Ex-ministro minimiza impactos de novo tarifaço na macroeconomia e acredita em recuo de Trump
Diante da série de taxações impostas pelo presidente dos EUA, Donald Trump, aos produtos brasileiros, o ex-ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Mauro Borges Lemos, afirma que há grandes chances de o governo norte-americano ampliar a lista de exceções de produtos isentos das novas taxas, aumentando, inclusive, os produtos mineiros. “Essa tarifação não é economicamente sustentável para os EUA. Por isso, acredito que existe uma boa chance de Trump recuar e ampliar a lista de exceções, principalmente para os produtos de Minas”, assinala o professor de economia da UFMG e assessor estratégico da presidência da Caixa Econômica Federal (CEF).
O economista classifica a medida do presidente norte-americano de “voo de galinha” e acredita em um recuo de Trump. Segundo Lemos, a taxação da maioria desses produtos tem impacto direto na inflação norte-americana. Nesse sentido, ele explica que é preciso considerar que todos os produtos mineiros sobretaxados são produtos complementares e não substitutos. “Os EUA não têm como substituir os produtos mineiros, como o sebo animal e insumos para cosméticos, materiais para construção civil e pedras preciosas. Essa conta vai cair no bolso do consumidor norte-americano”, assinala. Por isso, ele acredita que essa tarifação não seja sustentável.
Além disso, o economista minimiza o clima geral de alarmismo. Para ele, o novo tarifaço causa um impacto cambial macroeconômico mínimo porque, atualmente, a corrente de comércio entre os países ultrapassa os US$ 500 bilhões e o impacto calculado com a nova taxação norte-americana gira em torno de US$ 6 bilhões, ou seja, 18% da corrente de comércio. Além disso, Lemos aponta que o saldo comercial do Brasil é “muito robusto” e ultrapassa os US$ 100 bilhões. Para o especialista, o impacto sobre a balança comercial também é pequeno.
Apesar de considerar que o impacto na macroeconomia seja “negligível”, Borges ressalta que o setor produtivo mineiro, principalmente dos produtos listados, tem razão ao reclamar das taxações norte-americanas isso porque “para quem está sofrendo a medida, o impacto é forte, principalmente as empresas mineiras que têm seu principal canal de exportação para os EUA”.
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