Livre comércio agrada, mas levanta cautela entre entidades

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Livre comércio agrada, mas levanta cautela entre entidades
Crédito: Alan Santos/PR

A criação de uma área de livre comércio entre Brasil e China, como propôs o ministro da Economia, Paulo Guedes, em conversa com ministros e empresários durante o encontro de líderes do Brics, em Brasília, nesta semana, agrada, mas ainda é vista com cautela por representantes de diferentes setores produtivos de Minas Gerais.

O País exporta para o gigante asiático commodities e produtos básicos, enquanto importa principalmente produtos industrializados.

Na avaliação do diretor de promoção de negócios da Agência de Promoção de Investimento e Comércio Exterior de Minas Gerais (Indi), Ronaldo Alexandre Barquette, existe uma tendência mundial de os países se organizarem e firmarem acordos comerciais e o Brasil não pode ficar fora deste movimento.

Para ele, a China, como principal parceiro comercial brasileiro, merece uma atenção, de fato, especial.

No entanto, o diretor do Indi lembrou que ponderações devem ser feitas, como a de que o Brasil precisa agregar maior valor aos seus produtos e, assim, diversificar sua pauta exportadora para aquele país, e a de reduzir o chamado “Custo Brasil”.

“Estes dois pontos são de responsabilidade do Brasil. Agregar valor aos nossos produtos é fundamental para ampliar e diversificar a pauta exportadora, ao mesmo tempo em que a desburocratização está diretamente relacionada à atração de investimentos”, disse.

Segundo ele, Minas tem desenvolvido diversas ações estratégicas neste sentido, visando a agregar valor aos produtos e não somente torná-los atrativos para novos investimentos estrangeiros, mas também consolidá-los para as indústrias já instaladas no Estado.

Além disso, conforme Barquette, embora não tenha revelado mais detalhes sobre as negociações, espera-se que os governos estejam desenhando um acordo bilateral. “Um acordo com qualquer país precisa ter ganhos para as duas partes, senão não faz sentido entrar”.

Preocupação – Já o presidente da Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg), Flávio Roscoe, viu o anúncio com preocupação. Segundo ele, dependendo da extensão, o acordo poderá ser danoso à economia brasileira. A começar pela diferença nas pautas de importação e exportação entre os países.

“É preciso lembrar que exportamos apenas produtos primários e importamos industrializados. Por isso, entendemos que o Brasil precisa retirar o Custo Brasil antes de ser mais agressivo em acordos comerciais”, argumentou.

Conforme o presidente da entidade, da maneira como está se desenhando, o acordo caminha para ser unilateral e prejudica a economia brasileira, inclusive, enfraquecendo futuras negociações com a China ou com outros países.

“Isso nos preocupa porque, na prática, o que a China envia ao Brasil? Para ela, os ganhos são maiores, porque entregamos minério de ferro e alimentos básicos. E o que vem de lá são produtos manufaturados, o que só enfraquece nossa indústria”, afirmou, citando que o país oferece vários subsídios às suas indústrias, pratica dumping em diversos segmentos e possui inúmeras estatais.

Ainda de acordo com o presidente da Federação das Indústrias, para que o acordo se torne viável, o Brasil precisa arrumar a casa e trabalhar seus problemas internos. “Enquanto eles dão subsídios, o Brasil impõe custos aos produtores locais, muitos deles ocultos, que minam a competitividade das nossas indústrias. Fazer abertura comercial diante deste cenário é quase um suicídio futuro do País”, alertou.

Agronegócio – A coordenadora da Assessoria Técnica do Sistema Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de Minas Gerais (Faemg), Aline Veloso, por sua vez, destacou que a criação de uma área de livre comércio entre Brasil e China seria importante não apenas para confirmar a parceria entre os países, mas por ser aquele país o principal destino das exportações tanto nacionais como mineiras.

Ela afirmou que ainda falta estabelecer alguns critérios como logística, tributação, cronograma de implantação e abrangência setorial, mas que a medida vai permitir a entrada de divisas no Brasil. Para o agronegócio, conforme a especialista, os ganhos são inúmeros, dada a participação das commodities agrícolas na pauta de exportação.

“É importante ressaltar que a CNA e a Faemg estão envolvidas nestas ações desde o início das negociações com o mercado chinês. Setores como o de fruticultura e pecuário irão ser beneficiados”, resumiu.

Sobre o autor

Mara Bianchetti

Editora do Diário do Comércio. Graduada em Jornalismo pela Newton Paiva, com especialização em Jornalismo em Ambientes Digitais pelo UniBH. Premiada entre os jornalistas mais admirados da imprensa de Economia, Negócios e Finanças. LinkedIn: https://www.linkedin.com/in/marabianchetti/

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