Agronegócio

Hortaliças sobem na Ceasa Minas, e cenoura lidera alta

Cenoura lidera alta de preços das hortaliças na Ceasa Minas, enquanto frutas apresentam comportamento misto em abril
Hortaliças sobem na Ceasa Minas, e cenoura lidera alta
Foto: Alessandro Carvalho

Por mais um mês, os preços das hortaliças subiram de forma significativa na Central de Abastecimento de Minas Gerais (Ceasa Minas) – Belo Horizonte. No período, a cenoura registrou uma das maiores altas, inclusive, do País, com o valor do quilo aumentando 59,62% na Capital. Também ficaram mais caros a batata, o tomate e a cebola. Já nas frutas, das cinco principais pesquisadas, foi verificada alta expressiva somente no preço da melancia. Conforme o 5º Boletim do Programa Brasileiro de Modernização do Mercado Hortigranjeiro (Prohort), divulgado pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) nesta sexta-feira, as altas são resultado da menor oferta e do clima.

Na unidade mineira, quatro das cinco hortaliças pesquisadas tiveram reajustes positivos nos preços, e na maior parte, o incremento foi de dois dígitos. No caso da cenoura, Belo Horizonte registrou uma das maiores altas do País, 59,62%, com o valor do quilo chegando a R$ 4,28.

A gerente de Produtos Hortigranjeiros da Conab, Flávia Starling, explica que a alta ocorreu em função da menor oferta de cenoura no mercado nacional. Minas Gerais foi o centro da oferta nacional de cenoura, mas a pressão da demanda de outros estados sobre a produção mineira – especialmente de São Gotardo – e a redução da oferta total em 17,1% impulsionaram os preços.

“Em abril, houve uma queda brusca na oferta de cenoura, impulsionando os preços. A oferta ficou menor em Minas, que é um dos maiores fornecedores do Brasil, e também na região Sul e Centro-Oeste do País. No mês, somente São Gotardo foi responsável por fornecer cenoura para 11 destinos, como Recife, Fortaleza e Goiânia. Ao longo dos primeiros 15 dias de maio, a oferta seguiu limitada e os preços elevados”, explicou Flávia.

Os preços da cebola registraram nova elevação. Na Ceasaminas – Belo Horizonte o produto foi comercializado a preços 19,33% superiores aos registrados em março, alcançando R$ 3,45 por quilo. Conforme a Conab, o volume da produção nacional e das importações, ainda não atingiu níveis suficientes para reverter esse movimento ascendente dos preços.

No caso da batata, o fim da safra das águas e o início ainda lento da safra de inverno restringiram a oferta e provocaram aumento de 10,78% na cotação, elevando para R$ 2,37 o valor do quilo da batata.

O quilo do tomate, a R$ 4,64, ficou 8,52% mais caro em abril, o que, segundo a Conab, aconteceu em função de os dois principais fornecedores enviarem às Ceasas menores quantidades. Neste caso, Goiás teve queda na oferta de 25% e Minas Gerais, redução de 45%, na comparação dos quatro meses de 2026 com os últimos quatro meses de 2025.

Dentre as hortaliças, apenas a alface ficou mais acessível ao consumidor, com o quilo avaliado em R$ 13,37, uma queda de 1,84%.

Ao contrário das hortaliças, maior parte das frutas registrou queda nos preços

O mercado de frutas em BH apresentou movimentos distintos, com valorização expressiva da melancia (29%) e quedas em itens como mamão, banana e maçã. Mesmo assim, ao contrário das hortaliças, das cinco frutas pesquisadas, três encerraram o mês com preços menores.

Conforme os dados da Conab, em abril, a cotação da melancia subiu 29%, assim, o preço chegou a R$ 3,04 por quilo. A alta foi acompanhada por uma redução de 21% na quantidade comercializada na capital mineira em relação a março, resultado das chuvas fortes que afetaram a qualidade das frutas no período.

Ainda que em escala bem menor, o preço médio do quilo da laranja subiu 0,21%, chegando a R$ 2,30. De acordo com a Conab, embora o período tenha sido de entressafra na principal região produtora (cinturão citrícola), a demanda no atacado foi considerada apenas regular, o que evitou altas mais expressivas.

Já os demais itens, tiveram retração nos preços. No caso do mamão, a queda ficou em 10,47% e o quilo foi negociado a R$ 4,10. Os dados da Conab explicam que a concorrência entre as variedades (papaia e formosa) e a rejeição dos consumidores aos preços elevados praticados no início do mês, somada ao menor poder aquisitivo das famílias no final do período, promoveram a queda.

A maçã apresentou queda de 9,68% no valor e encerrou o mês com o quilo avaliado em R$ 6,10. A desvalorização foi causada pelo avanço da colheita da variedade Fuji na Região Sul do País e pelos estoques da variedade Gala em câmaras frias

Em abril, o quilo da banana chegou a R$ 3,40, retração de 4,66%. Segundo a Conab, isso ocorreu pelo aumento da safra em Minas Gerais – especialmente da banana prata do Norte de Minas -, o que foi suficiente para compensar quebras de safra em outras regiões.

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