Exportações do agro de Minas recuam 9,6% com queda do café, mas soja compensa perdas
As exportações do agronegócio de Minas Gerais movimentaram US$ 8,96 bilhões ao longo do primeiro semestre, com o embarque de 8,4 milhões de toneladas de variados produtos. Com o resultado, foi registrada queda de 9,6% no faturamento e de 3% no volume embarcado, frente a igual período do ano passado. Conforme os dados da Secretaria de Estado de Agricultura, Pecuária e Abastecimento de Minas Gerais (Seapa), mesmo com o recuo, Minas Gerais permaneceu como o terceiro maior estado exportador do agronegócio brasileiro, atrás de Mato Grosso e São Paulo.
Entre janeiro e junho, Minas Gerais respondeu por aproximadamente 10,3% das exportações nacionais do setor. O agronegócio mineiro exportou para 166 países, sendo que a China permaneceu como o principal mercado, seguida pelos Estados Unidos, Alemanha, Itália e Japão.
Entre os produtos mais embarcados, o café permaneceu em destaque, representando 50,1% da receita total do agronegócio estadual. Ao longo do primeiro semestre, as exportações do grão chegaram a US$ 4,48 bilhões, uma queda de 18,3%. Em volume, foram 646 mil toneladas, retração de 21,6% em relação ao primeiro semestre de 2025.
No Informativo Conjuntural – Julho de 2026, a assessora técnica da Seapa, Manoela Oliveira, explica que a redução vista nas exportações de café, ocorreu devido à menor disponibilidade de café após elevados volumes comercializados em ciclos anteriores e aos efeitos climáticos sobre a produção e os estoques. “Apesar da menor quantidade embarcada, o valor médio do café exportado cresceu cerca de 4,2%, passando de aproximadamente US$ 6.662 para US$ 6.939 por tonelada”, explicou.
Complexo soja compensa parte das perdas
Ao contrário do café, os embarques do complexo soja cresceram, sendo um fator importante de compensação para a queda registrada no café. Ao todo, Minas Gerais exportou 5,04 milhões de toneladas de produtos, 2,5% a mais. A venda dos produtos do complexo para o exterior movimentou uma receita de US$ 2,1 bilhões, alta de 10,2%.

“O complexo soja ocupou a segunda posição entre os principais grupos exportados pelo agronegócio. O resultado foi favorecido pela disponibilidade do produto, pela demanda internacional e pela manutenção da China como principal mercado para a soja brasileira e mineira. O crescimento da receita em ritmo superior ao volume também indica melhora do valor médio das vendas externas”.
Carnes registram crescimento nas vendas externas
Entre janeiro e junho, os embarques do grupo das carnes somaram US$ 943,3 milhões em receita, com um volume de 247,3 mil toneladas, representando, assim, alta de 13,4% em faturamento e de 3,7% em volume.
A carne bovina seguiu como principal produto do segmento, faturando US$ 678,5 milhões. Embora o volume tenha caído 3,9%, a receita aumentou 12,9%, devido a uma elevação de 17,4% no valor médio por tonelada.
A exportação de carne de frango alcançou US$ 210,8 milhões, com aumentos de 14,4% no valor e 8,6% no volume (102,7 mil toneladas). A carne suína registrou crescimento mais expressivo em volume, com alta de 32%, e um aumento de 21% na receita (US$ 45,8 milhões).
No relatório, Manoela destaca que o desempenho registrado no grupo das carnes demonstra a continuidade da demanda internacional por proteínas animais. “No caso da carne bovina, o aumento da receita, mesmo com redução do volume, indica condições comerciais mais favoráveis e maior valorização do produto exportado. A ampliação dos entendimentos sanitários com importantes parceiros comerciais, somada ao reconhecimento internacional do Brasil como país livre de febre aftosa sem vacinação, fortalece a credibilidade sanitária nacional, a abertura e a consolidação de mercados para essas proteínas”, disse.
Complexo sucroalcooleiro e produtos florestais recuam
Conforme os dados da Seapa, as exportações do complexo sucroalcooleiro somaram US$ 538,6 milhões e aproximadamente 1,47 milhão de toneladas, o que, na comparação com o primeiro semestre de 2025, mostra redução de 29,1% no valor e de 11,2% no volume. O valor médio recuou cerca de 20,2%, indicando que a retração da receita esteve relacionada, sobretudo, à queda da remuneração média dos produtos exportados.
Queda também foi registrada nos embarques de produtos florestais. A receita chegou a US$ 513,7 milhões, 2,8% inferior. Ao todo, foram 878,9 mil toneladas exportadas, aumento de 3,6%.
Ouça a rádio de Minas