Aprovação de projeto não define pagamento do 13º

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Aprovação de projeto não define pagamento do 13º
A ALMG aprovou, em 1º turno, projeto dos recebíveis do nióbio - Crédito: Ricardo Barbosa

Apesar de a Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG) ter aprovado por unanimidade, em primeiro turno, o projeto dos recebíveis da exploração do nióbio, o pagamento do 13º salário e o fim do parcelamento dos vencimentos mensais do funcionalismo público ainda não possuem datas garantidas. O governo trabalha com a estimativa de quatro semanas úteis após a aprovação final do Projeto de Lei (PL) 1.205 para liberação dos recursos, mas o governador Romeu Zema (Novo) declarou que não há data limite para concluir a operação.

“Continuo otimista (com o pagamento em dezembro), mas é preciso lembrar que a operação é financeira. Estamos fazendo tudo que está ao nosso alcance para que este recurso seja liberado ainda este ano para que o funcionalismo público volte a receber o benefício dentro do exercício”, declarou em entrevista coletiva, recomendando que os repórteres perguntem aos bancos sobre os detalhes da operação.

A justificativa do governador é que pode haver percalços no processo. “Depende de burocracia e, muitas vezes, envolve instituições internacionais. Meu sonho é que esta operação seja concretizada o quanto antes. Assim que for concluída e o valor estiver disponível, o 13º será pago, porque o Estado esta fazendo esta operação única e exclusivamente para quitar os pagamentos do funcionalismo”, reafirmou.

Já o presidente da ALMG, Agostinho Patrus (PV), enalteceu o trabalho dos deputados ressaltando a contribuição do Legislativo para que os servidores públicos voltem a receber em dia. “Na próxima semana faremos uma discussão mais aprofundada sobre o projeto para que, com uma discussão interna, não haja risco jurídico. Sabemos que é uma operação de volume vultoso e qualquer questionamento sobre legitimidade ou constitucionalidade pode levar tudo por água abaixo”, disse.

Ainda conforme Patrus, a expectativa é de que o texto volte a plenário, para votação em segundo turno, na primeira semana de dezembro, após concluídas as discussões e emendas apresentadas. “Pelas palavras do secretário de Planejamento e Gestão de Minas, Otto Levy Reis, votando no início de dezembro, o governo teria condições de regularizar não só o 13º, mas também o salário dos servidores em seguida”, lembrou.

Antes, porém, a proposta ainda será discutida em audiência pública conjunta das comissões de Minas e Energia e de Administração Pública. Alguns parlamentares apontaram o que chamam de “inconsistências do projeto”, como a falta de dados sobre a quantidade de nióbio extraído no Estado ou mesmo a estimativa clara de quanto seria apurado com a venda dos créditos. O Ministério Público de Contas também questionou alguns pontos da proposta.

O PL foi aprovado com a emenda nº 1, apresentada anteriormente pela Comissão de Fiscalização Financeira e Orçamentária, que determina que o governo deve dar publicidade, na internet, às operações de cessão dos créditos, informando o valor de referência, o preço de venda, a identificação do adquirente e demais informações necessárias à transparência das negociações.

A proposta prevê a antecipação de recebíveis da Companhia de Desenvolvimento Econômico de Minas Gerais (Codemig) pela venda do nióbio até 2032. Vale lembrar que a Codemig é detentora do direito de exploração de uma jazida de nióbio em Araxá, no Triângulo Mineiro.

Para explorar, processar e comercializar o minério, a Codemig constituiu a Companhia Brasileira de Metalurgia e Mineração (CBMM), que repassa à estatal 25% do lucro líquido da operação e é titular de direitos de exploração de outra mina, uma sociedade que tem arrendada seus direitos de lavras. (colaborou Michelle Valverde)

Sobre o autor

Mara Bianchetti

Editora do Diário do Comércio. Graduada em Jornalismo pela Newton Paiva, com especialização em Jornalismo em Ambientes Digitais pelo UniBH. Premiada entre os jornalistas mais admirados da imprensa de Economia, Negócios e Finanças. LinkedIn: https://www.linkedin.com/in/marabianchetti/

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