Setor leiteiro cobra medidas contra importações e defende união na Megaleite
Representantes da cadeia produtiva do leite reforçaram a necessidade de união entre produtores, indústrias e entidades de classe para enfrentar os desafios que ameaçam a competitividade da atividade no Brasil. O posicionamento foi defendido durante a 21ª edição da Megaleite, principal evento da pecuária leiteira da América Latina, que acontece até o dia 6 de junho, em Belo Horizonte. O evento também serviu de palco para críticas à decisão do governo federal de não aplicar medidas tarifárias sobre as importações de leite em pó provenientes da Argentina e do Uruguai, mesmo após a comprovação de práticas de dumping.
O presidente da Associação Brasileira dos Criadores de Girolando (Girolando), entidade organizadora da Megaleite, Alexandre Lacerda, destacou que o leite está presente diariamente na mesa de milhões de brasileiros e representa uma importante fonte de proteína e cálcio. Ele ressaltou também que a relevância vai muito além da alimentação, já que a cadeia leiteira movimenta a economia, gera empregos, mantém famílias no campo e impulsiona o desenvolvimento de milhares de municípios em todo o País.
“Milhões de pessoas dependem direta ou indiretamente da atividade, que se consolidou como uma das mais importantes do agronegócio brasileiro. A atividade é desenvolvida por milhares de produtores rurais que investem em genética, tecnologias e inovação. Com isso, a pecuária de leite avança com ganhos em produtividade, melhor utilização dos recursos disponíveis, reduzindo custos e ampliando a sustentabilidade da atividade”.
Apesar dos avanços, o setor enfrenta desafios significativos. Entre eles, a crescente entrada de leite em pó importado, principalmente, da Argentina e do Uruguai, e a falta de ação do governo federal em aplicar sanções mesmo após reconhecer a existência de práticas de dumping. A decisão de não aplicar tarifas ou medidas compensatórias gerou forte insatisfação entre os produtores brasileiros. A avaliação é de que a medida enfraquece a competitividade da produção nacional justamente em um momento de altos custos de produção e margens apertadas nas propriedades rurais.
“Não estamos falando de concorrência justa. Estamos falando de produtos que chegam ao mercado brasileiro em condições que comprometem a competitividade do produto nacional. A situação do dumping é mais ou menos assim: entraram na minha casa, roubaram minhas coisas, mas não vão prender ninguém porque temos que pensar se isso vai fazer mal para os outros. Não é cabível”, explicou Lacerda que defende a adoção de mecanismos de proteção comercial previstos nas regras internacionais quando houver comprovação de práticas desleais de mercado.
O presidente do Sistema Faemg Senar, Antônio Pitangui de Salvo, na abertura da Megaleite, também criticou a decisão do governo federal em não taxar as importações desleais de leite.
“Chega a ser inacreditável, quando você faz um diagnóstico extremamente técnico, longo, com mais de 400 páginas de defesa técnica, provando que nós estamos disputando um comércio desleal, de formas desiguais e não é feito nada. Nos causou total estranheza a não implantação imediata dessas tarifas”.
O presidente do Sistema Faemg explica ainda que a Universidade Federal de Viçosa (UFV) fez um estudo que mostrou que se as importações fossem 100% suspensas, não haveria impactos na inflação. “A gente entende, se não tem risco inflacionário, que não tem vontade de resolver os problemas. Vamos continuar pressionando porque temos o diagnóstico e queremos a solução”.
Diante do problema que pode causar a saída de produtores da atividade devido ao comprometimento financeiro e aproveitando a presença de autoridades, políticos e produtores de todo o País na Megaleite, Salvo defendeu que a união entre todos setores do agronegócio será fundamental para enfrentar os desafios atuais e garantir o crescimento do setor nos próximos anos.
“Os setores do agronegócio de Minas Gerais estão unidos. Mexeu com um, mexeu com todos. Nós não vamos mais trabalhar separados”.
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