Safra de café cresce 38,2% e reafirma liderança de Minas na produção nacional

Minas Gerais produz 35,59 milhões de sacas de café na safra 2025/26 e responde por mais de 52% da produção brasileira
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Safra de café cresce 38,2% e reafirma liderança de Minas na produção nacional
Café | Crédito: Paulo Whitaker / Reuters

A safra 2025/26 de café em Minas Gerais está com a colheita praticamente encerrada e registra aumento de 38,2% na produção frente ao ciclo anterior. A alta é resultado da combinação do clima com a bienalidade positiva da cultura. Conforme o 3º Levantamento da Safra de Café 2026, divulgado pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), a produção alcançou 35,59 milhões de sacas beneficiadas.

Com a expressiva alta de 38,2% em relação ao ciclo anterior, Minas Gerais mantém a liderança isolada na produção de café no País, respondendo por mais de 52% do volume nacional, estimado em 67,61 milhões de sacas.

O crescimento da produção mineira foi sustentado principalmente pelo avanço do café arábica e pelos fortes ganhos de produtividade média. A produção da espécie, carro-chefe do Estado, alcançou 34,96 milhões de sacas beneficiadas, alta de 38,9% frente à safra de 2025. Já o conilon, em franca expansão em áreas de menor altitude, somou 631,9 mil sacas, crescimento de 8,2%.

Considerando as duas espécies de café, a produtividade média atingiu 31 sacas por hectare, alta de 29,8% na comparação com a safra passada. A área do parque cafeeiro em produção cresceu 6,5% e atingiu 1,14 milhão de hectares.

Conforme o gerente de levantamento e avaliação de safras da Conab, Fabiano Vasconcellos, as condições climáticas foram favoráveis à produção de café ao longo do ciclo, com chuvas regulares nos períodos de floração e granação e estiagem durante a maior parte da colheita, o que favoreceu a maturação dos grãos.

“Minas Gerais é o principal produtor de café arábica do Brasil. A safra no Estado cresceu impulsionada pela bienalidade positiva, pelas condições climáticas favoráveis e pelo aumento da área em produção, movimento observado nas últimas safras, desde o La Niña, em 2021. O crescimento também foi influenciado pelas boas condições de mercado da cultura”, afirmou.

Os dados da Conab mostram ainda que, entre abril e maio, ocorreram precipitações que provocaram interrupções pontuais na colheita e aumentaram a queda de frutos no chão, depreciando a qualidade de alguns lotes e favorecendo a ocorrência de pragas, como a broca-do-café, e de doenças fúngicas, como ferrugem e cercosporiose.

Principais regiões produtoras

A produção no Sul e Centro-Oeste de Minas, conforme a Conab, deve alcançar 15,93 milhões de sacas, volume 32,1% superior ao registrado em 2025. A área em produção cresceu 6,4% e chegou a 555,47 mil hectares. Na região, a produtividade avançou 24,1%, alcançando 28,7 sacas por hectare.

A cafeicultura da região, a maior produtora do Estado, superou o estresse hídrico, com bom pegamento das floradas e excelente granação. No entanto, chuvas concentradas em junho de 2026 atrasaram os trabalhos de colheita e elevaram o percentual de café de chão.

Com produção estimada em 8,9 milhões de sacas, a safra 2025/26 no Triângulo, Alto Paranaíba e Noroeste, região que engloba o Cerrado Mineiro, registrou o maior avanço em volume, de 85,9%. Além do aumento de 12% na área em produção, houve recuperação da produtividade, que chegou a 40,5 sacas por hectare, superando em 66,5% o rendimento médio da safra anterior. No ciclo passado, a região foi fortemente afetada por condições climáticas adversas.

A Conab destaca que, apesar do abortamento floral e do estresse hídrico pontual em outubro e novembro de 2025, inclusive em áreas irrigadas, o volume expressivo de chuvas entre dezembro e março impulsionou a produtividade na região e favoreceu o crescimento da produção.

Na Zona da Mata, Rio Doce e Central, a produção de café somou 9,67 milhões de sacas, alta de 20,3%. Também houve crescimento no Norte de Minas, Jequitinhonha e Mucuri, onde a produção totalizou 1,08 milhão de sacas, avanço de 23,4%.

Sobre o autor

Michelle Valverde

Repórter do Diário do Comércio desde 2009. Graduada em Jornalismo pela Newton Paiva.

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