Economia

Recuperação do mercado imobiliário deve anteceder retomada da construção em Minas

Expectativa de redução dos juros, maior oferta de crédito e demanda reprimida devem impulsionar vendas de imóveis no Estado, enquanto a construção mantém cautela diante da alta dos insumos
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Recuperação do mercado imobiliário deve anteceder retomada da construção em Minas
Foto: Reprodução Adobe Stock

O mercado imobiliário e a construção civil, embora compartilhem desafios semelhantes, projetam trajetórias distintas ao longo de 2026 em Minas Gerais. A recuperação das vendas de imóveis deve aparecer antes da retomada da construção, impulsionada pela expectativa de um volume maior de negociações no segundo semestre, com melhora do crédito e da confiança dos compradores.

Já a construção civil deve atravessar um período de maior cautela, pressionada pelo aumento dos custos de produção, que acumulam avanço de cerca de 7% no Estado em 12 meses. A alta dos insumos essenciais é agravada pelos impactos da escalada de conflitos no Oriente Médio.

O presidente da Câmara do Mercado Imobiliário e Sindicato da Habitação de Minas Gerais (CMI/Secovi-MG), Leirson Cunha, destaca que a construção civil e o mercado imobiliário, embora relacionados, respondem a ciclos diferentes. A construção, segundo ele, é uma atividade de longo prazo que envolve processos complexos, como a aquisição do terreno, aprovação dos projetos, lançamento, execução da obra e entrega das chaves, e podem transcorrer vários anos.

“Por isso, o setor sente com maior intensidade os efeitos dos juros elevados, do custo dos insumos e das incertezas econômicas”, argumenta.

Já a comercialização de imóveis reage de forma mais acelerada às expectativas do consumidor. “Quando há perspectiva de redução dos juros, maior oferta de crédito e melhora na confiança da economia, o comprador tende a retornar ao mercado antes mesmo que novos empreendimentos sejam lançados”, analisa.

Para Cunha, o descompasso entre os indicadores não representa uma contradição, mas reflete etapas distintas do ciclo imobiliário. “É natural que o mercado de vendas apresente sinais de recuperação antes que esses efeitos apareçam integralmente na atividade da construção. São momentos diferentes de um mesmo ciclo econômico”, afirma.

Belo Horizonte perde ritmo, mas interior sustenta mercado

Esse comportamento já aparece nos primeiros indicadores de 2026. Segundo Cunha, enquanto Belo Horizonte iniciou o ano em ritmo mais moderado, o desempenho do restante de Minas foi mais favorável.

Na Capital, os dados do Data Secovi apontam a comercialização de 6.672 imóveis no primeiro trimestre, uma retração de 9,8% em relação ao mesmo período do ano anterior. Apesar da queda nas vendas, a região Centro-Sul continua concentrando a maior demanda, com bairros como Lourdes, Santo Agostinho, Funcionários, Savassi e Belvedere entre os mais procurados. O Buritis, na região Oeste de Belo Horizonte, também se destaca pela elevada liquidez e pelo grande volume de negócios.

Segundo Cunha, o cenário no restante do Estado foi impulsionado pelo crescimento econômico de municípios do interior, pela expansão industrial e por novos investimentos. Ele destaca ainda que Minas mantém um déficit habitacional significativo, alimentado pela formação de novas famílias, enquanto o imóvel continua sendo visto como uma importante forma de proteção patrimonial.

“Entendemos que o primeiro semestre foi de transição, com um comportamento mais cauteloso do comprador, mas sem perda dos fundamentos que sustentam o setor”, destaca.

Setor aposta em aceleração das negociações no segundo semestre

Para o segundo semestre, a expectativa é de aceleração nas negociações do mercado imobiliário em Minas Gerais. Cunha afirma que o período historicamente concentra um volume maior de vendas e deve ser favorecido pela perspectiva de continuidade da redução dos juros, pela ampliação da oferta de crédito imobiliário e pela demanda reprimida de famílias que adiaram a compra da casa própria nos últimos anos.

O dirigente observa ainda uma mudança no perfil do comprador. Segundo ele, o consumidor está mais preparado e criterioso, realizando pesquisas, comparando opções e planejando melhor o financiamento antes de fechar negócio. Esse comportamento, avalia, tem fortalecido o papel consultivo das imobiliárias e dos corretores, que passaram a atuar de forma mais estratégica durante o processo de compra.

“Acreditamos que o mercado imobiliário mineiro reúne fundamentos sólidos para continuar crescendo de forma sustentável, sempre respeitando as características e o ritmo de cada segmento”, finaliza Cunha.

Sobre o autor

Leonardo Morais

Repórter de economia e negócios do Diário do Comércio, com experiência em jornalismo digital e produção multimídia. Graduado pela PUC Minas, foi premiado com o 2º lugar no Prêmio Sebrae de Jornalismo, Fotojornalismo (2024). LinkedIn: https://www.linkedin.com/in/leomoraisj/

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