PIB de Minas Gerais cresce 1,4% e fecha 2025 em R$ 1,1 trilhão
O Produto Interno Bruto (PIB) estimado de Minas Gerais encerrou 2025 em R$ 1,157 trilhão, com crescimento real de 1,4% na comparação com o ano anterior. De acordo com a Fundação João Pinheiro (FJP), a agropecuária, as indústrias extrativas e de transformação, o comércio e o transporte estão entre os setores que contribuíram para esse resultado.
Além desses, os demais serviços e a administração pública também tiveram participação no desempenho da economia mineira. O estudo mostra que esses segmentos ajudaram a compensar a retração nas atividades de energia e saneamento e na indústria da construção registrada ao longo do ano passado.
O pesquisador e professor da FJP Raimundo Leal destacou que o desempenho foi surpreendente, já que o segundo semestre do ano passado foi marcado por forte desaceleração em setores importantes. “Apesar disso, no acumulado do ano, nós fechamos com um crescimento relativamente favorável”, avaliou.
O montante obtido no Estado corresponde a um aumento de 9,1% em relação ao valor nominal alcançado em 2024 (R$ 1 trilhão). Isso porque o valor nominal não considera a inflação, diferentemente do crescimento real. O especialista explicou que essa variação pode ser decomposta em uma parte referente ao crescimento de bens e serviços produzidos em Minas e outra à elevação geral dos preços na economia.
De acordo com Leal, esse número foi substancialmente maior que o apresentado em todo o Brasil e que a variação da inflação calculada pelo Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA).
Já a participação do Estado no PIB nacional foi de 9,1% em 2025. O especialista destaca que este é o melhor resultado nos últimos quatro anos. Em 2022 e 2024, a participação era de 9% e em 2023 de 8,9% do total registrado no Brasil. “Nós podemos falar com convicção que foi um resultado positivo”, declarou.
Resultados positivos na agropecuária e na indústria mineira

Entre os setores analisados, a agropecuária apresentou valor adicionado bruto (VAB) estimado em R$ 98,2 bilhões, o que representa uma expansão real de 3,2% no período. Apesar de retrações nos dois últimos trimestres, o desempenho do setor ao longo do exercício foi positivo em termos de índice de volume.
Isso porque, apesar das menores colheitas das safras de café, feijão e cana-de-açúcar, o resultado foi compensado pela maior produção de soja, milho, batata-inglesa, leite, abate de suínos, ovos e insumos para a fabricação de papel, celulose e metalurgia.
O pesquisador da fundação pontua que o desempenho da agropecuária ficou dentro do esperado para o período. O grande destaque foi o fato de Minas ter obtido resultado positivo mesmo com a ligeira queda na produção do café, principal cultura da região.
Além disso, Leal mencionou o resultado favorável da produção florestal no Estado no ano passado, que também contribuiu para o crescimento do valor adicionado da agropecuária.
Já o VAB das atividades industriais foi estimado em R$ 278,1 bilhões em 2025. As indústrias extrativas aumentaram o volume de valor adicionado em 3,1% em relação ao ano anterior.
Leal destacou que um dos fatores que contribuíram para o bom desempenho, não apenas da indústria, mas do PIB estadual, foi o aumento substantivo da produção de minério de ferro da Vale nos sistemas Sul e Sudeste ao longo do quarto trimestre do ano passado.
“Esse desempenho foi extremamente favorável, muito além do que nós estávamos prevendo. Isso foi o suficiente para que o resultado agregado das indústrias extrativas fechasse no positivo”, afirmou.
Para o professor, a contribuição da agropecuária e da indústria extrativa foi de grande relevância para o resultado geral de Minas Gerais.
Quanto às indústrias de transformação, o avanço foi de 0,6% na comparação anual, com forte crescimento na fabricação de papel e celulose e aumento na produção física de máquinas e equipamentos e de veículos automotores. As indústrias metalúrgica e alimentícia também tiveram contribuição para o resultado agregado.
Construção e demais setores em Minas Gerais

No caso do setor de construção, o estudo demonstra uma variação negativa de 2,2% no período, com contração nos segmentos de obras, infraestrutura e edificações. Por outro lado, o setor de serviços – responsável por aproximadamente dois terços da economia do Estado – fechou 2025 com crescimento real de 1,6%, registrando VAB estimado em R$ 635,6 bilhões.
No comércio, a geração de valor adicionado real teve crescimento de 1,7% no exercício, com destaque para o aumento no volume de vendas no segmento de artigos farmacêuticos, médicos, ortopédicos, de perfumaria e cosméticos. Além disso, os serviços de transporte no Estado apresentaram expansão no volume de valor adicionado de 2,3%, e a administração pública cresceu 0,5% no período.
O grupo dos demais serviços da economia mineira apresentou incremento de 2,1% em 2025, com destaque para as atividades imobiliárias e os serviços financeiros, de informação e comunicação. Esses dois segmentos compensaram o desempenho negativo das atividades turísticas e dos serviços de alojamento e alimentação em Minas.
O pesquisador e professor da FJP ressalta que, apesar do crescimento mais tímido, esse grupo possui participação muito relevante no desempenho da economia local, respondendo por um terço do total.
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