Economia

Mercado de seminovos e usados avança 7,8% em Minas; setor aposta no Renave para acelerar vendas

Mais de 1,1 milhão de veículos foram comercializados no Estado entre janeiro e junho; expectativa é de novo recorde em 2026 com apoio do Renave
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Mercado de seminovos e usados avança 7,8% em Minas; setor aposta no Renave para acelerar vendas
Em Minas Gerais, a categoria de seminovos apresentou um aumento de 14,6% nas vendas de janeiro a junho, de acordo com a Fenauto | Foto: Diário do Comércio / Arquivo / Alessandro Carvalho

O mercado de veículos seminovos e usados comercializou mais de 1 milhão de unidades em Minas Gerais no primeiro semestre de 2026. Entre janeiro e junho, o segmento registrou 1.105.625 transações no Estado, um aumento de 7,8% frente ao mesmo período de 2025.

Os dados são da Federação Nacional das Associações dos Revendedores de Veículos Automotores (Fenauto). A alta procura por veículos com até três anos de uso influenciou positivamente no desempenho do setor, mesmo em um cenário de juros e endividamento elevados.

A categoria de seminovos comercializou 225.983 veículos em território mineiro em 2026, um aumento de 14,6% na comparação com o primeiro semestre do ano passado. Outra frente de crescimento são os chamados “velhinhos”, acima de 13 anos de uso, que registraram 469.834 vendas, alta de 12,3%.

De acordo com o presidente da Associação dos Revendedores de Veículos do Estado de Minas Gerais (Assovemg), Glenio Junior, o bom desempenho certamente foi sustentado pelos seminovos, especialmente em um cenário de alta nos preços dos veículos novos. “O carro zero quilômetro está cada vez mais distante do consumidor. Em muitos casos, o comprador acaba migrando para seminovos, principalmente aqueles com garantia de fábrica e baixa quilometragem”, avalia.

Apesar da elevada demanda por veículos seminovos em Minas Gerais, o acesso ao crédito tem se tornado um desafio para parte dos consumidores. Segundo Glenio Junior, o aumento da inadimplência observado em maio e junho levou as instituições financeiras a adotarem uma postura mais cautelosa na concessão de financiamentos.

“Com cerca de 80% das famílias endividadas, os bancos passaram a ser mais seletivos na análise de crédito, o que pode restringir o ritmo das vendas”, salienta.

Além dos veículos leves, as vendas de motos seminovas e usadas também se detacaram em Minas Gerais. Segundo o dirigente, a motocicleta se tornou o veículo de entrada para muitos consumidores. Com preços mais acessíveis, ela passou a ser uma alternativa para quem não consegue mais comprar um carro.

Em contrapartida, o destaque negativo ficou para a categoria de pesados, como caminhões. Os elevados custos de financiamento estariam pesando no bolso dos motoristas, principalmente autônomos, que encontram dificuldade para conseguir crédito.

Para o segundo semestre, a expectativa segue positiva. O setor estima vender entre 200 mil a 300 mil unidades a mais que 2025, superando o recorde de vendas do ano passado, que ultrapassou 2 milhões de unidades em Minas Gerais.

Chegada do Renave é aposta para o segundo semestre

A chegada do Registro Nacional de Veículos em Estoque (Renave), previsto para entrar em vigor a partir de outubro, é uma das apostas do setor para impulsionar as vendas no segundo semestre. O sistema promete digitalizar e simplificar o registro de entrada e saída de veículos em estoque de concessionárias e revendas, agilizando e assegurando a transferência de propriedade e reduzindo a burocracia nas negociações.

Na avaliação do dirigente, a implementação do registro deve representar um avanço para o mercado ao aumentar a segurança nas transações e reduzir a incidência de fraudes. “Hoje existem muitos golpes envolvendo a compra e venda de veículos. Com a chegada do Renave, isso tende a ser bastante inibido, porque o veículo precisa estar formalmente vinculado ao estoque da loja”, afirma o dirigente.

Segundo ele, o sistema beneficia especialmente as operações financiadas, tanto de veículos novos, quanto usados, ao oferecer maior segurança jurídica para concessionárias, revendas e instituições financeiras. “É uma tecnologia que chega ao setor para dar mais transparência e segurança às negociações. O consumidor também ganha com isso e deve exigir que as transferências sejam realizadas por meio do Renave, garantindo que todo o processo ocorra de forma regular”, ressalta Glenio Junior.

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