Agronegócio

Queijaria da Canastra aposta em produção agroecológica e regenerativa

Faz o Bem Queijaria se destaca na Canastra por práticas regenerativas e sustentáveis, com produção de QMA e queijo autoral
Queijaria da Canastra aposta em produção agroecológica e regenerativa
Faz o Bem Queijaria começou a produção em 2021, após adequar toda a estrutura da fazenda | Foto: Arquivo pessoal / Vinícius Ribeiro

A Faz o Bem Queijaria, localizada em Piumhi, na região da Canastra, nasceu com o objetivo de produzir o queijo artesanal com impacto ambiental positivo, bem-estar animal e pensando nos benefícios para as futuras gerações. Na unidade é produzido o queijo artesanal agroecológico, onde todo o processo conta com práticas regenerativas, de sustentabilidade e de recuperação ambiental. Neste sábado, 16 de maio, é comemorado o Dia dos Queijos Artesanais de Minas Gerais. A data destaca a importância do produto, da cultura e dos produtores que seguem evoluindo para uma produção mais sustentável e de qualidade.

O projeto da Faz o Bem Queijaria foi iniciado em 2019. A princípio, contou com a produção orgânica, inclusive, de milho para alimentar as vacas. Após construir toda a estrutura, em setembro de 2021, começou a produção na queijaria. Conforme o produtor e engenheiro agrônomo Vinícius Soares, a propriedade – que chegou a ter a certificação orgânica até meados de 2025 – mantém a maioria das práticas de produção orgânica, como a não utilização de venenos nas pastagens e no milho, e o controle de carrapatos com biológicos e fitoterápicos.

“Trabalhamos com a produção orgânica certificada até meados de 2025, mas seguimos com a maioria das práticas e estamos, cada vez mais, implementando e desenvolvendo as práticas agroecológicas e regenerativas”.

Vinícius Soares
Vinícius Soares tem Selo Arte e pode vender em todo o Brasil | Foto: Arquivo pessoal / Vinícius Ribeiro

Dentre as práticas implementadas, uma das mais importantes é a preservação ambiental, assim cerca de 45% da área do sítio é de mata nativa preservada, em Áreas de Preservação Permanente (APP) e de Reserva Legal (RL). A área é mais do que o dobro do exigido pela legislação para o módulo fiscal da propriedade.

“Outra prática, com foco na regeneração do meio ambiente e ligada ao ambiente produtivo, é a pastagem integrada com sistemas agroflorestais, com linhas de agrofloresta nas bordas dos piquetes para conforto animal, trazendo sombra, alimentos para o gado com as forrageiras e auxiliando na produção de alimentos para consumo humano, como banana, mamão e mandioca”.

O soro gerado na queijaria também é aproveitado, como alimento de suínos da raça Piau. “Era um dejeto da queijaria que poderia causar impacto ambiental e que a gente destina, por gravidade, direto para o chiqueiro dos porcos. Estes porcos são criados praticamente a soro e soltos a pasto para que eles preparem a área para plantio do milho, que é crioulo vermelho”.

Conforme Soares, essas práticas são importantes e resultaram na regeneração ambiental, com o recarregamento do lençol freático, nascentes perenes e o aumento da biodiversidade, incluindo o retorno de animais como tamanduás e lobos-guarás e a maior presença de pássaros e abelhas.

A produção do queijo ecológico já vem sendo reconhecida como diferenciada no mercado. Isso permitiu a agregação de valor. Mesmo com a produção recente, o queijo é comercializado a preços equivalentes aos de renomados produtores da região. Além disso, a queijaria conta com clientes muito fidelizados.

“Ter clientes muito fidelizados é uma vantagem desse modelo de produção, eles fazem escolhas de consumo. Apesar disso, achávamos que esse mercado reconheceria mais o queijo produzido no sistema, porque produzimos muito mais que queijo. Produzimos água, solo, biodiversidade. É um sistema que realmente regenera o ambiente e que precisa ser replicado em mais propriedades”.

Atualmente, a produção na Faz o Bem Queijaria gira em torno de 10 peças de queijo por dia, utilizando aproximadamente 100 litros de leite. Os produtos incluem o Queijo Minas Artesanal (QMA) da Canastra e o queijo Canastra casca florida natural. Além deles, há o queijo autoral Tardezinha – inspirado no queijo brie – e feito com leite da tarde. A produção é comercializada em todo o Brasil, mas a maior demanda vem de São Paulo, atendendo clientes finais e empórios.

