Do jacu à xícara: café expelido por ave custa R$ 1,5 mil o quilo e é produzido em Minas
“Alguns veem o jacu como inimigo, eu o vejo como sócio”. É assim que a cafeicultora Kátia Martins, de Araponga, na Zona da Mata de Minas Gerais, se refere à ave que come e expele o grão que ela produz, resultando em um café que chega a custar R$ 1,5 mil o quilo.
E por que sócio? O sistema digestivo do jacu, pássaro cujo nome, inclusive, vem da língua Tupi e significa ‘ave que se alimenta de grãos’, aproveita apenas a polpa enquanto os grãos permanecem intactos. Porém, ao saírem, esses grãos têm um sabor especial, que é apreciado por muitos consumidores.
Kátia Martins começou a produzir a iguaria em 2023. De lá para cá, são 30 quilos de Café do Jacu vendidos anualmente para o Brasil e para o exterior. Para executar o trabalho, ela conta com o apoio de dez mulheres da região, que coletam o grão extraído e o vendem para a empresária.

“Formamos uma espécie de associação. Todas ganhamos. É uma maneira de garantir que elas tenham seu próprio dinheiro, em uma troca justa”, afirma Kátia Martins.
Produção é trabalhosa e exige cuidados
Kátia Martins completa que, depois de recolhidos, os grãos passam por higienização, secagem, beneficiamento e torra. O resultado é uma bebida de sabor sofisticado, sem amargor, com acidez equilibrada e notas adocicadas, florais e frutadas.
O alto valor do produto, portanto, está ligado ao processo trabalhoso e à exclusividade dos lotes, como explica o supervisor do Programa de Assistência Técnica e Gerencial (ATeG) Café+Forte, Daniel Prado, do Senar Minas.

“A coleta precisa ser feita com rapidez, e o pós-coleta exige cuidado para evitar a proliferação de fungos que possam comprometer a qualidade do café”, encerra.
(Com Faemg)
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