Agronegócio

Guerra pressiona combustíveis e eleva custos da aviação agrícola em até 50%

Guerra pressiona combustíveis e eleva custos da aviação agrícola em até 50%
Estado vem registrando crescimento da frota aeroagrícola, que somou 109 aeronaves tripuladas em 2025, o que representa alta de 4% frente a 2024 | Foto: Graziele Dietrich / Sindag

Os impactos da guerra entre Irã e Estados Unidos estão reverberando no agronegócio e alavancando os custos com a aviação agrícola. Estudo realizado pelo Sindicato Nacional das Empresas de Aviação Agrícola (Sindag) mostra uma alta próxima a 50% no querosene de aviação (QAV) e uma alta de 67,5% na gasolina de aviação. A elevação dos preços dos combustíveis está ampliando a pressão sobre o setor e vai impulsionar os custos para os produtores rurais.

A pesquisa, que ouviu 30 empresas de aviação agrícola distribuídas em diferentes regiões do Brasil, sendo cinco em Minas Gerais, mostrou que o preço médio da gasolina de aviação passou de R$ 8,36 para atuais R$ 13,99. No caso do querosene de aviação, o litro antes negociado a R$ 5,58, alcançou R$ 8,46.

A pesquisa mostra que há um alívio parcial por cerca de 20% da frota operar com etanol, combustível que apresentou menor variação no período, de 6,9%. Mas o impacto geral segue elevado, já que a maior parte das aeronaves ainda depende dos combustíveis fósseis.

O economista e diretor operacional do Sindag, Cláudio Júnior Oliveira, explica que o impacto da alta dos combustíveis representa, em média, um aumento de 25% nos custos operacionais diretamente relacionados ao combustível.

“Diante desse cenário, a indicação técnica é de um repasse mínimo de 10% nos preços dos serviços, considerando a recente alta de 6,75% no acumulado da inflação da aviação agrícola (IAVAG), impulsionada, principalmente, pela elevação de 58% no heating oil – tipo de petróleo utilizado para combustíveis de aviação agrícola –, além dos riscos econômicos e geopolíticos que seguem pressionando os custos e trazendo instabilidade para os próximos meses.”

Ainda conforme Oliveira, o uso da aviação agrícola em Minas Gerais é importante e segue em crescimento. No ano passado, o Estado contava com uma frota de 109 aeronaves, um crescimento de aproximadamente 4% em relação ao ano anterior.

“Esse volume representa um potencial de atendimento de cerca de 5,4 milhões de hectares por ano, evidenciando a dimensão do impacto da alta dos combustíveis. Qualquer aumento relevante no custo operacional afeta diretamente a capacidade de atendimento das lavouras, pressionando tanto as empresas aeroagrícolas quanto os produtores rurais em um Estado com forte protagonismo no agronegócio.”

Com o aumento dos custos de combustível, há risco de atrasos ou redução nas aplicações, o que pode comprometer a produtividade, elevar perdas no campo e impactar toda a cadeia produtiva. Entre as culturas mais sensíveis em Minas Gerais, conforme Oliveira, estão o café, milho, soja, feijão, florestas plantadas, cana-de-açúcar e algodão.

“A cana, as florestas, o algodão e o café possuem alto grau de dependência da aplicação aérea, seja pela altura das culturas, pela escala das áreas ou pela necessidade de respostas rápidas no controle fitossanitário. No caso do algodão, pragas como o bicudo-do-algodoeiro exigem agilidade no controle, enquanto na cana e nas florestas muitas vezes não há alternativa operacional viável além da aviação agrícola.”

Segundo Oliveira, esse movimento pode afetar diretamente o preço dos alimentos e, por consequência, a própria balança comercial brasileira, uma vez que a aviação agrícola atende os principais polos produtivos do País. No ano passado, os 10 principais produtos agropecuários brasileiros representaram mais de 40% das exportações. A lista abrange a soja, milho, açúcar (cana), café, celulose (florestas comerciais) e algodão. Além das carnes bovina e de frango que também dependem da soja e do milho na ração animal.

O uso das aeronaves no agronegócio é crescente em Minas Gerais, isso porque a ferramenta permite a pulverização de lavouras de médio e grande porte em tempo mais ágil e com grande eficácia, resultando em maior competitividade. O maior uso vem estimulando o crescimento da frota aeroagrícola mineira, que aumentou 4% em 2025 e somou 109 aeronaves tripuladas. Já no Brasil, a expansão foi de 5,25% com uma frota de 2.866 aviões.

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