Agronegócio

Projeto da planta de amônia está cada vez mais difícil de sair do papel

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Projeto da planta de amônia está cada vez mais difícil de sair do papel
O projeto em Uberaba foi abandonada pela Petrobras em 2015, com a paralisação das obras em julho daquele exercício - Divulgação

Embora a Petrobras tenha adiado a hibernação das fábricas de fertilizantes do Sergipe e da Bahia, o prefeito de Uberaba, no Triângulo Mineiro, Paulo Piau, avaliou a decisão da estatal brasileira de deixar o mercado de fertilizantes como um equívoco. Para Piau, medidas como a paralisação das unidades e o abandono do projeto de instalação de uma planta de amônia no município mineiro por parte da companhia deixarão o País ainda mais dependente do mercado internacional.

“Não é nada benéfico para a economia de um país, cuja principal pauta econômica está no agronegócio, que ele se torne ainda mais dependente da importação de fertilizantes. Se o Brasil tem hoje cerca de 75% destes insumos vindos do exterior, com o fechamento das unidades da Fafen-SE e Fafen-BA, este número poderá superar os 90%”, alertou.

Por meio de nota, a estatal informou que continua com a avaliação de alternativas à hibernação. E que está em contato com representantes dos governos e federações das indústrias. Disse que “se faz necessário este tempo adicional para a conclusão da análise das alternativas à hibernação, desde que mantidos os níveis mínimos de rentabilidade”.

“Dentre estas alternativas consta um possível processo de arrendamento das fábricas a terceiros”, acrescentou a Petrobras, completando que futuros passos no desenvolvimento das análises serão comunicados ao mercado.

Anteriormente, a petrolífera havia informado que concluiria a hibernação das unidades até hoje (31 de outubro), em um processo que se arrasta desde o começo deste ano.

Inicialmente, esperava-se que a hibernação ocorreria até o fim do primeiro semestre, data que depois passou para 31 de outubro. Agora ficou para 31 de janeiro do ano que vem.

Já a instalação da planta de amônia em Minas Gerais, até então, único grande projeto da estatal no Estado, foi abandonada pela Petrobras em 2015, com a paralisação das obras do empreendimento em julho daquele exercício.

Iniciados em 2014, os trabalhos foram suspensos com cerca de 30% de execução mediante custo de R$ 1,2 bilhão. O projeto total previa inversões de mais de R$ 2 bilhões e a previsão inicial era que a conclusão das obras ocorresse no ano passado.

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Dilapidação – “O que fizeram com a planta de amônia de Uberaba foi um erro primário, uma irresponsabilidade. Tínhamos um ativo grande, um projeto promissor. Recursos foram aplicados na fundação, na estrutura e compra de equipamentos e posteriormente, deixados de lado. O mesmo agora acontecerá com as demais unidades de fertilizantes. Isso é dilapidação de patrimônio público”, denunciou o prefeito de Uberaba.

Sobre a unidade mineira, num primeiro momento, a Petrobras informava que a unidade se manteria em fases de hibernação. Paralelamente, a estatal admitia também que estudava outras opções para viabilizar a conclusão do projeto. Algum tempo depois, porém, a petrolífera iniciou processo para a venda de suas subsidiárias, incluindo os equipamentos da Unidade de Fertilizantes Nitrogenados V – como foi batizado o projeto do Triângulo.

Assim, a prefeitura tomou para si a implantação do empreendimento e, há alguns meses, encomendou estudo de viabilidade econômica para a Fundação Getulio Vargas (FGV). De acordo com Piau, desde então, três relatórios parciais já foram entregues e a versão final será concluída em novembro. “Já sabemos que o negócio é viável e a partir das informações finais iremos atrás de possíveis investidores. A expectativa é que ainda em 2018 consigamos alguma negociação”, avaliou. (Com agência Reuters)

Sobre o autor

Mara Bianchetti

Editora do Diário do Comércio. Graduada em Jornalismo pela Newton Paiva, com especialização em Jornalismo em Ambientes Digitais pelo UniBH. Premiada entre os jornalistas mais admirados da imprensa de Economia, Negócios e Finanças. LinkedIn: https://www.linkedin.com/in/marabianchetti/

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