Agro bate novo recorde
O agronegócio de Minas Gerais voltou a superar a própria marca histórica. Em 2025, o setor registrou Produto Interno Bruto de R$ 279 bilhões, o maior valor desde o início da série, em 2010, e equivalente a 24,1% de toda a riqueza produzida pelo Estado. O dado, divulgado pelo governo de Minas durante a abertura da Expomontes, em Montes Claros, confirma uma trajetória que já soma três anos consecutivos de recordes.
O crescimento nominal de R$ 42,6 bilhões em relação a 2024 reflete dois movimentos combinados: a valorização dos produtos do setor, que avançou 16%, e o aumento real de 1,7% no volume produzido. Ainda que os preços tenham puxado boa parte do resultado, o desempenho físico da produção também superou a média da economia mineira, sinal de que o agro segue ganhando eficiência e capacidade produtiva, e não apenas se beneficiando de conjuntura favorável de mercado.
Chama atenção o salto no núcleo primário do complexo agropecuário, a agricultura, a pecuária e a produção florestal, que somou R$ 98,2 bilhões em valor adicionado, um acréscimo expressivo frente aos R$ 69,7 bilhões do ano anterior. Os elos seguintes da cadeia, como agroindústria e serviços associados, também avançaram, embora em ritmo mais moderado, o que indica espaço para que Minas avance na agregação de valor além da porta da fazenda.
Para o noticiário econômico mineiro, o número de 24,1% de participação no PIB estadual é o dado que merece maior destaque. Há uma década, essa proporção girava em torno de pouco mais de 20%. O agro deixou de ser apenas um pilar tradicional da economia de Minas para se tornar, de forma cada vez mais nítida, o motor que sustenta o crescimento estadual em períodos de instabilidade em outros setores.
Os investimentos anunciados em Montes Claros, do Centro de Referência do Cerrado à reforma da unidade regional do IMA, sinalizam ainda uma preocupação que vai além do resultado financeiro: a de qualificar a estrutura de apoio técnico e sanitário que sustenta esse desempenho no longo prazo.
Diante dos números, fica evidente que o desafio de Minas Gerais não é mais provar a relevância do seu agronegócio, mas sim ampliar a agregação de valor dentro do próprio Estado e distribuir de forma mais equilibrada os benefícios desse crescimento entre as diferentes regiões mineiras.
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