Agronegócio

El Niño deve se intensificar no segundo semestre e ameaça produção agropecuária mineira

Fenômeno climático pode reduzir as chuvas, elevar as temperaturas e comprometer a produção de café, grãos, cana-de-açúcar e pecuária em Minas Gerais
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El Niño deve se intensificar no segundo semestre e ameaça produção agropecuária mineira
Foto: Reprodução Adobe Stock

A confirmação da ocorrência do El Niño, com probabilidade do fenômeno ter alta intensidade no segundo semestre, coloca em risco a agropecuária de Minas Gerais. Na região Sudeste, o fenômeno altera o padrão de chuvas, que se tornam mais escassas, e das temperaturas, que tendem a ficar mais elevadas, o que pode afetar diversas atividades no Estado. Culturas como o café, o milho, a soja, a cana-de-açúcar e a pecuária de leite podem sofrer perdas com os efeitos do El Niño.

O fenômeno climático ocorre quando as águas do Oceano Pacífico ficam mais quentes que o normal, alterando a circulação atmosférica e influenciando o clima em diversas regiões do planeta. O Governo de Minas tem acompanhado permanentemente os cenários climáticos e as análises indicam cerca de 80% de chance de desenvolvimento do fenômeno ainda em 2026, com intensidade entre moderada e forte.

Em Minas, o fenômeno pode provocar redução da umidade relativa do ar, aumento das ondas de calor, prolongamento do período seco e atraso no início da estação chuvosa de 2026/27. Na prática, conforme o governo, isso significa temperaturas acima da média, chuvas mais irregulares e aumento do risco de queimadas e incêndios florestais, especialmente nas regiões do semiárido mineiro.

A analista de agronegócios do Sistema Faemg Senar, Ana Carolina Alves Gomes, explica que o Estado já está sob a influência do El Niño, embora ainda de forma leve. A maior preocupação está na possibilidade do fenômeno se fortalecer ao longo dos próximos meses, período crucial para o desenvolvimento de diversas culturas mineiras.

“Nós já estamos sob influência do El Niño, mas de forma ainda leve. Estamos vendo um inverno mais frio e úmido. A chance de vir mais forte no segundo semestre, principalmente, mais para o final do ano, coloca em risco toda a agropecuária, uma vez que a influência altera principalmente os padrões de chuvas e de temperatura. A elevação da temperatura e a ausência de precipitações podem afetar diversos cultivos uma vez que estaremos no período de implantação da safra de grãos e da formação dos grãos do café”.

Possíveis Impactos do El Niño nas culturas de café, grãos e cana-de-açúcar

No setor cafeeiro, as previsões indicam a possibilidade de chuvas até por volta de setembro ou outubro, mas a ausência de precipitações deve se concentrar a partir de novembro. O cenário, conforme Ana Carolina, caso confirmado, pode prejudicar a safra de 2027 de café, afetando desde a florada, o pegamento e, principalmente, o enchimento dos grãos, que ocorre entre novembro e janeiro.

“No caso do café, se realmente o El Niño acontecer de forma mais expressiva, a falta de chuvas no final do ano compromete, além do desenvolvimento, as adubações e o manejo, que são essenciais para a nutrição, força e vigor das plantas”.

Para os grãos, como soja e milho, o impacto se dará no calendário agrícola. “Como a semeadura depende das chuvas de setembro e outubro, a irregularidade climática pode atrasar o plantio e comprometer o desenvolvimento inicial da safra, gerando reflexos que podem se estender até a segunda safra”, explicou.

A cultura da cana-de-açúcar também poderá ser afetada, já que o final do ano é o período de entressafra e preparação da cana. Por isso, a ausência de chuvas nessa fase prejudica o crescimento vegetativo do ciclo seguinte, a ser colhido em abril. “Se o fenômeno for confirmado, o resultado pode ser um menor crescimento das plantas e a redução no total de Açúcar Total Recuperável (ATR), principal indicador para a produção de açúcar e etanol”.

Pecuária

Na pecuária, os efeitos do El Niño podem envolver a secagem precoce das pastagens devido ao calor e à falta de chuva. O que reduz a disponibilidade de alimentação para os animais, afetando o peso do rebanho e diminuindo a produtividade de carne e leite. “O agronegócio é uma empresa a céu aberto. Então, tudo que afeta o clima, que afeta o céu, afeta de certa forma o produtor que está ali no campo”, pontua Ana Carolina.

Medidas preventivas

A Secretaria de Estado de Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Seapa) reforça que a redução das chuvas e a ocorrência de veranicos podem comprometer culturas como soja, milho, feijão e café. Nas lavouras de soja, feijão e milho, o atraso das chuvas pode prejudicar o plantio e o desenvolvimento inicial das culturas.

Para tentar minimizar os prejuízos, a Seapa destaca que ainda há tempo para a adoção de medidas que possam mitigar os efeitos. A indicação é que os produtores usem cultivares mais tolerantes à seca, adotem medidas que permitam a conservação da umidade do solo, façam o planejamento para uso da irrigação e procurem proteger as nascentes.

O armazenamento de água e a produção planejada de forragem para a pecuária também são opções.

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