Agronegócio

Safra maior e queda nos preços impulsionam vendas de café no Brasil no início de 2026

Com expectativa de alta produção em Minas Gerais e recorde no País, vendas cresceram 2,44% no primeiro quadrimestre
Safra maior e queda nos preços impulsionam vendas de café no Brasil no início de 2026
Reprodução Adobe Stock

Em meio a expectativas para uma das melhores safras desde 2020, as vendas acumuladas do café cresceram 2,44% no primeiro quadrimestre de 2026, segundo dados da Associação Brasileira da Indústria de Café (Abic). As informações, divulgadas nesta quinta-feira (21), mostram que entre janeiro e abril deste ano foram vendidas 4,9 milhões de sacas, frente aos 4,7 milhões do ano passado.

Esse cenário é amparado fortemente pela resposta do mercado às previsões de produção recorde para o País. Somente em Minas Gerais, conforme dados divulgados também nesta quinta-feira (21) pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), a previsão é de uma colheita de 33,4 milhões de sacas de 60 quilos, volume 29,8% maior do que o ano anterior. Enquanto isso, o Brasil prevê uma estimativa de 66,7 milhões de sacas para a safra de 2026, 18% superior à produção de 2025.

Diante do aumento de produtividade, a alta nas vendas também é sustentada pela queda nos valores do café vendido nos mercados brasileiros. Ainda conforme dados da Abic, as categorias Tradicional e Extraforte apresentaram preço médio por quilo de R$ 55,34, uma queda de 15,51% quando comparado a 2025. Além disso, as categorias Superior e Gourmet também apresentaram reduções, com preços médios por quilo de R$ 70,37 e R$ 109,66, quedas de 12,65% e 3,71%, respectivamente.

Já os cafés especiais seguiram em trajetória oposta. Segundo a Abic, o preço médio da categoria Especial chegou a R$ 161,26 por quilo em abril deste ano, alta de 16,89% na comparação anual. Os produtos descafeinados também registraram aumento, com avanço de 21% e preço médio de R$ 114,93 por quilo.

O presidente da Abic, Pavel Cardoso, afirma que o cenário de maior oferta permitiu à indústria operar com mais previsibilidade ao longo do início do ano. “Comparado a 2025, a indústria teve, em 2026, mais possibilidades de compra de café dentro da normalidade”, diz.

Segundo ele, a queda mais intensa nas categorias tradicionais também está ligada ao comportamento recente das bolsas internacionais e à estratégia comercial do varejo. “O café extraforte caiu tanto na origem quanto na ponta. Com a queda na bolsa e a pressão supermercadista pelo sell-out, a indústria consegue comprar com mais previsibilidade”, afirma.

A associação também destaca melhora recente no abastecimento de matéria-prima para a indústria. O Índice de Oferta de Café para Indústria (IOCI) apontou que o fornecimento, que operava em nível seletivo entre agosto de 2025 e janeiro deste ano, voltou ao patamar considerado normal em fevereiro e março de 2026.

Plantação de café
Foto: Diário do Comércio / Michelle Valverde

Mês a mês em 2026

No varejo, os dados da Abic mostram que abril teve retração de 4,92% nas vendas em relação a março deste ano, após crescimento de 5,72% no comparativo entre fevereiro e março. Já na comparação anual, abril apresentou alta de 3,66% sobre o mesmo mês de 2025.

Para a entidade, o comportamento foi influenciado tanto pela sazonalidade do consumo quanto pelas incertezas em torno da safra. “O primeiro quadrimestre coincide com o momento em que os preços mais altos chegaram ao consumidor”, ressalta Pavel Cardoso.

Ele acrescenta que os primeiros meses do ano costumam apresentar mudanças no padrão de compra das famílias. “Em janeiro e fevereiro, há também uma distorção no comportamento regular das famílias. Com a volta às aulas, a dinâmica de consumo fica diferente”, diz.

O diretor executivo da Abic, Celírio Inácio da Silva, explica ainda que o varejo operou com estoques formados no fim do ano passado, o que também influenciou a dinâmica de preços no início de 2026. “Existe um estoque com delay de 20 a 30 dias, dependendo do giro”, afirma.

Expectativa e cautela

Segundo a Abic, a expectativa para os próximos meses é de maior estabilidade nos preços, diante da confirmação de uma safra mais robusta no Brasil e da perspectiva de recomposição dos estoques globais. “Sabendo que 2026 terá uma safra maior que a do ano passado e havendo manutenção dessa expectativa, a tendência é de um comportamento mais regular das cotações, com arrefecimento e redução da volatilidade”, destaca Pavel Cardoso.

Apesar disso, a entidade avalia que fatores climáticos ainda seguem no radar do setor para os próximos ciclos produtivos. “O El Niño pode impactar as safras de 2027. Em 2021, por exemplo, houve a geada que depois provocou a escalada dos preços em 2024, diante da frustração de safra”, finaliza o presidente da Abic.

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