Custo da construção em Minas sobe 2,5% no primeiro semestre com tensão no Oriente Médio
O custo médio da construção civil em Minas Gerais avançou 0,44% em junho, acumulando alta de 2,5% no primeiro semestre de 2026. O setor segue pressionado pelos altos custos, influenciados principalmente pela instabilidade geopolítica, que afeta diretamente o preço dos materiais de construção.
Os dados constam no Índice Nacional da Construção Civil (Sinapi), calculado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), em parceria com a Caixa Econômica Federal. Nos últimos 12 meses, a construção já apresenta variação positiva de 7,01% no Estado e de 7,26% no Brasil.
No último mês, a construção civil atingiu custo médio de R$ 1.857 a cada metro quadrado (m²) em Minas Gerais. Do total, R$1.047 foram referentes aos materiais e R$ 810 à mão de obra. Embora elevado, o custo segue inferior ao observado na média nacional, que registrou no mesmo período custo médio de R$ 1.976 (R$ 1.114 de materiais e R$ 862 de mão de obra).
De acordo com a economista do Sindicato da Indústria da Construção Civil no Estado de Minas Gerais (Sinduscon-MG), Ieda Vasconcelos, os materiais segue pressionando os custos do setor em todo o País. Em Minas, o encarecimento está atrelado à escalada de tensões geopolíticas no Oriente Médio, que leva cada vez mais incertezas ao segmento.
“A escalada dos conflitos no Oriente Médio reacendeu a pressão sobre o preço do petróleo. Esse movimento tende a elevar os custos de energia, transporte e de insumos industriais, o que pode acabar sendo repassado aos materiais de construção”, explica a economista.
Segundo ela, nos últimos meses, alguns setores sentiram com maior intensidade as consequências da instabilidade global. Na construção, o efeito recai sobre derivados do petróleo, resina, cobre e alumínio, que apresentaram altas expressivas, influenciados também pelo encarecimento no preço da energia.
No País, os altos custos observados em junho também são influenciados por reajustes salariais anuais em alguns estados, como São Paulo, Pernambuco, Ceará e Rondônia. “Há uma sazonalidade importante na construção civil. Entre maio e julho ocorre a maior concentração de datas-base das negociações coletivas, o que eleva os custos com mão de obra e acaba pressionando ainda mais o custo da construção”, salienta Ieda Vasconcelos.
Alta segue acima da inflação e segundo semestre deve manter pressão sobre os custos
A economista também destaca que o custo da construção continua avançando em ritmo superior ao da inflação oficial do País. Enquanto o índice acumulado da construção registrou alta de 7,26% nos últimos 12 meses, o IPCA encerrou junho com avanço de 4,64% no mesmo período. “Essa diferença evidencia que o setor ainda enfrenta uma pressão de custos acima da média da economia”, acrescenta.
Para o segundo semestre, a economista avalia que o cenário ainda exige cautela. Além dos reajustes salariais previstos nas convenções coletivas da construção civil, fatores externos podem adicionar uma pressão extra sobre os custos do setor.
Os conflitos no Oriente Médio, que pareciam mais estabilizados, ganharam uma nova proporção com os recentes ataques, e o preço do petróleo voltou a reagir. Na avaliação da especialista, esse movimento pode influenciar diretamente o custo da construção, principalmente pelo aumento dos preços de materiais e do transporte.
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