Atacado paga salários 40% maiores que o varejo em Minas Gerais, aponta IBGE
O salário médio do setor atacadista no comércio em Minas Gerais foi 40% maior em comparação aos recebimentos dos profissionais do mercado varejista. É o que revela a Pesquisa Anual do Comércio (PAC) referente a 2024, divulgada nesta quarta-feira (29), pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
Segundo o levantamento, enquanto o atacado tinha, naquele ano, uma média de 2,3 salários mínimos por trabalhador, no varejo os vencimentos ficaram na faixa de 1,4 salário mínimo.
A atividade comercial que menos remunera seus funcionários no Estado é o de representantes e agentes do comércio, exceto de veículos e motocicletas (0,6 salário mínimo médio mensal). No extremo oposto está a atividade comercial de combustíveis e lubrificantes (atacado) com a maior remuneração média (3,8 salários mínimos médios mensais).
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Diferenças estruturais explicam disparidade, afirma economista
Para a economista e professora do curso de Gestão e Negócios do Centro Universitário Una, Vaníria Ferrari, a principal causa da diferença salarial entre os trabalhadores do comércio atacadista e do varejo decorre das características estruturais específicas de cada segmento.
“O setor atacadista opera com maior valor agregado por trabalhador, devido à maior complexidade dos processos comerciais e cadeias logísticas mais sofisticadas, o que demanda profissionais com maior qualificação técnica e maior responsabilidade na condução das operações. Dessa forma, além do maior volume financeiro transacionado, exige melhor remuneração”, explica.
Já no setor de varejo, segundo a especialista, predominam empresas de menor porte, grande capilaridade, elevada necessidade de mão de obra e ocupações voltadas para o atendimento direto ao consumidor, o que demanda menor qualificação técnica. “Além disso, a elevada concorrência entre estabelecimentos varejistas contribui para uma maior contenção dos custos com pessoal, tendo em vista que operam com margens financeiras mais apertadas”, completa.

A economista da Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo de Minas Gerais (Fecomércio MG), Gabriela Martins, acrescenta que dos 10,4 milhões de trabalhadores ocupados pelo comércio formal, no Brasil, neste ano, aproximadamente 7,1 milhões estão no varejo, enquanto o atacado emprega cerca de dois milhões de profissionais de maneira formal.
“Essa elevada capacidade de absorção [de trabalhadores] faz do varejo uma importante porta de entrada para o mercado de trabalho. Muitas funções requerem menor experiência prévia e oferecem treinamento dentro do próprio estabelecimento. Em contrapartida, essa configuração também resulta em maior concentração de postos operacionais, como atendimento a operações de caixa, reposições de mercadorias e apoio às vendas, que tradicionalmente apresentam remuneração inicial”, afirma.
Alta rotatividade é desafio para o varejo
Vaníria Ferrari aponta que a diferença salarial se torna um desafio para o setor varejista. Segundo ela, em um mercado de trabalho mais competitivo, trabalhadores tendem a buscar setores que ofereçam melhores salários, condições de trabalho e oportunidades de crescimento, tornando o atacado uma alternativa naturalmente mais atrativa para diversos perfis profissionais.
“Diante desse cenário, o setor de varejo enfrenta uma alta rotatividade, aumento dos custos de recrutamento e treinamento, além de maior dificuldade para preencher vagas estratégicas”, destaca.
No entanto, a economista pontua que a crescente digitalização do comércio, a expansão do e-commerce, o uso de inteligência de dados e a automação de processos tendem a elevar a demanda por profissionais mais qualificados nos dois segmentos.
Já Gabriela Martins reforça que a pesquisa apresenta médias setoriais, portanto não significa que todos os trabalhadores do atacado recebem salários elevados ou que todas as ocupações varejistas sejam de baixa remuneração. “Dentro de cada segmento, existem diferenças importantes de acordo com a atividade, o tamanho da empresa, a função exercida, a qualificação profissional e também a localização do estabelecimento”, conclui.
Minas Gerais segue como segunda maior força do comércio nacional
A Pesquisa Anual do Comércio do IBGE também revelou que em 2024, o comércio por atacado em Minas Gerais foi responsável por 47,8% da receita bruta de revenda e comissões sobre vendas no Estado, totalizando R$ 396,8 bilhões.
O comércio varejista ficou em segundo lugar, com 43,9% de participação, somando R$ 365 bilhões. Já o segmento de veículos, peças e motocicletas representou 8,3% da receita do setor em Minas Gerais, com R$ 69,1 bilhões.
Minas Gerais manteve-se como a segunda unidade da federação de maior participação no comércio do Brasil, com 9,9% da receita comercial bruta e 10,8% do pessoal ocupado do País, atrás apenas de São Paulo, que lidera o ranking com 28,7% e 29,2% de participações nacionais, respectivamente.
O IBGE realiza, desde 1996, a Pesquisa Anual do Comércio (PAC), que fornece um panorama detalhado das características estruturais do comércio no Brasil. As atividades comerciais são divididas em três grandes segmentos, baseados nas divisões da Classificação Nacional de Atividades Econômicas (CNAE 2.0): comércio de veículos, peças e motocicletas; comércio por atacado; e comércio varejista. Essas atividades são detalhadas e desagregadas em 22 agrupamentos de classes, para ajudar na análise e comparação dos dados.
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