Setor de serviços supera turbulência econômica, queda do PIB e segue forte em Minas Gerais
O PIB de Minas Gerais teve recuo de 0,5% no primeiro trimestre de 2026, na comparação com os últimos três meses de 2025, segundo a Fundação João Pinheiro. Isso indica uma perda de fôlego da atividade econômica mineira neste período do ano.
Indústria (-0,5%) e agropecuária (-9,9%) tiveram resultados negativos. O único setor que saiu sem “arranhões” neste primeiro trimestre foi o setor de serviços, que teve crescimento de 0,7%.
E o bom desempenho dos serviços ajudou a evitar que o PIB mineiro tivesse um resultado pior. Essa é a percepção da coordenadora de estudos econômicos da Federação das Indústrias de Minas Gerais (Fiemg), Juliana Gagliard.
“Vimos no primeiro trimestre do ano o PIB de Minas desacelerando, com crescimento negativo de 0,5%. E os serviços, de certa forma, contribuíram para que essa queda não fosse ainda mais alta”, comenta.
“A gente percebe que está tendo uma desaceleração na economia, em diferentes setores, inclusive no próprio setor de serviços. Mas ele ainda continua sustentando a atividade econômica, digamos assim. No Brasil, isso também é observado, o setor de serviços sendo resiliente, forte, e em Minas de maneira um pouco mais modesta”, completa.
Motivos
Juliana Gagliard, da Fiemg, levanta um ponto que pode explicar o movimento mais positivo do setor de serviços: o mercado de trabalho aquecido. Atualmente, temos uma baixa taxa de desemprego no Estado, 5%, abaixo da média nacional, que está em 5,6%.
Logo, com uma massa de trabalhadores gerando renda, atividades como os serviços, que podem englobar o comércio, são beneficiadas e seguem “girando”, pois existe uma circulação de recursos mais constante, sendo menos afetadas pela turbulência econômica do entorno.
“A gente vê que existe uma dificuldade em diferentes setores, muito por conta do cenário macroeconômico desfavorável, elevadas taxas de juros. Mas, de um lado, a gente ainda observa um mercado de trabalho muito aquecido, a taxa de desemprego está num patamar historicamente muito baixo, também acompanhado com ganhos reais sobre a renda das famílias, os salários de certa forma estão crescendo”, disse Juliana Gagliard.
“Então, podemos somar a tudo isso também alguns estímulos fiscais, algumas políticas governamentais, principalmente do governo federal, que elevam o consumo das famílias”, explica.
Ajuda em partes
Os serviços funcionando, tendo o consumo das famílias, a produção industrial poderia se beneficiar dessa onda positiva. Certo? Nem tanto. Segundo a coordenadora de estudos econômicos da Fiemg, Juliana Gagliard, existe, sim, um benefício, mas a indústria tem outras demandas para gerar crescimento.
“A indústria precisa de certa forma de investimentos produtivos, de um crédito mais barato. Então, os fatores macroeconômicos acabam influenciando mais fortemente.”
“De fato, esse consumo sustenta o próprio serviço de forma mais intensa e também a indústria, mas sustenta determinados setores. Então é como se ainda faltassem outros estímulos para que a economia estivesse, de fato, num ritmo de crescimento que a gente chama de sustentável”, explica.
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