Diesel e etanol lideram queda no preço dos combustíveis em Minas Gerais

Entre junho e julho, diesel comum registrou queda de 2,7%, enquanto o etanol caiu 2,1%, impulsionados pela estabilização do petróleo e pela safra da cana
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Diesel e etanol lideram queda no preço dos combustíveis em Minas Gerais
O aumento da oferta reduz o preço do etanol nas bombas | Foto: Fernando Frazão / Agência Brasil

Influenciados por uma combinação de fatores domésticos e internacionais, os preços médios de revenda do diesel comum e do etanol apresentaram a maior queda entre os combustíveis vendidos em Minas Gerais. O litro do diesel comum recuou 2,7% entre junho e julho, enquanto o etanol hidratado caiu 2,1% no mesmo período.

Os dados são da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP). No mesmo recorte, a gasolina comum, negociada em maior volume no Estado, obteve queda de apenas 0,6%.

Em Belo Horizonte, o movimento foi ainda mais intenso, com o diesel comum recuando 3,1% no mês. Em apenas uma semana, a retração no preço do combustível chegou a quase 2% na Capital (1,9%), acelerando o ritmo de queda em relação às semanas anteriores.

O economista e docente dos cursos de gestão do Uni-BH, Fernando Sette Júnior, atribui esse momento aos efeitos econômicos observados tanto no cenário interno, quanto externo. Do ponto de vista global, houve um período de maior estabilidade nas cotações do petróleo após as oscilações provocadas pelas tensões no Oriente Médio, ao mesmo tempo em que o câmbio permaneceu relativamente favorável ao Brasil.

“Como petróleo e derivados são commodities precificadas em dólar, um ambiente internacional menos pressionado reduz os custos de produção e importação, criando condições para a diminuição dos preços internos”, argumenta.

No mercado brasileiro, a política comercial da Petrobras contribui ao reduzir a volatilidade dos reajustes. Em paralelo, ao economista ressalta que a concorrência entre distribuidoras e postos também influencia a velocidade do repasse ao consumidor.

Outro fator considerado relevante no cenário interno é o componente sazonal, especialmente para os biocombustíveis. “Com o período de safra da cana-de-açúcar, a tendência é de movimento de queda relativamente disseminado entre gasolina, etanol e diesel, embora com intensidades diferentes para cada combustível”, salienta Sette Júnior.

Safra da cana explica menor preço do etanol desde 2014

Segundo o economista, o período de safra da cana-de-açúcar também foi o grande responsável pelo etanol atingir os menores preços desde 2014 no País. Durante esse período, a maior disponibilidade do produto amplia a concorrência entre usinas e distribuidoras, pressionando os preços para baixo.

“Minas Gerais acompanha esse movimento nacional, beneficiando-se também da proximidade com importantes regiões produtoras do Centro-Sul, o que contribui para reduzir custos logísticos e ampliar a competitividade do combustível”, acrescenta.

Já o diesel responde principalmente ao mercado internacional e às decisões de política energética. A avaliação de Sette Júnior é que a estabilização das cotações do petróleo, aliada à política comercial da Petrobras e mecanismos temporários de compensação ou subsídios, favoreceu reduções no preço do combustível.

Perspectiva é de estabilidade, mas petróleo é o principal risco

A tendência para os próximos meses, segundo ele, é de relativa estabilidade, desde que não ocorram mudanças significativas no cenário internacional. O comportamento do petróleo deve continuar sendo o principal fator de risco, especialmente diante das tensões geopolíticas no Oriente Médio, das decisões da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep) sobre produção e da evolução da atividade econômica mundial.

No mercado interno, a continuidade da safra da cana deve favorecer a competitividade do etanol, enquanto gasolina e diesel dependerão da evolução dos custos internacionais e da política comercial da Petrobras.

“Para Minas Gerais, um cenário de combustíveis mais estáveis é positivo, pois reduz custos para famílias e empresas, beneficia o transporte de cargas e passageiros e contribui para um ambiente de inflação mais controlada, favorecendo a atividade econômica como um todo. Se esses fatores permanecerem sob controle, a expectativa é de manutenção dos preços próximos aos níveis atuais, com pequenas oscilações”, finaliza o economista.

Preço médio de revenda (R$/litro)*

Minas Gerais

  • Gasolina comum: junho: R$ 6,29 – julho R$ 6,25 (-0,64%)
  • Etanol hidratado: junho R$ 4,15 – julho R$ 4,06 (-2,17%)
  • Diesel comum: junho R$ 6,58 – julho R$ 6,40 (-2,74%)
  • Diesel S10: junho R$ 6,92 – julho R$ 6,79 (-1,88%)

Belo Horizonte

  • Gasolina comum: junho R$ 6,11 – julho R$ 6,07 (-0,65%)
  • Etanol hidratado: junho R$ 4,01- julho R$ 3,88 (-3,24%)
  • Diesel comum: junho R$ 6,60 – julho R$ 6,39 (-3,18%)
  • Diesel S10: junho R$ 6,91 – julho R$ 6,81 (-1,45%)

* Fonte: ANP – período: (21-27/junho) – (12-18/julho)

Sobre o autor

Leonardo Morais

Repórter de economia e negócios do Diário do Comércio, com experiência em jornalismo digital e produção multimídia. Graduado pela PUC Minas, foi premiado com o 2º lugar no Prêmio Sebrae de Jornalismo, Fotojornalismo (2024). LinkedIn: https://www.linkedin.com/in/leomoraisj/

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