Agronegócio

Cafés diferenciados devem impulsionar setor em 2020

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Cafés diferenciados devem impulsionar setor em 2020
Entre os principais compradores do café especial produzido em Minas estão Estados Unidos, Alemanha, Japão e Itália - Crédito: José Gomercindo/ANPr

Carro-chefe do agronegócio mineiro, o café deve atingir a marca de pelo menos 58 milhões de sacas em 2020. O ano será de safra cheia, mas a expectativa de especialistas é de que não haja quedas significativas nos preços de mercado, uma vez que os estoques mundiais estão em baixa.

Em 2019, Minas produziu cerca de 24 milhões de sacas do grão. O recuo é de quase 30% em relação ao ano passado, o que não retira o Estado do posto de principal produtor do País, respondendo por metade de todo o café colhido em território brasileiro.

Nicho – Com o crescimento do nicho de cafés diferenciados – com qualidade superior ou certificado de práticas sustentáveis – as possibilidades de recuperação do setor também se ampliam. Quase 7 milhões de sacas do produto foram exportadas nos 11 primeiros meses de 2019, segundo o Conselho dos Exportadores de Café do Brasil (Cecafe).

“O volume representa 18,6% de participação no total do grão exportado neste ano (sem contar, ainda, o mês de dezembro) e um crescimento de 23,4% na comparação com o mesmo período do ano anterior. Já a receita cambial foi de US$ 1,1 bilhão no período, representando 23,5% do total da receita gerada pelo Brasil com as exportações realizadas em 2019”, destaca o relatório.

Assessor técnico especial do café na Secretaria de Estado de Agricultura, Pecuária e Abastecimento de Minas Gerais (Seapa), Niwton Moraes afirma que a mudança no perfil produtivo do País vem ganhando força há duas décadas.

“Chegamos a um patamar interessante de exportação desse café diferenciado porque o preço é pelo menos 15% superior ao valor do café commodity, podendo custar até o dobro. Vale lembrar que a qualidade não tem tanta vinculação com a variedade, mas, sim, com a condição climática, a altitude e o zelo do produtor com a colheita”, analisa.

Mercado externo – Estados Unidos, Alemanha, Japão, Itália, Bélgica, Canadá, Reino Unido, Suécia, Finlândia e Espanha já importam a maioria do café especial produzido em Minas. E a demanda crescente não se dá por acaso: a procura está ligada ao movimento internacional conhecido como a “quarta onda do café”, ou seja, momento em que a forma de consumo da bebida se transforma em uma experiência sensorial e o produto passa a ser mais valorizado.

“Na primeira onda, o estímulo era para aumentar o volume consumido no mundo. Na segunda, nasce a ideia de qualidade com a escala de classificação internacional. Na terceira, surge o consumo em mono doses, como as cápsulas, além da venda direta do produtor para o varejista”, explica o especialista.

Agora, reforça Moraes, as pessoas não querem apenas beber o café, mas experimentar as notas de aroma e sabor do produto. “Da mesma forma, o ambiente aconchegante das cafeterias e a história por trás do cultivo, com informações sobre a colheita e o terroir da região produtora, fazem toda diferença. Em síntese, saímos da preocupação com o volume para o foco na qualidade”, conclui Moraes. (Com informações da Agência Minas)

Sobre o autor

Mara Bianchetti

Editora do Diário do Comércio. Graduada em Jornalismo pela Newton Paiva, com especialização em Jornalismo em Ambientes Digitais pelo UniBH. Premiada entre os jornalistas mais admirados da imprensa de Economia, Negócios e Finanças. LinkedIn: https://www.linkedin.com/in/marabianchetti/

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