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Fundação Renova deve desembolsar R$ 4,68 bi em 2020

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Fundação Renova deve desembolsar R$ 4,68 bi em 2020
Crédito: Fred Loureiro/ Secom ES

Até o fim deste exercício, a Fundação Renova estima ter gasto R$ 12 bilhões com ações de reparação na bacia do rio Doce e pagamentos de indenizações e auxílios financeiros aos atingidos pelo rompimento da barragem de Fundão, da Samarco – mineradora controlada pela Vale e BHP Billiton –, ocorrido há quatro anos e meio em Mariana, na região Central do Estado. Somente para 2020 estão previstos investimentos de R$ 4,68 bilhões.

O montante é 72% maior que o aplicado no ano passado, quando foram investidos cerca de R$ 2,7 bilhões. Somente para as indenizações e auxílios financeiros, o volume de recursos previstos cresceu 50% em relação a 2019 e deve chegar a R$ 1,5 bilhão, a serem pagos a cerca de 320 mil pessoas em Minas Gerais e no Espírito Santo.

Ocorrido em novembro de 2015, o colapso da barragem de Fundão causou 19 mortes e deixou uma série de impactos no meio ambiente, como a poluição do rio Doce, configurando entre os maiores desastres ambientais da história do País.

Apesar do montante de recursos já aplicados, o processo de reassentamento das famílias é lento e a expectativa era de que fosse finalizado no fim de 2020, o que não vai ocorrer.

Segundo a previsão da Fundação Renova, ao final deste exercício, as obras estarão 85% concluídas. Para isso, o programa de reassentamentos prevê R$ 889,3 milhões, um volume 138% maior em comparação com 2019, sendo mais da metade desse valor destinado ao reassentamento de Bento Rodrigues (R$ 467,3 milhões). No pico das obras serão gerados em torno de 4 mil empregos.

“Em Bento Rodrigues, as casas estão em construção e a infraestrutura dos distritos, como redes de água, esgoto e energia elétrica, está em fase avançada. As obras da escola municipal e do posto de saúde e de serviços estão na etapa de alvenaria. A pavimentação da estrada que dá acesso ao terreno do reassentamento foi concluída em outubro de 2019, juntamente com a sinalização e iluminação”, disse a fundação.

Já em Paracatu de Baixo, a construção das fundações das primeiras casas foi iniciada e os projetos conceituais de casas e arquitetônicos dos bens de uso coletivo, como escola e posto de saúde, com participação das famílias, estão sendo desenvolvidos.

Além disso, o orçamento também prevê um aumento na aplicação de recursos para as ações socioambientais, que vão receber 114% a mais que em 2019, ou o equivalente a R$ 357,9 milhões. Os projetos incluem saneamento, biodiversidade, manejo de rejeitos e monitoramento da água. Outros R$ 225,2 milhões serão investidos em projetos de Uso Sustentável da Terra (UST).

Para recuperar e reconstruir a infraestrutura impactada, mais de R$ 380 milhões foram desembolsados até dezembro do ano passado. Cerca de 1.500 obras foram concluídas e entregues, como restauro de casas, propriedades rurais e escolas, reconstrução de pontes, poços artesianos, contenções de taludes e encostas. No total, 142,2 quilômetros de acessos foram reformados e 1.200 quilômetros passaram por manutenção.

A Renova destacou ainda que todas as frentes de atuação de reparação têm movimentado a economia dos locais impactados pelo desastre, com geração de 6,2 mil empregos e recolhimento de R$ 128,7 milhões em impostos para as prefeituras.

Em 2020, os programas socioeconômicos vão receber R$ 118 milhões, que serão direcionados para recuperação e diversificação da economia e empreendedorismo, entre outras ações.

Meio ambiente – Sobre o rio Doce, foi destacada que as condições da bacia são hoje semelhantes às de antes do rompimento – na avaliação do maior programa de monitoramento hídrico do País, com a coleta de 3 milhões de dados anuais.

Outra importante etapa na recuperação ambiental é o manejo de rejeitos. Mais de 80 especialistas participaram do processo de definição das melhores soluções com o menor impacto ao meio ambiente e comunidades.

Sobre o autor

Mara Bianchetti

Editora do Diário do Comércio. Graduada em Jornalismo pela Newton Paiva, com especialização em Jornalismo em Ambientes Digitais pelo UniBH. Premiada entre os jornalistas mais admirados da imprensa de Economia, Negócios e Finanças. LinkedIn: https://www.linkedin.com/in/marabianchetti/

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