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Rota do Rosário pode fortalecer turismo religioso e tradições afro-mineiras

Projeto prevê a criação de percurso turístico que reúne festejos ligados aos reinados, congados e irmandades do Rosário em Minas Gerais
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Rota do Rosário pode fortalecer turismo religioso e tradições afro-mineiras
Crédito: Iepha/Divulgação

A Assembleia Legislativa de Minas Gerais aprovou, em segundo turno, o Projeto de Lei 2.991/24, que estabelece diretrizes para a implementação da Rota do Rosário no Estado. A proposta, de autoria da deputada estadual Andréia de Jesus (PT), segue agora para sanção do governador.

O texto aprovado não cria diretamente a rota turística, atribuição da Secretaria de Estado de Cultura e Turismo, mas define os princípios que deverão orientar sua implantação. A proposta contempla percursos de devoção ligados aos festejos de Nossa Senhora do Rosário e aos santos cultuados nos reinados, congados e congadas, manifestações religiosas afro-brasileiras com mais de 300 anos de história reconhecidas como patrimônio cultural imaterial de Minas Gerais.

Segundo a deputada, a construção do projeto envolveu diálogo com representantes das irmandades, congadeiros, órgãos de preservação do patrimônio, gestores públicos e entidades da sociedade civil. Ela afirmou que a proposta foi elaborada ao longo de cerca de um ano de debates e consultas públicas para atender demandas relacionadas à valorização cultural e ao turismo religioso.

“Aprovamos a Rota do Rosário em segundo turno. Agora só aguardamos a sanção do governador. Durante quase um ano conversamos com a Secretaria de Estado de Cultura e Turismo, com os congadeiros de Minas Gerais, irmandades, reinados e diversos órgãos para construir um projeto amplo, escrito a várias mãos”, afirma a deputada estadual Andréia de Jesus.

Procurada pela reportagem, a Secult ainda não se manifestou.

Diretrizes para preservação cultural

Na justificativa da proposta, a autora destaca que a Festa do Rosário tem potencial para fortalecer o turismo religioso e contribuir para a preservação das tradições dos povos negros de Minas Gerais. As celebrações estão presentes em diversas regiões do Estado, incluindo o Triângulo Mineiro e o Vale do Jequitinhonha.

A parlamentar defendeu que a futura rota possa ampliar a visibilidade das festas tradicionais do Congado e dos Reinados, além de favorecer a sinalização turística e a formação de agentes ligados ao setor.

“A Rota do Rosário nasce com esse objetivo de dar visibilidade às festas tradicionais do Congado, do Reinado e das Irmandades, fomentar a formação de agentes de turismo e reconhecer igrejas construídas pelos pretos quando eram proibidos de entrar na Igreja Católica”, declara.

Entre as diretrizes previstas no projeto estão a garantia da liberdade religiosa dos grupos envolvidos, a preservação dos locais sagrados e dos rituais, além do respeito aos modos de vida, usos, costumes e tradições das comunidades detentoras dessas manifestações culturais.

Comunidades tradicionais veem oportunidade de reconhecimento

Para representantes das comunidades tradicionais, a aprovação do projeto representa um avanço no reconhecimento da contribuição histórica e cultural das manifestações afro-mineiras.

A coordenadora de projetos da Comunidade Quilombola dos Arturos, Gracielly Naiara Veloso, afirma que a proposta pode ampliar a visibilidade das guardas de congado, irmandades e demais expressões culturais e religiosas presentes em diferentes municípios mineiros.

“Nós recebemos com muita alegria a aprovação do projeto de lei que estabelece as diretrizes para implementação da Rota do Rosário em nosso Estado. Essa proposta nasceu com o objetivo de valorizar e dar visibilidade às manifestações culturais tradicionais das irmandades dos Congados, das guardas e das demais expressões culturais e religiosas afro-mineiras”, observa.

Segundo ela, a iniciativa representa uma oportunidade de fortalecer a preservação do patrimônio cultural afro-mineiro e ampliar o reconhecimento das comunidades responsáveis por manter essas tradições.

“Essa rota representa esse caminho turístico, esse caminho cultural e esse instrumento de valorização da nossa ancestralidade. A gente vê nessa aprovação uma oportunidade de fortalecer a preservação do nosso patrimônio cultural afro-mineiro e ampliar a visibilidade das comunidades que mantêm viva essa tradição nos territórios”, comenta.

Expectativa por investimentos

Além do reconhecimento cultural, as comunidades tradicionais esperam que a futura implementação da rota contribua para ampliar investimentos destinados à preservação dessas manifestações.

“A gente espera que essa iniciativa possa contribuir para gerar mais reconhecimento e mais oportunidades, mas sobretudo que possa atuar também com investimento para os territórios que salvaguardam essa herança cultural tão importante para Minas Gerais e para o mundo”, acrescenta Gracielly Naiara Veloso.

Com a aprovação em segundo turno na Assembleia Legislativa, o projeto aguarda agora análise e eventual sanção do governo estadual.

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