Cesta básica de BH tem queda de 5,21% em julho, mas segue ‘corroendo’ o poder de compra do consumidor

Apesar da redução nominal, custo da cesta representa menor parcela do salário mínimo e especialistas alertam para corrosão do poder de compra
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Cesta básica de BH tem queda de 5,21% em julho, mas segue ‘corroendo’ o poder de compra do consumidor
Foto: Reprodução/ Adobe Stock

O custo da cesta básica caiu 5,21% em julho de 2026 em Belo Horizonte, segundo a Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas, Administrativas e Contábeis de Minas Gerais (Fundação Ipead). Com isso, o valor da cesta ficou em R$ 759,08 no mês passado, o que representa 46,83% do valor do salário mínimo (atualmente em R$ 1.621,00). Em julho de 2025, essa proporção era de 49,28% e a cesta custava R$ 11 a menos que atualmente.

Ou seja, embora a cesta esteja mais cara em termos nominais, atualmente ela representa uma parcela menor do salário mínimo. O custo da cesta básica em BH acumulou alta de 2,19% no ano e de 1,47% nos últimos 12 meses.

Variações de preços

Dos 13 itens que compõem a cesta básica, sete tiveram recuo de preços em julho. O tomate (-20,88%), a batata inglesa (-18,92%) e a chã de dentro (-5,93%) foram as maiores quedas. As maiores altas foram registradas nos valores da banana caturra (9,97%), farinha de trigo (2,31%) e óleo de soja (2,12%).

Corrosão

Segundo o gerente de pesquisas da Fundação Ipead, Eduardo Antunes, as altas dos preços dos alimentos vêm acontecendo de forma mais sutil, porém constante, o que acaba corroendo o poder de compra das famílias.

“Os aumentos acabam refletindo uma inflação mais alta em alguns produtos essenciais da nossa cesta. No caso da cesta básica de julho, ela acabou caindo de preço, mas vinha sofrendo com altas recorrentes durante os últimos cinco meses. Essas altas vêm minando o poder de compra: é o feijão que aumenta um pouco aqui, é o café, é a carne, é o tomate. E nesse mês especificamente, os produtos caíram de forma mais consistente, gerando essa queda expressiva para o período, o que é bom para as pessoas”, conta.

“Mas essa corrosão vem acontecendo aos poucos, porque as pessoas têm um salário muito atrelado a reajustes que normalmente são apenas recomposição de inflação. Às vezes, para compensar a perda que vinha ocorrendo ao longo do tempo, esse reajuste pode não ser suficiente”, completa Antunes.

O que fazer

Enquanto a inflação e a sequência de aumento de preços não dão um “refresco” para o consumidor, o gerente de pesquisas da Fundação Ipead explica como se pode “estancar” o dragão inflacionário no dia a dia das pessoas.

“Estancar essa corrosão de preços, considerando esses pequenos aumentos que acompanhamos ao longo do tempo, mesmo quando não é o caso neste mês específico, é difícil. É preciso sempre pensar em fazer uma poupança e, principalmente, nunca gastar tudo o que se recebe no mês. Mas isso é muito difícil, dado o orçamento pesado das famílias. Vemos a inadimplência da população sempre aumentando, porque isso acaba fazendo parte da própria sobrevivência: as pessoas se endividam para conseguir adquirir produtos, não só de alimentação, mas outros itens que necessitam e usam ao longo do dia a dia”, comenta.

“As pessoas sempre acabam tendo que trocar de produtos, mudar a qualidade daquilo que compram, ou até renunciar à compra de determinado item por algum tempo, caso o orçamento não seja efetivamente adequado àquilo que recebem ao longo do mês. No caso deste mês, em que a cesta apresentou uma queda bastante interessante, de mais de 5%, é possível compensar essa redução de preços economizando com esses produtos e usando essa folga para comprar outros itens que, porventura, ficaram mais caros ou já estão mais caros há algum tempo. Isso permite equilibrar o orçamento sem precisar renunciar a determinado produto”, completa.

Expectativa

Para o segundo semestre, a expectativa, segundo Antunes, é que os alimentos voltem a subir por causa do aumento da demanda ligado às festas de fim de ano.

“Considerando essa queda recente, é possível esperar que ela mantenha alguma estabilidade, já que a tendência observada até julho era de alta constante, e não dessa queda que acabou surgindo. Porém, a tendência até o final do ano é de que ela volte a subir. A cesta chegou a bater o teto de R$ 800, mas agora recuou para perto de R$ 750. Resta acompanhar até onde esse movimento pode chegar, mas, repito, a tendência é de que ela apresente alta até o fim do ano”, finaliza.

Sobre o autor

Anderson Gonçalves

Jornalista desde 2002, especialista em Projetos Editoriais e campanhas políticas. Desde 2025 é repórter de economia e negócios no Diário do Comércio.

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