Minas movimenta R$ 165,9 bilhões em compras corporativas e tem SP como principal fornecedor

Levantamento da Qive detalha como estados gastam recursos e aponta Minas Gerais como grande comprador e fornecedor interestadual
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Minas movimenta R$ 165,9 bilhões em compras corporativas e tem SP como principal fornecedor
Minas é o destino do maior fluxo interestadual de compras, com R$ 45,13 bilhões em mercadorias oriundas de São Paulo | Foto: Adriano Machado / Reuters

Um estudo inédito do Panorama do Contas a Pagar, da Qive, plataforma de contas a pagar para empresas, revelou um dado interessante: o volume de compras corporativas que cada estado brasileiro faz e de onde elas vêm. Os dados mostram como as corporações gastam seus recursos para ter produtos que abastecem seus estoques, ou mesmo para atividades do dia a dia.

Minas Gerais é um dos estados com o maior volume de compras, gastando cerca de R$ 165,9 bilhões em compras no ano de 2025, segundo o levantamento da Qive. Foi a primeira vez que o levantamento foi feito, logo não há ainda comparativo com outros anos.

Essa geografia das transações corporativas reflete vocações econômicas, cadeias produtivas e dinâmicas de abastecimento diferentes em cada unidade da federação. O estudo foi feito com base em 183,1 milhões de notas fiscais de transações B2B em 2025, equivalentes em valores a R$ 1,6 trilhão.

Minas x São Paulo

O estudo mostra que Minas é destino do maior fluxo interestadual de compras mapeado, com R$ 45,13 bilhões em mercadorias partindo de São Paulo. Mas os mineiros também vendem bem para os vizinhos, com “exportação” de R$ 31,84 bilhões, sendo o segundo maior fornecedor para o estado vizinho.

Os paulistas concentram o maior volume de compras corporativas do Brasil. Um total de 64,7% de todo o abastecimento vindo de outros estados, o equivalente a R$ 145,2 bilhões dos cerca de R$ 224 bilhões movimentados por São Paulo fora de suas divisas, têm origem em Minas e em mais quatro unidades da Federação: Santa Catarina (R$ 34,23 bilhões), Amazonas (R$ 27,78 bilhões), Rio de Janeiro (R$ 27,54 bilhões) e Paraná (R$ 23,78 bilhões).

Concentração de poucos

O levantamento mostra um cenário bastante concentrado nos principais setores da economia mineira quanto às compras corporativas. Varejo, indústria e serviços aparecem como os segmentos com maior volume de compras corporativas no Estado. Juntos, eles movimentaram cerca de R$ 170,3 bilhões no período analisado, sendo R$ 72,5 bilhões no varejo, R$ 57,9 bilhões na indústria e R$ 35,5 bilhões em serviços.

O varejo lidera o volume de compras corporativas em Minas Gerais, com R$ 72,5 bilhões, seguido pela indústria, com R$ 57,9 bilhões, e serviços, com R$ 35,5 bilhões. Também aparecem com volumes relevantes infraestrutura (R$ 7,7 bilhões), saúde e farmacêutico (R$ 2,7 bilhões), agronegócio (R$ 1,7 bilhão) e energia (R$ 1,6 bilhão). O setor público movimentou R$ 847,4 milhões, e tecnologia, R$ 757,7 milhões.

Fim da guerra fiscal

Quando o recorte é a composição setorial, as diferenças regionais ficam ainda mais evidentes. Espírito Santo, Acre, Tocantins, Amapá e Rondônia concentram entre 70% e 83% de suas compras corporativas em empresas do setor de varejo, perfil associado a cadeias de distribuição e abastecimento dependentes de fornecedores externos. Já Rio Grande do Sul, Paraná e Santa Catarina apresentam participação industrial superior a 40% do total de compras realizadas por organizações, com cadeias produtivas mais densas.

Segundo o cofundador e head de AI Lab da Qive, Vitor de Araujo, a dinâmica atual das compras corporativas pode se alterar quando a reforma tributária se consolidar, encerrando a guerra fiscal entre os estados.

“Um estado como o Acre, com quase toda a compra corporativa concentrada em varejo, por exemplo, tem uma dinâmica de contas a pagar completamente diferente da do Rio Grande do Sul, com mais de 40% de participação industrial e cadeias de fornecedores mais longas e complexas. Essa diferença geográfica vai ganhar outro peso com a reforma tributária: o fim da guerra fiscal e a tributação no destino redesenham exatamente esses fluxos interestaduais que hoje concentram o abastecimento de estados como São Paulo”, disse.

Sobre o autor

Anderson Gonçalves

Jornalista desde 2002, especialista em Projetos Editoriais e campanhas políticas. Desde 2025 é repórter de economia e negócios no Diário do Comércio.

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