Axia Energia afirma que setor elétrico já sente primeiros efeitos do El Niño
A Axia (ex-Eletrobras) afirmou nesta quinta-feira (6) que o setor elétrico brasileiro já sente os primeiros efeitos do fenômeno El Niño, com aumento das chuvas no Sul. Em julho, o volume de precipitações sobre os reservatórios da região foi o maior para o mês em dez anos, disse a empresa.
Em teleconferência com analistas para detalhar o lucro de R$ 1,2 bilhão no segundo trimestre, a empresa diz que se prepara para enfrentar eventos extremos como parte de um plano de resiliência climática iniciado em 2023.
Diferentes instituições já preveem um El Niño forte em 2026, o que pode provocar impacto em variados setores da economia. Para o setor elétrico, a expectativa é de maior uso de térmicas e, como consequência, aumento na conta de luz.
Esse cenário ocorrerá em caso de seca prolongada sobre os reservatórios das regiões Norte e Nordeste e de aumento da temperatura no Sudeste, o que eleva o consumo de energia. No Sul, geralmente, o problema são as fortes chuvas.
Segundo o ONS (Operador Nacional do Sistema Elétrico), o volume de chuvas registradas sobre os reservatórios da região Sul nas duas últimas semanas de julho foi quase quatro vezes acima da média histórica. A previsão para agosto é que fique em quase o dobro da média.
Em junho, o operador emitiu alerta para os operadores de hidrelétricas na região, determinando que se preparem para as fortes chuvas. O ONS também iniciou um esquema especial para usar mais energia dessas usinas, ajudando a poupar água nos reservatórios do Sudeste.
Atualmente, os reservatórios da região Sul estão com cerca de 85% de sua capacidade média de armazenamento de energia. Algumas usinas de cabeceira -como Santa Clara, no rio Iguaçu, e São Roque, no rio Uruguai- ultrapassaram 100%.
“Já percebemos o aumento das chuvas na região Sul”, disse aos analistas o vice-presidente de Regulação, Institucional e Mercado da Axia, Rodrigo Limp. Um dos impactos sobre o negócio foi a queda do preço da energia na região.
A empresa diz que 60% de seus ativos já foram contemplados pelo plano de adaptação a mudanças climáticas, que deve ser concluído em 2028. Destacou ainda que tem um centro de monitoramento dos ativos com uso de inteligência artificial para antecipar eventos extremos.
A Axia tem 80 usinas de geração de energia e opera 74 mil quilômetros de linhas de transmissão, que podem ser afetadas por tempestades e incêndios. Para a companhia, o cenário será de volatilidade de preços no segundo semestre, já que há muitas incertezas sobre o real impacto do El Niño.
Conteúdo distribuído por Folhapress
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