Pesquisa inédita estima produção de 33,4 milhões de sacas de café em Minas

Pesquisa ouviu mais de 5,1 mil produtores em 269 municípios, responsáveis por 90% da produção de café arábica no Estado
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Pesquisa inédita estima produção de 33,4 milhões de sacas de café em Minas
Analista de agronegócio do Sistema Faemg Senar, Ana Carolina Gomes | Foto: Diário do Comércio/ Michelle Valverde

Maior produtor de café do País, Minas Gerais passa a contar com a Pesquisa Safra Café, levantamento inédito que estima a produção de café arábica no Estado. Produzido pelo Sistema Faemg Senar, o estudo projeta uma safra de 33,4 milhões de sacas em 2026, volume 32% superior ao colhido no ano anterior, considerando os dados da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab).

A pesquisa, lançada nesta quarta-feira (9), em Varginha, no Sul de Minas, aponta ainda uma estimativa 1,8% superior à apresentada no 2º Levantamento da Safra de Café 2026 da Conab, divulgado em maio, e 4,7% acima da projeção do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), divulgada em março.

A produtividade média foi estimada em 29,7 sacas por hectare, enquanto a área produtiva alcança 1,08 milhão de hectares.

O levantamento foi realizado no pico da colheita em Minas e ouviu mais de 5,1 mil produtores, em diferentes etapas do processo produtivo e com propriedades que variam de dois a mais de 100 hectares. Os entrevistados estão distribuídos por 269 municípios, que respondem por 90% da produção de café arábica nas quatro regiões cafeeiras do Estado. As informações foram analisadas por meio de metodologia estatística, com validação do Centro de Inteligência em Agronegócios da Universidade Federal de Lavras (Ciagross/Ufla).

Segundo a analista de agronegócio do Sistema Faemg Senar Ana Carolina Gomes, a proposta é complementar as estimativas já disponíveis para o setor.

“Nosso intuito não é comparar com fontes oficiais, mas sim adicionar uma camada de inteligência. Esses dados foram coletados em campo, vistos no pé, junto com o produtor. Então, ele tem uma riqueza, uma preciosidade muito grande e vai adicionar. O objetivo maior do Safra Café é dar informações ao setor produtivo, principalmente ao produtor de café”, explicou.

O presidente do Sistema Faemg Senar, Antônio Pitangui de Salvo, destacou que o levantamento pode auxiliar no planejamento das propriedades e na tomada de decisões pelos cafeicultores.

“Em Minas Gerais, a cafeicultura é um dos grandes carros-chefe da nossa economia. Não é mais possível trabalharmos desorientados, o produtor precisa saber qual o volume da nossa safra. As informações são necessárias e quanto mais informação nós tivermos, menor o risco de não termos sucesso no que estamos fazendo”, afirmou.

Para o diretor do Centro de Excelência em Cafeicultura, em Varginha, Roberto Barata, a Pesquisa Safra Café poderá auxiliar os produtores não só no planejamento da produção, como na comercialização do produto.

“A pesquisa é sempre importante para serem levantadas informações e dados. A diferença dessa pesquisa para outras que já existem no mercado, é que foi feita pelo Sistema Faemg Senar com o propósito de aumentar a qualidade de vida e de renda do cafeicultor. O levantamento foi feito com cafeicultores atendidos pelo Ateg e também com os não atendidos, indo de pequenas a grandes propriedades. A pesquisa tem toda essa representatividade, para que o cafeicultor tenha uma ferramenta de planejamento, não só da sua produção, mas da porteira para fora, para que possa planejar a comercialização”, disse.

A previsão é que a pesquisa seja realizada a cada safra, permitindo a construção de uma série histórica da produção no Estado.

“Iniciamos o histórico de pesquisas, que permitirá ao produtor saber se diminuiu ou aumentou a produção cafeeira e, assim, terá uma noção do que fazer com a safra, se vai fazer trava, por exemplo, com uma cooperativa, se vai travar um preço futuro, se vai fazer contrato de barter ou se vai segurar o café, esperando que os preços reajam e aumentem”, disse Barata.

Sobre o autor

Michelle Valverde

Repórter do Diário do Comércio desde 2009. Graduada em Jornalismo pela Newton Paiva.

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