BH prevê investir R$ 45 milhões em semáforos inteligentes para melhorar trânsito

Primeira etapa deve ser concluída até dezembro; projeto-piloto registrou aumento de 30% na velocidade média dos ônibus em corredor da Capital
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BH prevê investir R$ 45 milhões em semáforos inteligentes para melhorar trânsito
Cruzamento entre as avenidas Amazonas e Contorno é um dos principais gargalos do trânsito em BH | Foto: Reprodução Google Maps

A Prefeitura de Belo Horizonte (PBH) prevê investir pelo menos R$ 45 milhões na ampliação do sistema de semáforos inteligentes da Capital, com o objetivo de melhorar a fluidez do trânsito e reduzir o tempo de deslocamento do transporte público. A primeira etapa, orçada em R$ 10 milhões, deve ser concluída até dezembro de 2026, com a integração de 576 controladoras semafóricas ao Centro Integrado de Operações de Belo Horizonte (COP-BH).

A segunda fase está prevista para 2027, com investimento estimado em pelo menos R$ 35 milhões, e deverá contemplar os cruzamentos restantes.

Segundo informações apresentadas à Câmara Municipal, a tecnologia permite ajustar automaticamente os tempos dos semáforos a partir da identificação da aproximação de ônibus, priorizando a circulação do transporte coletivo. A expectativa é que a sincronização também beneficie motoristas particulares, condutores de aplicativos e entregadores, além de facilitar a identificação de falhas nos equipamentos.

Os primeiros resultados foram apresentados pela prefeitura nessa quinta-feira (22), durante reunião da Comissão de Mobilidade Urbana, Indústria, Comércio e Serviços da Câmara Municipal. Implantado em maio no corredor das ruas Niquelina e Domingos Vieira, no bairro Santa Efigênia, o projeto-piloto registrou aumento de 30% na velocidade média dos ônibus e redução de aproximadamente três minutos no tempo necessário para percorrer 2,6 quilômetros durante o horário de pico da manhã.

Apesar dos resultados, a expansão do sistema exige adaptações às diferentes condições de circulação da cidade. Segundo a PBH, os ganhos observados no projeto-piloto não necessariamente serão reproduzidos em todos os corredores, já que cada local demanda soluções específicas. Outro desafio será integrar os equipamentos ao COP-BH e ampliar a cobertura da tecnologia.

Projeto-piloto reduz tempo de viagem e congestionamentos

Antes da implantação dos semáforos inteligentes, a velocidade média dos ônibus no corredor das ruas Niquelina e Domingos Vieira era de 9,8 quilômetros por hora. Segundo os dados apresentados pela PBH, o percurso de 2,6 quilômetros levava pouco mais de 13 minutos. Com a operação do sistema, a velocidade média dos coletivos aumentou 30%, enquanto o tempo de viagem caiu aproximadamente três minutos durante o pico da manhã.

No período analisado, 33% das passagens de ônibus receberam prioridade semafórica, com impacto sobre o deslocamento de 8.874 passageiros por dia. Também foram registradas reduções de 17% nos congestionamentos da Rua Niquelina, durante o pico da manhã, e de 13,5% na Rua Domingos Vieira, no pico da tarde. Segundo a PBH, não houve aumento significativo dos congestionamentos nas vias que cruzam o corredor.

O sistema utiliza a tecnologia de laço virtual, que emprega câmeras e algoritmos de visão computacional em substituição aos sensores físicos instalados no asfalto. Os equipamentos identificam a aproximação dos ônibus e ajustam a programação dos semáforos, antecipando a abertura do sinal ou prolongando o tempo de luz verde.

“Claro que esses resultados não serão os mesmos para toda a cidade. Cada local vai ter uma solução própria, mas podemos falar que os ganhos são significativos”, afirma o subsecretário municipal de Gestão Administrativa, Tecnologia e Inovação da Mobilidade, Lucas Colen.

O projeto foi desenvolvido pela Secretaria Municipal de Mobilidade Urbana, pela Empresa de Trânsito de Belo Horizonte (BHTrans) e pela Empresa de Informática e Informação de Belo Horizonte (Prodabel).

Expansão terá investimento de pelo menos R$ 45 milhões

A primeira etapa de expansão prevê a integração de 576 controladoras semafóricas ao COP-BH, com investimento de R$ 10 milhões e conclusão prevista para dezembro de 2026. O número representa aproximadamente metade das mais de 1,1 mil unidades mencionadas pela prefeitura.

A segunda etapa está prevista para 2027, com investimento estimado em pelo menos R$ 35 milhões. Com isso, o aporte total projetado para a expansão chega a R$ 45 milhões. A integração dos equipamentos ao COP-BH deverá permitir que a prefeitura identifique e resolva com mais rapidez problemas como semáforos apagados, em funcionamento intermitente ou com falhas de comunicação.

Falta de sincronização dos semáforos é alvo de críticas

A falta de sincronização entre os semáforos foi apontada durante a reunião como um dos problemas enfrentados por quem circula pela Capital. Autora do requerimento que motivou o encontro, a vereadora Marcela Trópia (Novo) afirmou que a coordenação dos sinais é uma demanda antiga da população e criticou as condições do trânsito de Belo Horizonte.

“Eu cresci ouvindo minha mãe falar que odiava passar na avenida Afonso Pena, porque era um ‘acelera e freia’ danado. Depois que comecei a dirigir, tive a mesma percepção em inúmeros cruzamentos da cidade. Ficamos com a impressão de que a cidade tem um excesso de semáforos, mas muitas vezes é porque eles são desordenados”, conta.

A parlamentar também destacou que, embora a tecnologia tenha como foco inicial o transporte coletivo, os benefícios podem alcançar outros usuários das vias, como motoristas particulares, condutores de aplicativos e entregadores.

Tecnologia poderá monitorar travessia de pedestres

Além de priorizar a circulação dos ônibus, o sistema poderá receber novas funcionalidades. Durante a reunião, o vereador Braulio Lara (Novo), presidente da comissão, questionou se a estrutura permitiria incorporar recursos semelhantes aos do Muralha BH, programa de monitoramento voltado à segurança pública. O objetivo seria evitar novos gastos com a aquisição de outro sistema no futuro.

O representante da Prodabel, Thiago Souza Dutra, afirmou que a tecnologia permite atualizações e mencionou a possibilidade de testar câmeras para monitorar pedestres. A proposta é avaliar se os equipamentos poderão identificar pessoas aguardando para atravessar a rua e, futuramente, substituir os botões de acionamento manual instalados em alguns cruzamentos.

Sobre o autor

Ana Luisa Sales

Repórter do Diário do Comércio desde 2025, graduada em jornalismo pela UFMG e especialista em ESG e sustentabilidade corporativa pela FGV.