Cadeia de carnes impulsiona desempenho do agronegócio mineiro em 2025
Pilar da economia mineira, o agronegócio de Minas Gerais segue em expansão e um dos principais destaques é a cadeia de carnes, especialmente a bovinocultura de corte. No ano passado, conforme o Relatório Executivo do Agronegócio de Minas Gerais 2025, elaborado pela Secretaria de Estado de Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Seapa), a bovinocultura de corte registrou evolução consistente, com um Valor Bruto da Produção (VBP) que alcançou R$ 18,1 bilhões, crescimento de 14% em relação ao ano anterior.
Para 2026, apesar dos desafios, as expectativas são positivas e a tendência é que o setor de carnes siga em crescimento e alavancando os resultados do agronegócio estadual. Conforme o relatório da Seapa, assim como na bovinocultura, suinocultura e avicultura de corte também apresentaram desempenhos positivos em 2025, acompanhando a demanda por proteínas e evidenciando a diversificação e a eficiência produtiva do setor. No período, o VBP da produção de frango chegou a R$ 8,3 bilhões, alta de 5%, e o VBP da carne suína a R$ 7,8 bilhões, com alta de 12%.
O subsecretário de Política e Economia Agropecuária da Seapa, Gilson Sales, destaca que o cenário de 2025 para a carne foi bastante positivo: “O resultado positivo se deve a algumas questões. Primeiro, o fortalecimento da demanda internacional, sobretudo da Ásia e do Oriente Médio. Além disso, o reconhecimento sanitário internacional do Brasil e de Minas Gerais como área livre de febre aftosa sem vacinação, favorece os embarques do setor”.
Outros fatores que contribuíram para o resultado positivo em 2025 e serão importantes para consolidar ainda mais os resultados do setor de carnes são a diversificação de mercados compradores e a agregação de valor aos produtos exportados.
“Os embarques de carne têm se destacado pela agregação de valor, além disso, houve aumento dos preços internacionais em função das diversas mudanças e situações geopolíticas que ocorrem no mundo inteiro”, explica Sales.
O desempenho da cadeia no comércio exterior em 2025 foi positivo. Os dados da Seapa mostram que as exportações de carne bovina somaram US$ 1,39 bilhão, com crescimento de 22,4% em relação ao ano anterior. O avanço ocorreu em um contexto de forte dinamismo do mercado global, marcado pela consolidação do Brasil como maior produtor mundial de carne bovina, superando, pela primeira vez, os Estados Unidos, e pela abertura de 19 novos mercados para o produto e seus derivados.
Sales destaca que o avanço no mercado externo é resultado do bom trabalho desenvolvido pelos produtores de Minas Gerais.
“O produtor mineiro trabalha com qualidade, com tecnologia, com sustentabilidade, com certificação. Isso faz com que os mercados confiem na carne de Minas Gerais. Nós temos capacidade de oferecer uma carne de qualidade e com regularidade de oferta”.
Com os diferenciais, a carne bovina registrou, em 2025, valorização no mercado externo, com aumento de 16,7% no valor médio exportado em US$/tonelada. Minas Gerais detém, ainda, o sexto maior rebanho bovino do País.
O produto tem forte atuação na composição dos resultados do agronegócio mineiro. Conforme os dados da Seapa, em 2025, a agropecuária mineira atingiu VBP recorde de R$ 167,8 bilhões, avanço de 13,5% frente a 2024, com destaque para o desempenho das lavouras e da pecuária, que cresceram de forma complementar.
O desempenho do setor está associado à combinação entre ganhos de produtividade, diversificação das cadeias produtivas e capacidade de adaptação às condições de mercado. Esses fatores têm permitido ao agronegócio mineiro manter trajetória de crescimento sustentável e ampliar sua relevância econômica no Estado.
Minas Gerais mantém otimismo para cadeia de carnes em meio a cenário global desafiador
Para 2026, conforme a Seapa, o cenário internacional segue desafiador para o agronegócio mineiro, exigindo atenção às dinâmicas de mercado e aos custos de produção. Ainda assim, a pecuária mineira tende a manter sua relevância, apoiada na eficiência produtiva, na organização das cadeias e na capacidade de adaptação às demandas do mercado.
“A nossa expectativa para 2026 é muito positiva. O Brasil já é o maior exportador de carne do mundo e Minas Gerais representa uma parcela importante. Com o reconhecimento sanitário e a demanda internacional aquecida, esperamos bons resultados”, revela o subsecretário de Política e Economia Agropecuária da Seapa, Gilson Sales.
Até o momento, os embarques do grupo das carnes, em Minas Gerais, seguem positivos. Dados da Seapa mostram que, entre janeiro e março, as exportações do grupo das carnes somaram 117 mil toneladas, 2% a mais em relação a igual período do ano passado. Com o maior volume embarcado, o faturamento, US$ 419 milhões, cresceu 8,7%. Entre as principais proteínas exportadas, o faturamento da carne bovina subiu 10,1%, gerando receita de US$ 295,6 milhões.
No trimestre, as exportações de frango movimentaram US$ 97,06 milhões, alta de 2,4%, e os embarques da carne suína movimentaram uma receita de US$ 22,4 milhões, crescimento de 24,7%.
Entre os desafios a serem enfrentados estão a restrição imposta pela União Europeia, que excluiu o Brasil da lista de países que cumprem suas regras contra o uso excessivo de antimicrobianos na pecuária. Além disso, o Brasil preencheu, até abril, 55,4% de sua cota anual de exportação de carne bovina para a China sem tarifa de 55%.
Sales avalia que o impacto da decisão da União Europeia, a princípio, não será muito relevante nos embarques mineiros, isso porque o volume destinado ao mercado representa cerca de 1,5% das exportações de carne de Minas Gerais.
“Para Minas Gerais, a baixa representatividade da União Europeia nas exportações de carne minimiza o risco imediato, embora a situação exija atenção. A suspensão da importação de produtos de origem animal do Brasil pela União Europeia pode ocorrer somente a partir de setembro e merece acompanhamento, mas, o Brasil tem cumprido integralmente os protocolos sanitários e acredito que isso será solucionado”.
Sales reforça que os principais parceiros comerciais do Estado para carne continuam sendo China, Estados Unidos e Oriente Médio. A China, no entanto, é apontada como um ponto de atenção devido aos desafios da cota.
Há ainda os desafios geopolíticos, como as guerras em andamento entre Rússia e Ucrânia e no Estreito de Ormuz, envolvendo Estados Unidos e Irã, que podem levar ao aumento do preço dos combustíveis e, consequentemente, da logística e do preço final dos produtos.
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