Algodão mineiro recupera produtividade e prevê ampliar área em até 10%
A colheita de algodão em Minas Gerais está em fase de finalização. Na atual temporada, o Estado registrou uma área plantada de aproximadamente 40 mil hectares e deve colher 80,6 mil toneladas de algodão pluma em 2026, alta de 5,7%. Com a recuperação da produtividade e preços que garantem rentabilidade, produtores já planejam a próxima safra que deve seguir em crescimento, com ampliação entre 5% e 10%. Diante da possibilidade de um El Niño ao longo da 2026/2027, o que pode afetar a safra de algodão, produtores redobram cuidados com o solo para minimizar possíveis perdas.
Conforme o diretor executivo da Associação Mineira dos Produtores de Algodão (Amipa), Lício Pena, após enfrentar seca na safra 2024/25, na safra atual o setor não registrou problemas climáticos, o que permitiu a recuperação da produtividade.
“Já estamos com cerca de 90% do algodão colhido e a produção foi muito boa. A expectativa para a média estadual é colher 330 arrobas por hectare, o que é excelente e traz rentabilidade ao produtor. A safra em Minas Gerais se desenvolveu muito bem e a qualidade da fibra está excepcional. Com o algodão mineiro é muito bem avaliado tanto pelas indústrias mineiras como para a exportação. Nós plantamos próximo a 40 mil hectares de algodão e conseguimos recuperar a produtividade que tínhamos de outrora”, explicou.
A safra 2025/26 de algodão também foi marcada por preços mais rentáveis, com o cenário de comercialização apresentando melhora em relação ao ano anterior, período que combinou baixa produtividade e preços desfavoráveis para as commodities. Atualmente, a pluma de algodão em Nova York opera acima de 80 centavos de dólar por libra-peso, valor que remunera o produtor.
“Os produtores estão muito atentos ao mercado e para mitigar riscos, utilizam contratos antecipados de venda. Outro diferencial em Minas Gerais é o Proalminas, que garante a venda para a indústria têxtil local com o pagamento de um ágio de 7,85% sobre o preço de referência Cepea/Esalq”, disse.

Com a colheita praticamente finalizada e bons resultados financeiros, a tendência é que a produção de algodão siga em crescimento em Minas Gerais. “Nós estamos crescendo todos os anos paulatinamente e a tendência é manter esse ritmo. Não vamos ter um crescimento grande, mas um crescimento paulatino de 5% a 10% de área todo ano”, observou.
Mais usinas de beneficiamento fortalecem produção no Estado
Outro fator que está favorecendo o crescimento da safra de algodão em Minas Gerais é o aumento do número de usinas beneficiadoras, o que facilita e reduz os custos para os produtores. “O Estado consolidou sua posição como o maior produtor de algodão da região Sudeste do Brasil. Nos últimos dez anos, o número de usinas de beneficiamento em funcionamento saltou de 7 para 18 unidades, acompanhado pelo aumento das áreas irrigadas. É sinal que a produção está consolidada e que o produtor está investindo”, disse.
Ainda segundo Pena, essas usinas estão distribuídas pelo interior, próximas às áreas de cultivo, o que viabiliza a entrada de novos produtores na atividade, agrega valor e geram empregos. Há ainda o caroço de algodão, um subproduto que é direcionado para a alimentação animal em regiões secas.
Prevenção contra o El Niño
Já planejando a próxima safra, o setor tem monitorado com preocupação os possíveis impactos do fenômeno climático El Niño. Conforme Pena, produtores têm adotado medidas de mitigação para enfrentar períodos de veranico em fases críticas da cultura.
“Nós estamos muito preocupados com essa questão climática, o quanto isso vai impactar no nosso negócio e quais as medidas que a gente tem que tomar. A princípio, o produtor está bastante cauteloso. Estamos corrigindo o solo, trabalhando as áreas melhores, fazendo perfil de solo para esperar os veranicos. Nosso objetivo com isso é que a planta tenha raízes suficientes para penetrar mais na terra. Vamos plantar materiais resilientes, que podem enfrentar melhor os veranicos que podem vir com o El Niño em fases críticas da cultura. O produtor está atento e estamos preparados”, destacou.
Brasil lidera exportações de algodão e busca reduzir dependência externa de fertilizantes, afirma ministro André de Paula
Além de Minas Gerais, a produção de algodão também cresce no Brasil e consolidou o País como o maior exportador mundial do produto, ultrapassando pela primeira vez a marca de 3 milhões de toneladas exportadas no último ano. Conforme o ministro da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, André de Paula, para manter a posição, é preciso assegurar a competitividade do setor diante de desafios estruturais, como a dependência interna de fertilizantes.
“Uma cadeia desse tamanho não quer do governo apenas o reconhecimento pelos resultados que já alcançou. Ela quer e tem muita razão em querer respostas para os desafios que afetam a sua competitividade no longo prazo”, disse.
Um dos principais gargalos para a produção agrícola nacional é o abastecimento de fertilizantes, que representam mais de 25% dos custos das culturas agrícolas no País. Atualmente, o Brasil importa mais de 90% dos fertilizantes que utiliza.
“Por isso, estamos trabalhando ao mesmo tempo no presente e no futuro. No curtíssimo prazo, havia uma questão urgente, buscar novos mercados que substituíssem aqueles que foram afetados pelos conflitos geopolíticos. Então, firmamos, no Marrocos, um acordo que resultou no fornecimento de 3,8 milhões de toneladas de fertilizantes fosfatados para a Safra 2026/27. Não é uma promessa para o futuro, é uma resposta para o agora, para hoje, para dar mais segurança e previsibilidade a quem já está produzindo”, frisou.
Além das importações, o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) trabalha na retomada da produção nacional de nitrogenados. Com operações ativas na Bahia, Sergipe e Paraná, e a previsão de início das atividades em Mato Grosso do Sul, o País planeja produzir 35% da ureia consumida internamente.
No âmbito estrutural, o governo aposta na Lei do Profert (Programa de Desenvolvimento da Indústria de Fertilizantes) e no Plano Nacional de Fertilizantes para diversificar fornecedores e reduzir a vulnerabilidade externa. Paralelamente, o mercado de bioinsumos, que movimenta mais de R$ 6,5 bilhões e conta com um portfólio superior a mil produtos biológicos, é apontado como outro vetor de crescimento tecnológico para o setor.
“O algodão brasileiro já mostrou ao mundo do que é capaz, transformou o Cerrado, ganhou produtividade, conquistou mercados e chegou à liderança mundial. E quem já conquistou algo tão grande, não pode pensar pequeno. O próximo salto será maior”, disse.
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