Plano de diversificação busca novos mercados para empresas afetadas pelo tarifaço
Empresas de todo o País poderão ser beneficiadas por uma estratégia de fomento às exportações. A Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (ApexBrasil) apresentou, no último dia 11, em São Paulo, o novo Plano de Diversificação de Exportações, iniciativa que tem como objetivo mitigar as perdas do setor produtivo brasileiro diante das tarifas impostas pelo governo dos Estados Unidos em julho. Detalhado para lideranças de mais de 30 entidades setoriais do País, o projeto tem aporte de R$ 210 milhões.
De acordo com dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex/MDIC), cerca de 5,6 mil empresas brasileiras foram diretamente afetadas pelas novas barreiras comerciais norte-americanas. Com a nova estratégia, a ApexBrasil estima atender até 5,3 mil dessas organizações, distribuídas em 35 setores estratégicos prioritários, que abrangem desde o agronegócio até segmentos da indústria de transformação, higiene, máquinas e equipamentos.
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Apoio inclui feiras, consultorias e negócios
A estratégia da agência se divide em duas frentes: o trabalho em parceria com as entidades setoriais, que irá promover mais de 300 ações; e a atuação direta, por meio da qual a ApexBrasil irá oferecer atendimento individualizado para até 4,7 mil empresas. Esse apoio é dividido nas seguintes modalidades, todas com isenção de taxas de participação para as empresas afetadas pelo tarifaço:
- Reuniões de negócios (2,3 mil vagas): conexão comercial direta com compradores internacionais, por meio de encontros presenciais e virtuais;
- Feiras internacionais (1,4 mil vagas): participação em feiras de setores impactados, com foco em mercados alternativos;
- Consultoria especializada (1,2 mil empresas): atendimento individual e gratuito focado na atuação em novos mercados;
- Bolsa exportação (mil vagas): apoio financeiro direto distribuído ao longo dos próximos 12 meses.
O presidente da ApexBrasil, Laudemir Müller, afirma que uma das propostas do plano é diversificar mercados. A estratégia, segundo ele, é atuar em 36 praças prioritárias. “Vamos levar oportunidades para que essas empresas possam fechar novos negócios e encontrar novos caminhos. É uma ação extraordinária que a agência nunca fez, porque também nunca vivemos um momento tão extraordinário no comércio internacional”, destaca.
A busca por mercados alternativos, no entanto, não significa, para a agência, uma retração nos esforços voltados aos Estados Unidos. “Nós não vamos substituir o mercado americano, vamos continuar trabalhando nos Estados Unidos. O país é um mercado importante. Mas o nosso foco agora é a diversificação, oferecer apoio e socorro às empresas impactadas para minimizar os riscos”, explica.
Como as empresas podem se inscrever?
As inscrições para o Plano de Diversificação de Exportações estão abertas desde o último dia 12. As empresas poderão ingressar no programa diretamente pelo site oficial da ApexBrasil ou por meio das 29 entidades setoriais parceiras, que também farão a ponte com seus associados.
Ao acessar o link no site da entidade, a empresa precisará:
- identificar-se e confirmar que é exportadora para os Estados Unidos e foi impactada pelas tarifas;
- informar o código SH do seu produto, que se refere a uma classificação internacional usada para identificar e organizar mercadorias no comércio exterior;
- indicar sua demanda (ex.: desejo de participar de uma feira internacional específica, necessidade de adequar certificações para determinado mercado, busca por compradores em novos países etc.).
A partir do preenchimento, o sistema de inteligência da ApexBrasil cruza imediatamente a demanda do produto (código SH) com a rede global da agência, aciona os escritórios internacionais e conecta a empresa brasileira diretamente a uma base de mais de 2 mil compradores estrangeiros parceiros.
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Ações são distribuídas por mercados e perfis de produtos
De acordo com a agência, as ações de promoção comercial em mercados alternativos, como Canadá, México, Alemanha, Turquia, África do Sul, Indonésia, Índia e China, foram distribuídas estrategicamente para atender aos diferentes perfis de produtos:
- América Latina: 85 ações;
- Europa: 77 ações;
- Ásia: 46 ações;
- Canadá e México: 23 ações;
- África: 16 ações;
- Oriente Médio: 11 ações.
Müller afirma que as empresas brasileiras vêm sofrendo impactos muito diferentes com as tarifas de exportação impostas pelo governo norte-americano.
“Algumas não têm como escoar os produtos, enquanto outras, cerca de 72% das que estiveram conosco no último ano e exportaram para os EUA, já diversificaram suas exportações. Vamos trabalhar setor a setor, empresa a empresa. É um esforço extraordinário, junto com os nossos parceiros, para defender e proteger as empresas brasileiras afetadas e, principalmente, para mostrar novos caminhos e novos mercados para que elas possam fechar novos negócios”, diz.
Exportações mineiras para os EUA têm queda de mais de 20%
As exportações de Minas Gerais para os Estados Unidos registraram queda de 23,7% no primeiro semestre de 2026 em comparação com o mesmo período do ano passado. O resultado foi puxado principalmente pelo café, principal produto da pauta mineira para o mercado americano, que recuou 34%, somando US$ 642,3 milhões. Os dados são do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC).
No total, os embarques somaram US$ 1,87 bilhão nos seis primeiros meses do ano, frente aos US$ 2,45 bilhões contabilizados no mesmo período de 2025.
Entenda a nova tarifa
Os Estados Unidos decidiram aplicar uma nova tarifa ao Brasil com base na Seção 301 da Lei de Comércio. A sobretaxa de 12,5% foi anunciada em 23 de julho e se soma aos 25% já impostos, também no mês passado, em outra investigação envolvendo produtos brasileiros.
O Brasil integra um grupo de 59 economias atingidas pela medida, cujas tarifas variam entre 10% e 12,5%. De acordo com cálculo realizado pela iniciativa GTA (Global Trade Alert), considerando as duas taxas, o Brasil segue como o segundo país mais afetado pelo tarifaço do governo Trump, atrás apenas da China.
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