Inaes adota novo posicionamento e fortalece Rede do Agro em Minas
O Instituto Antonio Ernesto de Salvo (Inaes), entidade integrante do Sistema Faemg Senar, está com um novo posicionamento institucional que pretende ampliar a atuação junto ao setor agropecuário de Minas Gerais. A partir de agora, a entidade passa a atuar sob três pilares fundamentais: inovação, sustentabilidade e inteligência de dados. Entre as iniciativas que buscam levar maior sustentabilidade aos produtores, o Inaes lançou a Rede do Agro, um projeto de compras coletivas para aumentar o poder de negociação dos produtores por meio do ganho em escala.
O vice-presidente de Finanças do Sistema Faemg Senar e presidente do Inaes, Renato Laguardia, explica que o reposicionamento é importante para fortalecer a entidade, mostrando de forma clara como atua e ficando mais próxima do produtor rural.
“O Inaes é uma rede de integração que liga os sindicatos de produtores rurais, a Federação da Agricultura, o Senar e faz a parte mais comercial e de apoio a todas essas instituições. Ele tem grande importância econômica, de fortalecimento das instituições, da classe produtora, de inovação, de pesquisa e da sustentabilidade econômica”, confirma.
Conforme o superintendente de Agronegócio e Inovação do Sistema Faemg Senar e gerente-executivo do Inaes, Bruno Rocha de Melo, o reposicionamento veio da necessidade de definição de uma linha de trabalho mais clara. A entidade vai trabalhar no desenvolvimento de soluções aplicadas para fortalecer o produtor rural, ampliar a competitividade do agronegócio e conectar dados, projetos e parcerias a resultados concretos no campo.
“A partir de agora, o Inaes trabalha com três pilares. O primeiro é a inovação, com a criação de um hub de inovação que possa integrar a academia e as instituições de ciência e tecnologia com o campo. O segundo é a sustentabilidade, focada na criação de uma central de apoio ao produtor rural, onde a gente quer levar produtos e serviços via sindicato. O terceiro é o trabalho de inteligência, com a criação de um núcleo de inteligência de dados para que a gente possa gerar informações de qualidade para o produtor rural, para o mercado e também para a mídia.”
Rede do Agro facilita compras coletivas e reduz custos no campo
O principal projeto em execução pelo Inaes é a Rede do Agro, uma iniciativa de compras coletivas que visa aumentar o poder de negociação dos produtores rurais por meio do ganho em escala. O projeto é considerado essencial para os produtores devido ao atual cenário do agronegócio, onde as margens de lucro muitas vezes são estreitas e os preços dos produtos são definidos de forma soberana pelo mercado. Por isso, a gestão do custo de produção tornou-se o principal fator de sobrevivência e sucesso para o produtor rural. A expectativa é movimentar mais de R$ 10 milhões em insumos nos próximos 12 meses, gerando uma economia estimada de R$ 1,3 milhão aos produtores participantes.
Minas Gerais conta com 607 mil produtores rurais e o objetivo da iniciativa é atingir o maior número possível. O projeto-piloto da Rede do Agro iniciou-se com 200 produtores e, nos últimos 12 meses, o programa movimentou R$ 3,5 milhões em compras, gerando uma economia de 11% para os participantes, o que representa mais de R$ 330 mil poupados pelos produtores. A expectativa é de crescimento orgânico no número de sindicatos, produtores e fornecedores participantes.
“A Rede do Agro é um projeto que a gente vem trabalhando há cerca de um ano e vem para atacar diretamente essa realidade do produtor. É um projeto inovador que busca baixar o custo de produção e garantir maior rentabilidade dentro das propriedades, seja na pecuária ou na agricultura”, explicou o gerente-executivo do Inaes, Bruno Rocha de Melo.
Logística e funcionamento das compras coletivas
Para estimular a participação na Rede do Agro, são feitas mobilizações via sindicatos, onde são feitos os levantamentos de demandas de compras de insumos junto aos produtores nas regiões. Com o levantamento coletivo, o Inaes centraliza as demandas para fechar cargas completas – como carretas de farelo de soja, milho, fubá -, dividindo o volume entre os produtores de um mesmo município.
A compra é feita por meio do instituto, que também organiza a logística de entrega. Um agente de inovação nomeado no sindicato coordena o processo localmente, acompanha o frete e avisa os produtores sobre a chegada da carga. O produto é fracionado na cidade, e os próprios produtores realizam o transporte da última milha até suas propriedades. O faturamento é feito diretamente no nome de cada produtor rural.
“A principal vantagem do programa é permitir que pequenos e médios produtores comprem insumos diretamente das indústrias com preços equivalentes aos de grandes produtores. Na Zona da Mata, um pequeno produtor que consome cinco sacos de soja por mês conseguiu, através do projeto, comprar o insumo diretamente do fornecedor pagando um valor menor que o do comércio local”, disse o vice-presidente de Finanças do Sistema Faemg Senar e presidente do Inaes, Renato Laguardia.
Além do ganho de escala, Melo ressalta que o projeto também atua no planejamento de compras para evitar a sazonalidade de preços. “Os custos de produção, a depender do tipo de insumos, são sazonais. Desde maio, por exemplo, estamos comprando calcário. Este é um momento em que as minas de calcário estão mais ociosas. Se o produtor deixar para comprar o insumo em agosto, que é a época de colocar o calcário na pastagem ou na plantação, esse preço estará mais alto, assim como o frete. Então, a gente tenta trabalhar o produtor culturalmente para que ele adiante suas compras”, finaliza.
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