MG exportou US$ 23 milhões em aves e mel à UE em 2026; resultado de auditoria do bloco abre caminho para retomada

Relatório considerou satisfatórios os controles sanitários e os procedimentos oficiais adotados pelo Brasil
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MG exportou US$ 23 milhões em aves e mel à UE em 2026; resultado de auditoria do bloco abre caminho para retomada
Foto: Divulgação Embrapa

A conclusão da auditoria sanitária da União Europeia (UE) nas cadeias brasileiras de carne de aves e mel é vista pelo Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) como um sinal positivo para a retomada das exportações desses produtos para o bloco europeu. A informação foi divulgada nesta sexta-feira (4) pela pasta, após a conclusão da inspeção que vinha sendo realizada no país desde 24 de agosto. De janeiro a julho deste ano, Minas Gerais exportou US$ 20 milhões em carne de frango e US$ 3 milhões em mel para a UE.

Segundo o Mapa, o relatório considerou satisfatórios os controles sanitários e os procedimentos oficiais adotados pelo Brasil, o que representa um avanço no processo de reinclusão do País na lista de fornecedores autorizados a exportar aves e mel para os 27 países-membros.

A divulgação ocorre um dia após a suspensão da entrada de novas cargas brasileiras de produtos de origem animal na União Europeia. Além de aves e mel, a medida envolve carne bovina, suína, pescados e ovos. Desde a decisão adotada pelo bloco em 12 de maio, o governo brasileiro mantém diálogo político e técnico com as autoridades europeias e implementou medidas para atender aos requisitos apresentados.

Em Minas Gerais, o impacto potencial dos produtos sob atenção chega a aproximadamente US$ 64 milhões nas exportações realizadas de janeiro a julho, conforme levantamento da Secretaria de Estado de Agricultura, Pecuária e Abastecimento de Minas Gerais (Seapa). O valor considera cerca de US$ 35 milhões em carne bovina, US$ 20 milhões em carne de frango, US$ 6 milhões em produtos como tripas, bexigas e estômagos e US$ 3 milhões em mel.

Auditoria aprova controles de aves e mel

A avaliação das autoridades europeias é o principal desdobramento anunciado pelo Mapa nesta sexta-feira (4). Durante a missão, as equipes técnicas visitaram estabelecimentos produtivos e órgãos oficiais e verificaram, em campo, a estrutura e o funcionamento do sistema oficial de defesa agropecuária brasileiro. Com a conclusão de que os procedimentos do Brasil são satisfatórios, agora a pasta vai avançar para a próxima etapa do processo de reinclusão.

Conforme o ministro da Agricultura e Pecuária, André de Paula, os próximos passos dependem das etapas burocráticas necessárias para a retomada. “Agora é esperar o processo burocrático, mas muito rapidamente nós vamos ver o Brasil de volta à lista dos fornecedores de aves e de mel para a União Europeia”, pondera.

Café concentra exportações mineiras para a UE

Apesar da relevância dos produtos atingidos, o impacto da medida sobre a pauta agropecuária de Minas Gerais é limitado pela forte concentração das exportações para a União Europeia no café. De janeiro a julho, Minas Gerais exportou US$ 2,6 bilhões em café para o bloco europeu. O produto respondeu por 87% da pauta agropecuária mineira destinada à União Europeia no período.

“Essa restrição afeta somente 2% da pauta mineira. No entanto, é um ponto de atenção, porque a União Europeia é um mercado exigente, que abre portas. Se Minas Gerais exporta para a UE, consequentemente, consegue exportar para qualquer outro lugar do mundo”, avalia a assessora técnica da Seapa Manoela Teixeira.

A capacidade de redirecionar a produção para outros mercados também é apontada como um fator de resiliência do agronegócio mineiro. Segundo Manuela, Minas Gerais já enfrentou situações de restrições decorrentes tanto de questões sanitárias quanto de conflitos.

“O Brasil e, principalmente, Minas Gerais vêm sabendo lidar com episódios de restrições, seja por questões sanitárias, exigências, como também a questão de guerra. O Estado já elaborou uma forma de lidar com essas questões por meio de redirecionamentos e renegociações de contratos”, observa.

Com informações do Mapa

Sobre o autor

Ana Luisa Sales

Repórter do Diário do Comércio desde 2025, graduada em jornalismo pela UFMG e especialista em ESG e sustentabilidade corporativa pela FGV.

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