Eleições Minas 2026: compare as propostas dos pré-candidatos para a economia do Estado
O Diário do Comércio produziu o podcast Eleições Minas 2026, uma série de entrevistas com seis pré-candidatos ao governo de Minas Gerais. Participaram o ex-prefeito de Belo Horizonte Alexandre Kalil (PDT); a professora aposentada Maria da Consolação (Psol); o criador de conteúdo e estreante na política Ben Mendes (Missão); o ex-presidente da Câmara Municipal de Belo Horizonte Gabriel Azevedo (MDB); o ex-procurador-geral de Justiça de Minas Gerais Jarbas Soares (PSB); e o atual governador Mateus Simões (PSD), que disputa a reeleição.
A proposta da série foi ir além das entrevistas tradicionais e promover um debate sobre temas considerados estratégicos para o desenvolvimento econômico e social de Minas Gerais. Foram convidados todos os pré-candidatos que aparecem nas principais pesquisas de intenção de voto divulgadas recentemente. As mesmas perguntas foram feitas a todos, permitindo ao leitor comparar, em igualdade de condições, as ideias e propostas apresentadas para o futuro do Estado.
O roteiro das entrevistas foi elaborado a partir dos eixos dos projetos Parceiros do Futuro e Movimento Minas 2032, iniciativas do Diário do Comércio que reúnem empresários, representantes da academia, gestores públicos e especialistas para discutir caminhos para a construção da Minas Gerais do futuro. A partir desse diálogo permanente entre setor produtivo, academia e poder público, foram definidos os temas considerados prioritários para orientar o debate com os pré-candidatos.
O Parceiros do Futuro é uma plataforma de reflexão e planejamento estratégico dedicada a identificar oportunidades, desafios e soluções para o desenvolvimento sustentável de Minas Gerais. O projeto está estruturado em três grandes pilares:
- Diversificação econômica, com foco na redução da dependência do extrativismo e na agregação de valor às cadeias produtivas.
- Tecnologia verde e regeneração, estimulando inovação, sustentabilidade e a produção de bens e serviços de maior valor agregado.
- Desenvolvimento equilibrado, promovendo a integração entre setor produtivo, poder público, academia e sociedade civil para ampliar a geração de riqueza e sua distribuição.
Neste painel, reunimos as respostas dos pré-candidatos à seguinte pergunta:
“Quais são as principais oportunidades que o(a) senhor(a) identifica na economia mineira e quais escolheria fomentar?”
As respostas revelam diferentes diagnósticos e prioridades para o desenvolvimento de Minas Gerais.
- Alexandre Kalil (PDT) condiciona qualquer estratégia de fomento à solução da dívida estadual. Segundo ele, Minas Gerais não recuperará sua capacidade de investimento enquanto o problema fiscal não for equacionado.
- Ben Mendes (Missão) defende a verticalização da cadeia de minerais críticos, para que o Estado deixe de exportar matéria-prima bruta e passe a processá-la internamente. Também propõe fortalecer a agroindústria por meio da incorporação de tecnologia de ponta.
- Gabriel Azevedo (MDB) coloca a educação como prioridade absoluta. Sua proposta começa por um conjunto de escolas consideradas estratégicas, com valorização dos professores, definição de metas, avaliação de resultados e melhorias de infraestrutura.
- Jarbas Soares (PSB) aposta na agregação de valor ao minério e ao agronegócio e defende maior aproveitamento do potencial da cultura e do turismo. Para ele, cabe ao Estado atuar como indutor do desenvolvimento, reduzindo entraves ao empreendedorismo.
- Maria da Consolação (Psol) propõe uma transição energética que respeite os territórios quilombolas e indígenas. A pré-candidata critica o modelo atual de implantação de usinas eólicas e solares e defende uma nova matriz energética alinhada a uma perspectiva ecossocialista.
- Mateus Simões (PSD) aponta três frentes prioritárias: energia renovável e biocombustíveis; indústria de alimentos, especialmente a torrefação nacional do café, hoje limitada pela proibição de importar café verde; e minerais estratégicos, como lítio, terras raras e nióbio. O objetivo, segundo ele, é ampliar o processamento industrial e a agregação de valor dentro do Estado.
Com este projeto, o Diário do Comércio oferece ao leitor um panorama comparativo das propostas apresentadas pelos pré-candidatos ao governo de Minas Gerais. Ao reunir as respostas em um único painel, a iniciativa contribui para um debate público mais qualificado e oferece subsídios para que cada eleitor conheça, compare e avalie as diferentes visões sobre o futuro econômico do Estado.
As entrevistas completas estão disponíveis no site e no canal do Diário do Comércio no YouTube.
“Antes de fomentar, quitar a dívida“, Alexandre Kalil (PDT)
“Quando estávamos na Prefeitura, pensamos muito nessa área tecnológica, mas essa área anda por si só. Acho que tudo isso passa por resolver o problema de Minas Gerais. A verdade é que o Estado está falido, quebrado, não tem dinheiro para nada, não tem como fomentar nada, não tem como colocar dinheiro em nada, se não resolvermos primeiro a dívida de Minas. Então, qualquer discussão sobre o que vamos fomentar precisa partir de quanto temos disponível para isso. Fora disso, estaremos fugindo da realidade que é a situação do Estado de Minas Gerais hoje.”
