estar dentro do espelho d’água e olhar para o entorno. É lindo”, conta.

Hoje, o Capivarã opera em caráter experimental e enfrenta limitações devido ao assoreamento. Embora a qualidade da água permita a navegação, ainda não é possível o contato direto com a Lagoa.

Mesmo assim, a iniciativa amplia as formas de conhecer o conjunto e resgata parte da memória afetiva ligada ao espelho d’água.

A próxima década da Pampulha já começou

A celebração dos dez anos da chancela da Unesco também abre espaço para discutir o futuro do patrimônio.

Para moradores e especialistas, um dos principais desafios continua sendo a mobilidade entre os equipamentos culturais.

As distâncias ao redor da Lagoa dificultam a visita de quem deseja conhecer diferentes pontos sem utilizar veículo próprio. A criação de uma alternativa de transporte que percorra a Orla é uma das demandas defendidas pela Associação Pró-Pampulha.

“Se você chegar aqui para dar um passeio no patrimônio, vai andar quilômetros a pé”, observa vice-presidente da Associação Pró-Pampulha.

A estrutura de apoio aos visitantes, a continuidade da despoluição da Lagoa e o enfrentamento do assoreamento também permanecem entre os principais desafios para os próximos anos.

Dentro desse cenário, a Pampulha integra atualmente o projeto Viva Pampulha, considerado uma das prioridades da Prefeitura. Entre as ações previstas estão a continuidade da retomada da navegação, a ativação de esportes nas praças, a restauração do Museu de Arte da Pampulha e estudos para ampliar a oferta de serviços turísticos por meio de parcerias.

Preservar um Patrimônio Mundial exige um trabalho permanente. Dez anos após receber o reconhecimento da Unesco, a Pampulha chega a essa marca com maior visibilidade internacional, novos usos para seus espaços e uma agenda voltada à valorização do conjunto nas próximas décadas.

Programação celebra os dez anos do título

Para marcar uma década da inscrição na Lista do Patrimônio Mundial, Belo Horizonte recebe uma programação cultural e educativa ao longo dos meses de junho, julho e agosto.

Entre as atrações está a exposição “Vivências na Pampulha”, no Museu Casa Kubitschek, com memórias de moradores, trabalhadores e frequentadores da região. A mostra pode ser visitada de quarta-feira a domingo, das 10h às 18h.

No dia 17 de julho, data do aniversário da chancela, a Casa do Baile recebe o relançamento da edição ampliada do livro “Conjunto Moderno da Pampulha: Paisagem Cultural Mundial”.

Também no dia 17 ocorre uma edição especial do projeto Expedições do Patrimônio, dedicada às três chancelas da Unesco existentes em Belo Horizonte.

A Casa do Baile promove ainda edições especiais do projeto Casa 360º nos dias 17 e 31 de julho, das 17h às 18h, com visitas mediadas e apresentações musicais ao pôr do sol.

No dia 6 de agosto, a Casa do Baile sediará um seminário sobre a restauração do Museu de Arte da Pampulha.

Já em 15 de agosto, o Largo de Iemanjá recebe a tradicional Festa de Iemanjá, reconhecida como Patrimônio Cultural de Belo Horizonte.

Entre as comemorações e os debates sobre o futuro, o Conjunto Moderno da Pampulha celebra dez anos de reconhecimento internacional reafirmando seu papel como um dos principais símbolos de Belo Horizonte e uma das mais importantes paisagens culturais do Brasil.

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