Os desafios da produção agroecológica incluem a menor produtividade em comparação com sistemas de produção tradicionais, a necessidade de reconhecimento do consumidor para produtos de maior valor agregado e a falta de estruturação e dados sobre esse mercado. A concorrência desleal com queijos sem inspeção, especialmente na região da Canastra, e a dificuldade em encontrar e reter mão de obra qualificada no campo também são problemas significativos.

“São pontos para os quais precisamos de apoio para enfrentar melhor os desafios. Vivemos com uma competição desleal. A gente que quer produzir um queijo dessa qualidade, nesse patamar, precisa da inspeção. Nosso queijo tem Selo Arte, que permite que o queijo seja comercializado em todo o território nacional. Ao mesmo tempo, saem da região da Canastra, toneladas e toneladas, semanalmente, de queijo irregular, sem inspeção nenhuma. É uma competição desleal, além de denegrir a imagem do nosso produto”, finaliza.

Festival do Queijo Artesanal de Minas terá representantes de 13 regiões produtoras do Estado

Celebrado em 16 de maio, o Dia dos Queijos Artesanais de Minas marca o reconhecimento de uma das mais importantes tradições culturais e econômicas do Estado. É neste contexto que o Festival do Queijo Artesanal de Minas anuncia a realização de sua 8ª edição, entre os dias 4 e 6 de junho de 2026, no Parque de Exposições da Gameleira, em Belo Horizonte.

O evento é uma realização do Sistema Faemg Senar e do Sebrae Minas e ocorre simultaneamente à maior feira de pecuária leiteira da América Latina, a Exposição Brasileira do Agronegócio do Leite (Megaleite).

Mais do que um evento gastronômico, o festival se firma como um ponto de encontro entre as diferentes regiões produtoras de Minas Gerais, reunindo produtores, especialistas e consumidores em torno de um dos principais patrimônios do Estado. Ao longo das últimas edições, o evento tem atraído, em média, cerca de 21 mil visitantes, fortalecendo a conexão entre campo e cidade.

A edição de 2026 reforça esse posicionamento ao destacar a diversidade territorial do queijo artesanal mineiro. Ao todo, 13 regiões produtoras estarão representadas no festival. Entre elas, territórios tradicionais como Canastra, Serro, Cerrado e Campo das Vertentes estarão presentes, ao lado do fortalecimento de regiões emergentes. Um dos destaques deste ano é a entrada do Queijo Artesanal do Vale do Suaçuí e a presença do Vale do Jequitinhonha com estande próprio dedicado ao queijo cabacinha.

Além da experiência gastronômica, o festival evidencia o fortalecimento de uma cadeia produtiva crescente e com impacto econômico relevante. Dados de monitoramento do Sistema Faemg Senar, com base em produtores acompanhados por programas técnicos, indicam que, entre 2019 e 2026, a comercialização de queijo artesanal movimentou aproximadamente R$ 243 milhões.

No mesmo recorte, o preço médio do produto passou de cerca de R$ 16,01 para R$ 25,61 no período, sinalizando um processo gradual de valorização no mercado.

“O festival se consolida como uma vitrine importante para as regiões produtoras, ampliando oportunidades de comercialização e fortalecendo o posicionamento do queijo artesanal mineiro no mercado”, destaca o presidente do Conselho Deliberativo do Sebrae Minas, Marcelo de Souza e Silva.

“O queijo artesanal é uma das expressões mais autênticas da produção rural mineira. O festival cumpre um papel estratégico ao conectar o produtor ao mercado, valorizar as diferentes regiões e estimular a profissionalização de uma cadeia que ainda tem grande potencial de crescimento em Minas Gerais”, afirma o presidente do Sistema Faemg Senar, Antônio de Salvo.

Tradicionalmente, a programação do festival mantém entre seus pilares mais relevantes a qualificação da cadeia produtiva. Por isso, entre diversas outras atividades com esse intuito, no dia 5 de junho, será realizado o Seminário Técnico do Queijo Artesanal, reunindo produtores, técnicos e especialistas.

Outro eixo que ganha força na edição de 2026 é a conexão entre o queijo artesanal e o turismo, com destaque para rotas estruturadas em regiões como Canastra e Serro. A 8ª edição do Festival do Queijo Artesanal de Minas é uma realização do Sistema Faemg Senar e do Sebrae Minas, com correalização do Instituto Antônio Ernesto de Salvo (Inaes), apoio do Governo de Minas e da Associação Mineira de Queijo Artesanal (Amiqueijo). (Sistema Faemg Senar)

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