“Verticalizar a extração mineral“, Ben Mendes (Missão)
“Primeiro é entender que Minas Gerais é privilegiada. Temos um Estado com a economia agro forte, a mineração forte, e temos a possibilidade de criar novas vertentes da economia. Como pretendemos fazer isso? Gerando aqui em Minas Gerais polos de extração de matéria-prima. Os minerais críticos, por exemplo, que estão na pauta mundial, e Minas é o estado brasileiro com as maiores reservas: exploração, beneficiamento dessa matéria-prima e instalação da planta. Não podemos ser um estado onde simplesmente se extrai a matéria-prima e se vende com baixíssimo valor agregado. Pretendemos e precisamos desenvolver tecnologia em Minas Gerais para o processamento. Processar um mineral crítico exige tecnologia, conhecimento científico e instalação de plantas aqui. Vamos também fortalecer a agroindústria, promover a industrialização do agronegócio. Precisamos reconhecer nossa capacidade de manejar o agro no Brasil: isso é histórico de Minas Gerais. Desde a fundação do Estado, o plantio e o manejo são coisas que sabemos fazer. À medida que a sociedade avança, surgem novas tecnologias. Então o agricultor, o pecuarista, precisa ter no próprio Estado polos para aprender a usar tecnologia de ponta, levar essa tecnologia para o seu negócio e desenvolver cada vez mais a agroindústria sustentável.”
“Educação como prioridade inconteste“, Gabriel Azevedo (MDB)
“A primeira prioridade é inconteste: a educação. Ou há um grande pacto de todos os setores para que as escolas ensinem e para que nossos estudantes aprendam, ou não vamos sair do lugar. Isso envolve prestar atenção em cada escola, entender como ela está, a valorização do professor, a medição sincera da qualidade dos alunos. O segundo ponto é que não adianta fazer um seminário atrás do outro e ficar só conversando. Se a educação foi determinada como meta, como garantir isso, como fazer? Se não dá para fazer tudo, porque o Estado é muito grande, vamos pegar 10 escolas e atuar nelas: se a infraestrutura está ruim, quem pode oferecer a mão de obra para pintar, para reformar aquela escola; se os professores não estão conseguindo lecionar por conta da didática, quem pode aprimorar isso.”
“Agregar valor ao minério, diversificar com turismo“, Jarbas Soares (PSB)
“Temos muita coisa para fazer, mas acho que precisamos trabalhar numa indústria sustentável, com muito olhar para o nosso principal ativo, que é a mineração, para que agregue valor ao minério. Também temos que estimular muito o agro, que tem superado muitas vezes a mineração – diferentemente da mineração, o agro dá mais de uma vez. E também olhar muito para duas indústrias nas quais Minas Gerais tem um potencial enorme e pouco utilizado: a cultura e o turismo. Precisamos de rotas do turismo, ver o que tem sido feito de bom no Brasil e no mundo, e ter um governo que realmente fomente o turismo, que é a maior indústria do País. Tudo isso respeitando o meio ambiente, o emprego, os direitos humanos, e construindo uma sociedade que realmente aposte no empreendedorismo. O Estado não pode atrapalhar: o Estado é um órgão de estímulo e também de soluções, para que a população possa realmente prosperar.”
“Renováveis que respeitem territórios“, Maria da Consolação (Psol)
“É importante termos coletivos, iniciativas de pensar a Minas Gerais do futuro a partir do presente, porque esse futuro tem que começar agora. Gostaria de ressaltar um desafio que precisamos enfrentar não só em Minas Gerais, mas no mundo. Quando falamos da questão ecológica, e eu sou uma militante ecossocialista, acreditamos que precisamos fazer uma transformação na sociedade, e essa transformação precisa ser articulada com outra relação com o nosso planeta. A questão das novas tecnologias, ou tecnologias de energia renovável, tão necessárias, precisa ser realizada de uma forma que respeite o território. Temos um grande movimento no Brasil e no mundo dos atingidos pelas renováveis: a forma como têm sido instaladas as energias eólica e solar, de uma maneira tão ostensiva, agride os territórios quilombolas e indígenas, e isso tem exigido de nós o enfrentamento. Queremos outra matriz energética, mas ela precisa respeitar os territórios, os biomas, e garantir que todas as pessoas vão usufruir dela. Já estamos vivendo esse processo no Brasil e precisamos fazer o debate da economia verde. Não são questões só conceituais, são de perspectiva mesmo.”
“Três eixos para desenvolver a economia“, Mateus Simões (PSD)
“O momento em que estamos já revela que Minas Gerais tem grande potencial para três grandes eixos de desenvolvimento: energia, desde a geração por fontes renováveis, passando por gás, hidrelétrica e biocombustíveis. Temos um mercado muito grande ainda por desenvolver na indústria de alimentos, seja na produção agrícola, seja no processamento alimentar. Acho, por exemplo, que Minas Gerais precisa começar a capitanear a discussão sobre a torrefação nacional de café. É proibido importar café verde no Brasil, então não torrefamos café para vender, porque, para torrar o café, ele precisa estar misturado com outros grãos para compor o blend que será vendido no final. Como não importamos os cafés necessários para fazer esse blend, não torramos café. Isso vale também para lácteos, panificação, semi-industrializados e processamento de carne: tem muita coisa para acontecer na indústria de alimentos, seja em produção, venda ou processamento. E, obviamente, os minerais estratégicos: o ferro vai continuar importante para Minas Gerais, mas não pode ser nossa principal pauta de mineração. Temos a exploração do lítio, de terras raras, de nióbio, com grandes diferenciais, e podemos ir além de simplesmente retirar minério do solo.”
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