Agronegócio

Relatório de sustentabilidade fortalece transparência e competitividade do agro mineiro

Entidade divulga o que considera ferramenta estratégica de negócios, que garante também transparência e segurança jurídica ao setor em MG; cenário global dinâmico requer novas estratégias
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Relatório de sustentabilidade fortalece transparência e competitividade do agro mineiro
Foto: Reprodução Adobe Stock

O agronegócio mineiro deu um passo importante rumo à consolidação da imagem no mercado nacional e internacional. O Sistema Faemg Senar lançou o 1º Relatório de Sustentabilidade, referente às atividades no período de 1º de janeiro à 31 de dezembro de 2025. Mais do que um compilado de dados, o documento foi elaborado como uma ferramenta estratégica de negócios, garantindo transparência, segurança jurídica e competitividade ao setor em Minas Gerais.

O relatório foi elaborado pela Moore Belo Horizonte e a estrutura segue as Métricas do Capitalismo dos Stakeholders, lançadas pelo International Business Council (IBC) do Fórum Econômico Mundial. O documento reúne todos os compromissos e ações do Sistema Faemg Senar nos aspectos ambientais, sociais e de governança (ESG).

O presidente do Sistema Faemg Senar, Antônio de Salvo, destaca que o relatório preenche uma lacuna histórica de comunicação e posicionamento do setor. Para ele, o setor precisa, antes de tudo, ser mais conhecido por todos.

“O agronegócio é um setor que tem uma força econômica muito grande, mas que precisa ser mais bem conhecido pelos mineiros e pelos brasileiros. Então, esse primeiro relatório é para mostrar que o setor, além de ser uma alavanca de progresso e de riqueza em Minas Gerais, também trabalha com o ESG de forma correta nos três pilares fundamentais da sustentabilidade, do social e do econômico. Esse relatório mostra que nós estamos trabalhando de forma correta para dar transparência e continuidade ao que está sendo feito dentro do setor agropecuário mineiro e, consequentemente, brasileiro”, explicou.

Antônio de Salvo
Para o presidente do Sistema Faemg Senar, Antônio de Salvo, documento funciona como “escudo” técnico e diplomático para exportadores | Foto: Diário do Comércio / Michelle Valverde

Ainda segundo Salvo, em um cenário global dinâmico e altamente competitivo, o agronegócio brasileiro frequentemente enfrenta barreiras comerciais, muitas vezes sob justificativas ambientais, trabalhistas ou sanitárias, como as recentes discussões na União Europeia (UE) sobre restrições a microrganismos na carne bovina. Dessa forma, o relatório funciona como um escudo técnico e diplomático para os exportadores.

“Nós vamos ter muita transparência no que nós estamos fazendo e mostrar que fazemos de forma correta, de forma saudável, de forma sustentável. Temos que estar organizados, e esse relatório talvez seja o primeiro pontapé para que, em Minas Gerais, a gente mostre que o setor está trabalhando da forma mais correta possível e comece a desmistificar esses mitos que se tem, de uma forma geral, e muitas vezes descoordenada sobre o nosso setor. Desmatamos, não. Acabamos com a água, não. Pelo contrário, produzimos água”, disse.

Avanços práticos e produtividade aliada à preservação

Salvo ainda destacou que o agronegócio vem crescendo de forma pujante por meio da maior eficiência, das pesquisas, da inovação, da capacitação e do manejo correto, o que alavanca a produtividade e permite ampliar os volumes sem abertura desordenada de novas áreas, respeitando os limites ambientais dentro das propriedades privadas.

“Com tecnologia e sustentabilidade, estamos avançando. Uma fazenda que produzia 20, 30 sacas de soja anos atrás produz, hoje, 40, 50, 60, 70 na mesma área. As fazendas que tinham 500 cabeças, hoje tem 1 mil com mais de 25% da área preservada. Nós estamos fazendo o correto”.

Outro destaque do relatório é o balanço das ações de capacitação voltadas à conservação de recursos naturais. Um dos exemplos é o Programa Nosso Ambiente, que tem como principal objetivo capacitar o produtor rural para atuar como um guardião dos recursos hídricos.

Conforme a gerente de Sustentabilidade do Sistema Faemg Senar, Mariana Ramos, o programa é fundamental para os produtores minimizarem os efeitos climáticos adversos, como o El Niño.

“Desde 2015, ano marcado por um forte El Niño, o Sistema Faemg Senar já capacitou mais de 51 mil pessoas em técnicas essenciais de conservação de solo e água. Entre as práticas adotadas estão a construção de barragens de captação de água, terraços para controle da velocidade da água e infiltração no solo, além da recuperação de matas ciliares para evitar o assoreamento de rios”.

Resultados alcançados pelas ações do Sistema Faemg Senar

Treinamento e Capacitação: em 2025, mais de 200 mil pessoas foram treinadas em cursos de formação profissional rural.

Assistência Técnica e Gerencial (Ateg): 55 mil produtores atendidos
– Na pecuária de leite, a assistência gerou um aumento de 21% na renda média do produtor atendido em comparação ao não atendido.
– Na cafeicultura, houve um aumento de 26% na renda média do produtor atendido em comparação ao não atendido.

Restauração Ambiental: foram restaurados 583 hectares de Áreas de Preservação Permanente (APP) e Reserva Legal.

Recuperação de Pastagens: 555 hectares de pastagens degradadas.

Participação Feminina: Atualmente, existem 54 núcleos de Faemg Mulher em atuação.

Sobre o autor

Michelle Valverde

Repórter do Diário do Comércio desde 2009. Graduada em Jornalismo pela Newton Paiva.

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