Vapor Benjamim Guimarães recebe certificado da Marinha e se aproxima de voltar a operar
Após 12 anos desativado, o Vapor Benjamim Guimarães deu mais um passo no processo de volta em circulação no rio São Francisco, em Pirapora, na região Norte de Minas Gerais. No último sábado (28), a Marinha do Brasil aprovou as condições estruturais do barco. Apesar disso, ainda não há previsão do funcionamento da embarcação.
De acordo com a Empresa Municipal de Turismo de Pirapora (Emutur), a Marinha brasileira emitiu, na data citada, o Certificado de Tripulação de Segurança (CTS), documento que reconhece as condições estruturais, de navegabilidade e operacionais da embarcação.
O relatório também atesta a capacidade máxima de 104 pessoas nos passeios do Benjamim Guimarães pelo rio, sendo 14 tripulantes e 90 passageiros. Essa é uma das últimas etapas necessárias para o retorno das operações da embarcação, construída em 1913 e desativada em 2014.
O documento foi entregue durante uma solenidade cívico-militar e cultural, em comemoração aos 100 anos da Força Armada marítima no Estado. O vice-almirante Iunis Said destaca a relevância desta ação tanto para a Marinha quanto para a preservação do patrimônio histórico e cultural.
“Ao certificar o Vapor, a Marinha não apenas cumpre sua missão de garantir a segurança da navegação, mas reafirma seu compromisso com a preservação da memória, com a valorização do patrimônio e identidade cultural”, diz.
Próximas etapas do processo

O retorno efetivo das navegações do Vapor às margens do rio, no entanto, ainda não pode ser feito. Antes, a embarcação precisa receber a liberação do volume de água mínimo necessário para navegação no local. A Emutur esclarece que essa fase é de responsabilidade da usina hidrelétrica de Três Marias, na região Central do Estado, gerenciada pela Companhia Energética de Minas Gerais (Cemig). A estatal deverá realizar, em duas datas mensais, a liberação de água necessária para que o rio São Francisco tenha um volume ideal para as operações.
Vale lembrar que a Cemig chegou a anunciar, na última semana, que o reservatório da usina atingiu 100% do volume útil. Porém, a companhia pontua que não há previsão de abertura de comportas nos próximos dias, devido ao planejamento da operação de reenchimento, que permite absorver volumes excedentes de água de forma mais segura.
Além desta etapa, soma-se no processo a necessidade de conclusão do balizamento para sinalização nas margens do rio, por parte do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit). Essas intervenções têm como objetivo oferecer as condições necessárias para que o piloto do Vapor Benjamim Guimarães realize manobras no rio.
A Emutur informou que os pedidos para a Cemig e para o Dnit já foram enviados e estão em fase de conclusão. A empresa ainda ressalta que a tripulação atual já foi capacitada e atualizada pela Marinha, além de apresentar a experiência necessária para operar a embarcação no trecho entre Pirapora e a confluência com o rio das Velhas, no distrito de Barra do Guaicuí, em Várzea da Palma, também na região Norte.
Além disso, a Emutur pontua que planeja realizar futuramente um processo seletivo ou um concurso público para contratar novos profissionais.
Vapor Benjamim Guimarães chegou a Minas em 1920

O Vapor Benjamim Guimarães foi construído em 1913, nos Estados Unidos, e chegou ao Brasil para servir à Amazon River Plate Company, no rio Amazonas. Na década de 1920, ele foi levado ao rio São Francisco para transporte de passageiros e cargas entre Pirapora e Juazeiro (BA). A partir de 1980, ele passou a realizar passeios turísticos.
A embarcação foi tombada como patrimônio histórico em 1985 e desativada em 2014. O processo de restauração começou em 2020, mas acabou sendo paralisado. Os trabalhos foram retomados em 2024, pela Eletrobras.
Em junho do ano passado, foi celebrada a reinauguração do Vapor centenário, durante as festividades do aniversário da cidade de Pirapora. Ele é a única embarcação a vapor em operação no mundo e um dos principais atrativos turísticos do Norte de Minas.
De acordo com estimativas da Emutur, a retomada dos passeios deve acrescentar mais de R$ 10 milhões à economia da região. Isso porque ela impactará na volta do fluxo turístico, das excursões e das reservas de hotéis.
Entre os setores mais beneficiados com a volta das operações estão o comércio, turismo, artesanato e a gastronomia local – também conhecida como “comida barranqueira”. As cidades de Montes Claros, também no Norte do Estado, e Belo Horizonte, deverão ser os principais municípios de origem da maioria dos turistas.
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