Impactos climáticos são maior preocupação para os cafeicultores

Em Minas Gerais, as perspectivas são de 29,18 milhões de sacas de café

3 de fevereiro de 2024 às 5h14

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Produção em 2024 ficará abaixo do esperado, frustrando safra maior em MG, diz Emater-MG | Crédito: Divulgação/Emater-MG

O ano de 2024 para os cafeicultores mineiros reserva grandes desafios principalmente pela falta de chuva na época de floração do ano passado e chuva neste início de 2024. A análise é do agrônomo e coordenador estadual da Emater-MG, Willem de Araújo, que completa que fatores climáticos têm prejudicado, nos últimos anos, o desempenho da cafeicultura no maior estado produtor do Brasil.

“Faltou chuva nas regiões produtoras na época de floração no ano passado. E as lavouras ainda estão se recuperando da geada de 2021. Devido a esses fatores, a produção em 2024 ficará abaixo do esperado, frustrando uma safra maior em Minas Gerais”, explica o especialista da empresa estadual de assistência técnica e extensão rural.

A produção estimada para a safra brasileira de café em 2024 é de 58,08 milhões de sacas de grãos beneficiados, 5,5% acima da colheita de 2023, confirmando as expectativas do ano de bienalidade positiva da cultura cafeeira. Já em Minas Gerais, as perspectivas são mais cautelosas, com alta prevista de apenas 0,6% na produção, que deverá chegar a 29,18 milhões de sacas. Os números são do 1º Levantamento da Safra de Café do ano, que foi divulgado pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) no dia 18 de janeiro.

A cafeicultura mineira deve sentir em 2024 o efeito das fortes ondas de calor registradas em outubro e novembro do ano passado. “Esse período de calor intenso coincidiu com a fase de florescimento e pegamento das flores, e com o início da formação dos frutos (chumbinhos). O fenômeno climático causou baixo vingamento das flores, queda dos frutinhos e até de folhas”, relata Araújo. Mas o coordenador da Emater-MG ressalta que, somente a partir deste mês de fevereiro, será possível avaliar com mais precisão os impactos das intempéries dos últimos meses nas lavouras do Estado.

De acordo com o mais recente boletim de estimativa de safra da Conab, nos ciclos de bienalidade negativa, com 2023, os produtores costumam realizar tratos culturais mais intensos nas lavouras. E tem havido ganhos de produtividade, com o aprimoramento tecnológico no setor cafeeiro nacional.

Entretanto, em Minas Gerais, o cenário ainda não é tão favorável quanto nos demais estados produtores, como explica o especialista: “É porque em 2023 o cenário foi muito ruim. Além das ondas de calor intenso na época da floração, o preço dos fertilizantes esteve muito alto, o que prejudicou os investimentos na manutenção dos cafezais”.

Chuva agora

Outro fator de preocupação para os cafeicultores mineiros é o período de chuvas deste início de ano. Com precipitações intensas e constantes, aumenta o risco de disseminação de doenças fúngicas. “Com as chuvas persistentes, há um aumento da umidade e, como estamos no verão, com temperaturas mais elevadas, isso favorece a ocorrência de doenças como a ferrugem, que causa a desfolha das plantas. Além disso, as chuvas também atrasam as práticas culturais como a adubação, o que pode acarretar aumento da queda de frutos e folhas, no período de maior demanda de nutrientes pela planta”, detalha o coordenador estadual da Emater-MG.

Ele alerta que o constante monitoramento das pragas e doenças é uma das estratégias para minimizar os possíveis efeitos das intempéries climáticas, bem como a realização de análises foliares, para verificar os níveis de macro e micronutrientes nas plantas, e, consequentemente, orientar a suplementação para garantir a saúde das lavouras. (Com informações da Emater-MG)

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