Venda de seminovos e usados avança 6,1% em Minas e abre espaço para carros chineses

Mercado de seminovos e usados no Estado supera 1,3 milhão de unidades vendidas entre janeiro e julho, enquanto veículos chineses ampliam participação e podem chegar a 25% do segmento até 2035
Ouvir a matéria 0:00 / 0:00
Venda de seminovos e usados avança 6,1% em Minas e abre espaço para carros chineses
Foto: Alessandro Carvalho

Impulsionado pela venda de veículos com até três anos de uso e pelos chamados “velhinhos” (acima de 13 anos), o mercado de seminovos e usados em Minas Gerais apresenta crescimento consistente em 2026. Entre janeiro e julho, o segmento superou 1,3 milhão de unidades comercializadas: número 6,1% superior ao mesmo período do ano passado.

Os dados são da Federação Nacional das Associações dos Revendedores de Veículos Automotores (Fenauto). Apenas em julho, foram vendidos 223.274 veículos, 10,8% a mais que no mês de junho, quando foram comercializados 201.600 veículos.

Belo Horizonte, maior mercado do Estado, registrou 57.284 unidades no último mês, atingindo uma média de 2.512 negociações por dia útil. No acumulado do ano, foram registradas 228.866 negociações, um avanço de 6,1% frente a 2025.

Entre os modelos mais vendidos em Minas Gerais, o Volkswagen Gol lidera o ranking, com 11.113 unidades comercializadas, seguido pelo Fiat Palio (7.866) e pelo Fiat Uno (7.333). Na Capital, a liderança também ficou com o Volkswagen Gol (1.960 unidades), posicionando a marca alemã à frente do Fiat Palio (1.957) e do Hyundai HB20 (1.667).

O presidente da Associação dos Revendedores de Veículos no Estado de Minas Gerais (Assovemg), Glenio Junior, destaca a expansão das vendas e o avanço dos veículos seminovos e usados, que vêm ocupando um espaço antes dominado pelos chamados carros populares novos. “Temos dois nichos que cresceram muito. Um deles é o de veículos seminovos, com até três anos de uso, porque muita gente não tem dinheiro para comprar um carro zero. O outro é o de veículos mais antigos, com mais de 13 anos de uso”, afirma.

A alta procura pelos “velhinhos”, segundo ele, é impulsionada ainda pelo suporte de bancos para financiar os modelos. “Hoje, boa parte das financeiras financia carros de até 20 anos, e esse é um mercado que tem crescido bastante”, ressalta o dirigente.

Além da alta procura, a desaceleração gradual da inflação, a manutenção da atividade econômica e o fortalecimento da confiança do mercado contribuem para alavancar o otimismo de setores dependentes de crédito, como o automotivo. O quarto corte consecutivo na taxa Selic, hoje a 14% ao ano, também é celebrado por fomentar o acesso ao crédito e estimular novos investimentos e o consumo das famílias.

Se as perspectivas de mercado continuarem, o dirigente destaca que o mercado de seminovos e usados deve negociar 20 milhões de carros no País até o final do ano. “Se a previsão se confirmar, Minas deve passar de 2,1 milhões de veículos vendidos, 150 mil carros a mais em relação a 2025”, avalia.

Chineses podem representar 25% do mercado de seminovos e usados até 2035

O crescimento do mercado de veículos seminovos também vem acompanhado por mudanças no perfil da frota disponível. Apesar de os modelos a combustão ainda dominarem as negociações, os veículos híbridos e elétricos começam a ganhar espaço nas revendas, movimento impulsionado pela maior oferta e pela chegada de novas montadoras ao mercado brasileiro.

Segundo Glenio Junior, a entrada de marcas chinesas em território nacional é positiva para o setor. Ele explica que já começam a aparecer os primeiros carros chineses usados para venda e eles têm tido uma boa aceitação, especialmente modelos elétricos e híbridos plug-in.

“Hoje, os veículos eletrificados chineses já representam entre 14% e 15% das vendas de carros zero-quilômetro no Brasil. Se esse crescimento de dois dígitos continuar, a estimativa é que, até 2035, eles possam representar cerca de 25% do mercado, considerando tanto veículos novos quanto seminovos elétricos”, detalha o dirigente.

De olho nesse mercado, o setor busca qualificar melhor os empresários e equipes de revenda para esse novo nicho de mercado. “É importante entender melhor sobre as baterias e sobre a manutenção. O mercado está se qualificando para atender bem”, finaliza Glenio Junior.

Sobre o autor

Leonardo Morais

Repórter de economia e negócios do Diário do Comércio, com experiência em jornalismo digital e produção multimídia. Graduado pela PUC Minas, foi premiado com o 2º lugar no Prêmio Sebrae de Jornalismo, Fotojornalismo (2024). LinkedIn: https://www.linkedin.com/in/leomoraisj/

Rádio Itatiaia

Ouça a rádio de Minas