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Mesmo com Covid-19, País deve bater recorde em exportações de carne bovina

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As exportações brasileiras de carne bovina devem superar o recorde registrado em 2019 e gerar US$ 8 bilhões em divisas neste ano, mesmo diante da crise do novo coronavírus, disse ontem o presidente da Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec), Antônio Jorge Camardelli.

Em 2020, o maior exportador global da proteína poderá embarcar mais de 2 milhões de toneladas, 130 mil a mais que no ano passado, quando o volume já havia crescido 12,4% ante 2018, de acordo com dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex) compilados pela Abiec.

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Segundo ele, quando acabar a pandemia, os países que tiverem as cadeias mais organizadas, como o Brasil, vão ter a chance de aumentar sua participação em mercados globais.

Durante participação em videoconferência, Camardelli destacou que o País não conta com nenhuma unidade produtiva paralisada na área de bovinos em função do Covid-19.

O executivo ressaltou que a China segue como principal destino dos embarques de carne bovina. Em 2019, os chineses responderam por 26,7% das compras (494 mil toneladas) e faturamento de US$ 2,67 bilhões, segundo dados da Abiec.

Ele ainda destacou que o mercado norte-americano foi reaberto para os exportadores brasileiros da proteína in natura em fevereiro deste ano e melhora a competitividade da cadeia. “Frigoríficos (do Brasil) que ainda não alcançaram a China podem acessar os EUA”, afirmou.

Apesar das condições sanitárias do Brasil que favorecem as exportações, Camardelli admitiu que o País ainda não atinge cerca de 40% dos mercados importadores, compostos majoritariamente por países que consomem carne gourmet e pagam os melhores preços.

“Queremos participar de países como Japão, Coreia do Sul, México e Canadá, e com isto ampliar cada vez mais nossa participação nos mercados mundiais”.

Aves e suínos – Também por meio de videoconferência, o presidente da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), Francisco Turra, afirmou que o cenário continua promissor para as exportações de frango e suínos, mesmo em meio ao cenário de crise causado pela pandemia do coronavírus.

“Passamos a pandemia com sanidade animal impecável, até os EUA perderam uma fatia grande por problemas internos”, disse Turra, em referência aos frigoríficos que foram fechados temporariamente nos EUA devido ao contágio do Covid-19 entre os funcionários.

No Brasil, o caso mais grave foi detectado em uma unidade de aves da JBS em Passo Fundo (RS), que teve as atividades retomadas nesta semana após um período de suspensão. Lá, mais de 60 funcionários testaram positivo para o vírus.

Quanto ao acesso aos mercados, Turra também destacou os chineses como principais compradores tanto de aves quanto de suínos. “China é importadora de 17% do que exportamos de aves e 47% do que exportamos em suínos”.

As importações totais de carnes pela China nos quatro primeiros meses de 2020 avançaram 82% na comparação anual, para 3,03 milhões de toneladas, informou a Administração Geral de Alfândegas do país asiático ontem. (Reuters)

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